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O tempo está passando mais devagar em Mercúrio

31 July 2023 at 02:59

A mesma força que nos prende ao chão é responsável pela existência de estrelas, dos buracos negros e por transformar completamente o universo. Aproximando-se de um objeto massivo, o tempo corre diferente, devido à influência da gravidade e é em Mercúrio que o tempo está passando mais devagar em relação a outros objetos do sistema solar.

Muitas vezes, chamamos a gravidade de força, mas na realidade, ela é apenas consequência da deformação do espaço, e podemos frequentemente observar isso na prática ocorrendo com a luz. No espaço profundo, grandes aglomerados de galáxias deixam o efeito ainda mais visível, já que a massa de centenas de galáxias juntas produz um campo gravitacional mais poderoso, criando o que os astrônomos chamam de lente gravitacional.

Créditos: Reprodução

De fato, o que chama a atenção é que a gravidade é capaz de realizar tudo isso no espaço, mas o mais estranho é que o tempo também pode ser afetado assim como a luz sofre com isso. Na astrofísica, o fenômeno é conhecido como dilatação do tempo, quando dois eventos em diferentes distâncias de um objetivo massivo sofrem uma alteração temporal.

A ideia é que quanto mais próximo o relógio está da fonte de gravidade, mais lento o tempo passa, acelerando conforme o relógio se afasta da fonte de gravidade. Albert Einstein previu esse efeito em sua teoria da relatividade e desde então foi confirmado por testes de relatividade geral em vários sentidos.

Sendo assim, podemos afirmar corretamente que o tempo passa de forma diferente de acordo com a distância que alguns planetas estão do Sol, e em Mercúrio, o relógio corre um pouco mais devagar do que na Terra.

O quão diferente o relógio correu por lá até hoje?

Bom, a diferença não é tão gigantesca quanto se imagina, mas a proximidade de Mercúrio com o Sol faria o relógio correr algumas décadas mais lentamente do que na Terra, algo próximo de 30 ou 40 anos de diferença.

No entanto, vamos considerar que Mercúrio está localizado a mais de 50 milhões de quilômetros do Sol e o campo gravitacional da estrela fica um pouco mais fraco. Por isso, a maior dilatação temporal que poderíamos ter acesso no sistema solar é na superfície solar. A massa gigantesca da estrela faria relógios colocados na superfície funcionarem mais devagar 6 segundos por ano em comparação com relógios no espaço profundo.

Sendo assim, considerando que a idade do Sistema Solar é de cerca de 4,5 bilhões de anos, a diferença no tempo medido na superfície do Sol e no tempo medido em uma distância muito grande, como no espaço profundo, seria de aproximadamente 850 anos. Agora temos um número mais relevante, mas ainda assim, é apenas um arranhão dentro dos 4,5 bilhões de anos de história do nosso sistema.

Há quem já até calculou a diferença de idade da superfície ao nível do mar com o topo do Everest e pasmem: a dilatação temporal ao longo de 4,5 bilhões de anos fez o topo do Everest ser 39 horas mais jovem do que o restante da Terra.

Tempo, espaço e gravidade estão profundamente interligados. Em escalas gigantescas, podemos observar como a gravidade é capaz de desviar a luz, distorcer o tempo e deformar o próprio espaço. É verdadeiramente incrível!

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Telescópio captura as fotos mais próximas do Sol da história

29 July 2023 at 19:44

Localizado a 150 milhões de quilômetros de distância, o Sol é imponente o suficiente para iluminar cada centímetro quadrado do nosso planeta. Agora, um telescópio capturou as fotos mais próximas do Sol da história.

A cada segundo, o Sol converte algo na ordem de alguns milhões de toneladas de matéria em energia. Essa energia é liberada na forma de luz e calor e, graças aos processos de fusão nuclear em seu interior, ela é a fonte de luz que nunca falhou por bilhões de anos, chegando à Terra.

Hoje em dia, uma sonda espacial se arrisca ao se aproximar alguns milhões de quilômetros da superfície solar, mas mesmo assim não podemos nos aproximar demais. Nesse contexto, um poderoso telescópio localizado no complexo de observatórios Haleakala, no Havaí, entra em cena. O telescópio solar, chamado de Telescópio Solar Daniel Inouye, é o maior e mais avançado do planeta.

O incrível poder do telescópio

O telescópio é fantástico e consegue obter resoluções de estruturas na superfície da estrela tão pequenas quanto 20 quilômetros de diâmetro. Pode parecer muita coisa, mas o Sol tem mais de 1 milhão e 300 mil quilômetros de diâmetro e está localizado a 150 milhões de quilômetros da Terra.

A superfície solar altamente detalhada. Créditos: National Science Foundation

Por exemplo, nessas imagens que estamos vendo acima e abaixo, podemos observar estruturas que os astrônomos denominam de grânulos, que consistem em células convectivas de plasma borbulhando no Sol.

