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Funcionários das Apple Stores poderão desencorajar compras do iPhone Duo sem reserva [atualizado]

19 October 2026 at 15:42

De acordo com o MacRumors, a Apple teria orientado funcionários das suas lojas a alertarem os clientes, no dia do lançamento do iPhone Duo — marcado para esta sexta-feira, 23 de outubro — de que é necessário já ter feito a reserva para retirada, o que desencorajaria quem costuma comprar os produtos presencialmente.

Segundo o site, funcionários das Apple Stores teriam sido informados de que muito provavelmente não haverá unidades do iPhone Duo disponíveis para quem tentar realizar a compra presencial do novo aparelho no dia do seu lançamento — daí a orientação para que os consumidores não compareçam às lojas sem reserva do Duo.

O jornalista da Bloomberg, Mark Gurman, porém, rebateu diretamente as especulações, afirmando que nenhuma comunicação nessa linha foi realizada:

There's been zero communication to Apple retail stores saying this. Perhaps a manager at select stores told employees this, but nothing like this has been communicated to date. I'm not saying it won't happen, but it hasn't. https://t.co/yp7kPJr88j

— Mark Gurman (@markgurman) October 18, 2026
Não houve nenhuma comunicação para as lojas de varejo da Apple dizendo isso. Talvez um gerente de algumas lojas tenha contado isso aos funcionários, mas nada assim foi comunicado até o momento. Não estou dizendo que isso não vá acontecer, mas ainda não aconteceu.

Como já relatamos aqui, os prazos de entrega do iPhone Duo na loja online oficial da Apple chegam a janeiro nos Estados Unidos e a fevereiro no Brasil.

Embora a empresa tenha declarado que está “trabalhando intensamente” para disponibilizar o Duo para compra “o mais rápido possível”, tentar adquirir o iPhone Duo por meios oficiais segue sendo um desafio e tanto, por enquanto.

Atualização, por Bruno Cardoso 19/10/2026 às 16:09

A Apple publicou mensagens em seus sites japonês e sul-coreano dizendo que, por um período limitado, apenas compradores que fizeram a reserva do iPhone Duo ou do iPhone 18 Pro Max poderão buscá-los nas lojas da empresa nesses países.

Em outras palavras, consumidores japoneses/sul-coreanos que forem até uma Apple Store no dia de seu lançamento sem ter feito a pré-compra do aparelho provavelmente voltarão frustrados.

Ainda não está claro se essa política se espalhará para outras localidades.

via MacRumors

iPhone Duo

iPhone Duo

Cores: branco-estrela ou céu noturno
Armazenamento: 256GB, 512GB, 1TB ou 2TB
R$ 21.999,00

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Chatbots têm direito a errar mas clientes (pelos vistos) não perdoam

8 September 2026 at 10:37

Um chatbot pode ter muitas respostas certas, mas basta uma conversa correr mal para o cliente desistir. Quando a inteligência artificial não resolve o problema, uma segunda oportunidade parece ser rara. E recuperar essa confiança pode ser ainda mais difícil.

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Play Store abre a porta a lojas de apps de terceiros nos EUA. Portuguesa Aptoide regressa à plataforma da Google

10 August 2026 at 17:44

A Aptoide Games é uma das primeiras lojas de terceiros aprovadas para distribuição através Play Store da Google nos Estados Unidos. De acordo com a empresa portuguesa, o novo enquadramento representa uma “evolução significativa no ecossistema Android”. 

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Lojas alternativas de apps chegaram ao Brasil — e quase nada vai mudar para você

25 July 2026 at 14:30

“Fim do monopólio da Apple.” “iPhone liberado no Brasil.” “Mudança histórica.” As manchetes das últimas semanas não economizaram no tamanho. Do outro lado, o que o usuário recebeu de fato foi uma opção nova e discreta nos Ajustes do iPhone — e, se você não for atrás dela, sua vida com o aparelho seguirá exatamente igual. Aposto que vai seguir…

Recapitulando rapidamente: em 18 de junho, com o iOS 26.5, a Apple oficializou a abertura do iOS no Brasil, cumprindo o acordo assinado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em dezembro de 2025 — desfecho de uma investigação que começou lá em 2022, com uma denúncia do Mercado Livre. Lojas alternativas de apps agora são permitidas — a AltStore PAL chegou no mesmo dia —, desenvolvedores podem usar meios de pagamento próprios e incluir links para compras fora do app. O acordo vale por três anos, sob supervisão do Cade, com multas de até R$150 milhões se a Apple descumprir. Nós mostramos como tudo funciona em um vídeo.

Até aqui, a notícia. Agora, a leitura que ninguém fez direito. Passei mais de 20 anos construindo aplicativos que viveram sob as regras da App Store (apps de banco, varejo, montadora, etc.) e, quando li os termos do acordo com olhos de gerente de produto, a conclusão foi rápida: a Apple não abriu a porta. Ela redesenhou o funil.

