Milhões convivem com doença renal sem saber, aponta pesquisa
Uma condição que muitas vezes evolui sem sintomas evidentes está se tornando um dos maiores desafios da saúde global. A doença renal crônica já afeta centenas de milhões de pessoas e, segundo uma ampla análise internacional, seu impacto cresce em ritmo superior ao esperado pelos especialistas.
Publicado na revista científica The Lancet, o estudo liderado por Patrick B. Mark e colaboradores, em 2025, revelou que o número de pessoas vivendo com algum grau de comprometimento da função renal saltou de 378 milhões em 1990 para 788 milhões em 2023. O avanço foi tão expressivo que a doença passou a integrar, pela primeira vez, o grupo das 10 principais causas de morte no mundo.
Uma ameaça que costuma surgir sem sinais claros
Os rins exercem funções essenciais para o organismo. Eles filtram resíduos, eliminam toxinas e ajudam a controlar o equilíbrio de líquidos, minerais e pressão arterial.
O grande problema é que a doença renal crônica costuma evoluir silenciosamente.Nos estágios iniciais, a condição costuma evoluir sem sinais evidentes. Por isso, o diagnóstico frequentemente acontece apenas quando os danos já estão mais avançados.
De acordo com a análise publicada na The Lancet, cerca de 14% da população adulta mundial convive atualmente com a condição. Em 2023, aproximadamente 1,5 milhão de mortes foram atribuídas diretamente à doença.
Muito além dos rins
Embora o nome sugira um problema restrito ao sistema urinário, os impactos vão muito além.
Os pesquisadores observaram que a perda da função renal está fortemente associada a outras doenças graves, especialmente as cardiovasculares. A análise estimou que a disfunção renal contribui para cerca de 12% das mortes relacionadas ao coração e à circulação em todo o planeta.
Além disso, a doença renal crônica também figura entre as principais causas de incapacidade, reduzindo significativamente a qualidade de vida de milhões de pessoas.
Os fatores que mais aumentam o risco
O estudo identificou três fatores que se destacam como os principais impulsionadores do problema:
• Diabetes e níveis elevados de glicose
• Hipertensão arterial
• Obesidade e excesso de peso
Essas condições podem danificar gradualmente os vasos sanguíneos dos rins, comprometendo sua capacidade de filtração ao longo dos anos.
Por esse motivo, controlar a pressão arterial, manter níveis adequados de glicose e adotar hábitos saudáveis são medidas importantes para proteger a saúde renal.
Diagnóstico precoce pode mudar o futuro
Uma das conclusões mais importantes da pesquisa é que grande parte dos pacientes ainda se encontra nos estágios iniciais da doença.
Isso representa uma oportunidade valiosa, porque a identificação precoce permite iniciar tratamentos capazes de retardar a progressão do quadro. Mudanças no estilo de vida, controle rigoroso dos fatores de risco e medicamentos modernos podem reduzir significativamente a chance de evolução para insuficiência renal avançada.
Avanços recentes na medicina têm mostrado que certos medicamentos usados para diabetes e problemas cardiovasculares também podem contribuir para preservar a função renal.
Um desafio crescente para a saúde global
A pesquisa publicada na The Lancet, conduzida por Patrick B. Mark e colegas em 2025, mostra que a doença renal crônica deixou de ser um problema restrito aos casos que necessitam de diálise ou transplante.
Hoje, ela é reconhecida como uma condição comum, frequentemente silenciosa e intimamente ligada a algumas das principais causas de morte no mundo. Diante desse cenário, especialistas apontam que ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento pode ser decisivo para reduzir o impacto dessa doença nas próximas décadas.