Siga o dinheiro: ele continua indo para Cupertino

O detalhe que as manchetes de “fim do monopólio” esquecem de contar: a Apple criou uma estrutura de taxas em que ela recebe em praticamente qualquer caminho que o desenvolvedor escolher. Vale comparar os cenários:

Onde o app vive e como cobraComo cobraQuanto a Apple leva
App StorePagamento pelo sistema da AppleDe 10% a 21% + 5% de processamento
App StorePagamento por sistema próprio dentro do appDe 10% a 21%
App StoreLink para compra externa15% (10% para quem se qualifica)
Loja alternativaPagamento próprio5% sobre bens digitais

Olhe a última linha com calma. Um app que sair da App Store, for distribuído por uma loja concorrente e processar o pagamento por conta própria (ou seja, um cenário em que nenhuma infraestrutura de venda da Apple aparece) ainda deve 5% de cada transação de bens digitais para a Apple. É a chamada “comissão de tecnologia essencial”, e ela viaja junto com o app para onde ele for.

Agora, pense com a cabeça de um desenvolvedor. Os apps gratuitos (WhatsApp, Nubank, iFood e a imensa maioria dos que você usa) não pagam nada de comissão hoje. Se migrarem para uma loja alternativa, passam a pagar 5% sobre qualquer venda digital que façam. Migrar significa criar um custo que não existia. E são justamente esses apps gigantes que dariam tração a uma loja concorrente. Ou seja: o desenho das taxas torna a mudança irracional exatamente para quem faria a diferença. Isso não é acaso; é arquitetura de incentivos, e das bem-feitas.

A porta existe, mas tem um cadeado de US$1 milhão

Tem mais um filtro, ainda menos comentado. Para operar uma loja alternativa no Brasil, a empresa precisa apresentar uma carta de crédito de US$1 milhão emitida por uma instituição financeira com nota BBB ou superior — ou, alternativamente, ter dois anos contínuos no programa de desenvolvedores da Apple com mais de 1 milhão de instalações anuais no mundo. Na prática, isso deixa de fora todo mundo, menos gigantes bem capitalizadas: a Epic Games (que já prometeu trazer sua loja “nos próximos meses”), talvez o próprio Mercado Livre (que, ironicamente, foi quem começou essa briga) e pouquíssimos outros.

Sem várias lojas competindo de verdade, não há pressão de preço. E sem pressão de preço, o usuário não tem motivo para mudar de comportamento. O ciclo se fecha sozinho.

A Europa já fez esse filme, e o final não anima

Nada disso é especulação minha; é o roteiro que a União Europeia vem rodando desde março de 2024, quando a Lei dos Mercados Digitais (Digital Markets Act, ou DMA), obrigou a Apple a uma abertura muito parecida — e que serviu de modelo para o acordo brasileiro. Dois anos depois, o balanço europeu é magro: as lojas alternativas seguem como nicho, a Setapp Mobile (da MacPaw, empresa séria, com catálogo bom) fechou as portas em fevereiro citando “a complexidade excessiva dos termos comerciais da Apple” e a Comissão Europeia precisou multar a Apple em 500€ milhões por continuar dificultando que desenvolvedores direcionassem usuários para compras mais baratas. A Apple recorre da multa até hoje.

O Cade, vale dizer, aprendeu algo com isso: o acordo brasileiro exige que os avisos da Apple sobre lojas e pagamentos de terceiros sejam “neutros e objetivos”, sem telas de fricção empurrando o usuário de volta para o caminho de Cupertino. É um detalhe regulatório esperto. Mas o incentivo econômico de fundo (a taxa que persegue o desenvolvedor aonde quer que ele vá) é o mesmo da Europa. E foi ele que esvaziou a festa por lá.

Onde as coisas podem mudar de verdade

Para ser justo, nem tudo é fumaça. Duas frentes me parecem promissoras — e nenhuma delas envolve você trocar de loja.

A primeira são as assinaturas. Um serviço que lhe leva para pagar no site, na faixa de 10% a 15% de comissão em vez dos até 26% de antes, tem margem real para repassar desconto — se quiser.

A segunda é o pagamento dentro do próprio app: agora, nada impede um jogo ou serviço de oferecer checkout com Pix, com taxas de processamento muito menores que as do cartão internacional embutido no sistema da Apple.

Repare, porém, no que essas duas frentes têm em comum: dependem de o desenvolvedor escolher repassar a economia. A Apple, aliás, avisou que não cuida de reembolso nem de gestão de assinatura de nada comprado fora do sistema dela — mais um empurrãozinho para que tudo fique como está.

O jardim ganhou um portão; o pedágio continua o mesmo

No fim das contas, o acordo com o Cade é real, tem dentes (R$150 milhões deles) e coloca o Brasil num clube seleto — só União Europeia, Japão e Coreia do Sul forçaram abertura parecida. Como precedente regulatório, é enorme. Como mudança no seu dia a dia, é quase nada: o botão novo nos Ajustes vai continuar intocado na imensa maioria dos iPhones brasileiros, os apps vão continuar vindo da App Store e os preços vão continuar os mesmos.

A Apple declarou que, com as novas regras, desenvolvedores pagarão “o mesmo ou menos” do que antes. Curiosamente, é a frase mais honesta de toda essa história — porque o objetivo do desenho inteiro é exatamente esse: que tudo mude o suficiente para satisfazer o regulador, e pouco o bastante para não mudar nada.

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