Pois bem, cada estrutura nessas imagens pode medir o tamanho do estado do Amazonas e são elas responsáveis por todo processo convectivo da estrela. De acordo com National Science Foundation, a instituição financiadora do telescópio, essas são as imagens mais nítidas do Sol já feitas na história da astronomia.

Imagem ampla da superfície solar. Créditos: National Science Foundation

É importante lembrar que o Sol não é composto de uma superfície sólida, mas sim de um estado da matéria conhecido como plasma. Basicamente, o plasma se assemelha a um gás, mas está tão quente que os elétrons ficam livres. De qualquer forma, seria impossível pisar na superfície do Sol, pois não há onde pisar. Nas imagens do telescópio Inouye, as células convectivas são responsáveis por trazer o calor do interior para fora.

Essas imagens sensacionais da superfície da estrela capturadas a 150 milhões de quilômetros de distância mostram o poder do equipamento. Poderemos então usá-lo para entendermos cada vez mais sobre a natureza misteriosa da nossa estrela.

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Anel de Einstein é observado no espaço profundo

27 July 2023 at 20:21

Quando Albert Einstein formulou a Teoria da Relatividade Geral no início do século XX, ele propôs que a presença de um objeto massivo no espaço poderia curvar a trajetória da luz. Esse fenômeno, mais tarde, ficaria conhecido como Anel de Einstein.

Embora qualquer objeto massivo no universo cause esse fenômeno, incluindo nós mesmos, nossa massa é tão pequena que não observamos esses efeitos de forma significativa. Para presenciar o desvio gravitacional, é necessário considerar astros extremamente massivos.

Como o fenômeno ocorre?

Para comprovar tal ideia, um eclipse solar no Brasil em 1919 foi usado como objeto de estudo. Ocorrendo mais precisamente em Sobral, no Ceará, os astrônomos concentraram-se na observação de estrelas próximas ao disco solar durante o eclipse total. Segundo a teoria, a luz de estrelas distantes seria desviada ao passar perto do campo gravitacional intenso do Sol. Durante o eclipse, a luz das estrelas próximas ao Sol estavam levemente deslocadas de sua posição original, corroborando então a validade da Teoria da Relatividade Geral.

Anos depois de confirmar sua teoria, o próprio Einstein afirmou que o fenômeno também poderia ocorrer em escalas maiores, usando a massa de galáxias e aglomerados para distorcer a luz. Esse conceito ficou conhecido como lente gravitacional. Ele explicou que, se um objeto emissor de luz estivesse posicionado exatamente atrás de um corpo massivo capaz de criar essa lente gravitacional, o resultado seria a formação de uma imagem ampliada do objeto.

Lente gravitacional no espaço profundo. Créditos: ESO/Hubble

Mas o que mais impressiona é que, com o passar do tempo, os astrônomos foram encontrando inúmeros tipos de lentes gravitacionais, incluindo os bizarros Anéis de Einstein. Os anéis de Einstein são um tipo de lente gravitacional, onde um círculo luminoso acaba se formando ao redor de um objeto distante.

Resumidamente, as galáxias produzem os anéis quando estão quase perfeitamente alinhadas, uma atrás da outra. De acordo com a relatividade geral, o campo gravitacional das bilhões de estrelas causa uma deflexão da luz nesse momento. Assim, uma galáxia desvia a luz que vem de outra galáxia posicionada diretamente atrás dela, resultando na concentração da luz divergente em um anel visível na direção perfeita com a Terra.

Os registros no espaço profundo

Um dos melhores registros desse tipo de fenômeno foi obtido pelo Hubble, quando avistou a lente de identificação LRG 3-757. Neste caso, a galáxia avermelhada está a pouco mais de 5 bilhões de anos-luz em primeiro plano e, logo atrás dela, tendo sua luz distorcida pela gravidade, a galáxia azulada que está a 10 bilhões de anos-luz.

Anel LRG 3-757. Créditos: ESO/Hubble

Os anéis duplos de Einstein são um tipo ainda mais raro: a intensa gravidade de uma galáxia elíptica na frente distorce a luz emitida por duas galáxias localizadas exatamente atrás dela. Isso acontece quando uma galáxia gigante está quase perfeitamente alinhada com outras duas galáxias menores de fundo, porém em diferentes distâncias.

Anel de Einstein duplo. Créditos: NASA/Hubble

O anel interno e o externo se formam ao redor da galáxia em primeiro plano, contendo várias imagens duplicadas das duas galáxias de fundo, que estão aproximadamente a 6 e 11 bilhões de anos-luz de distância, respectivamente. A probabilidade de testemunhar esse raro alinhamento cósmico visto na imagem acima é estimada em apenas 1 chance em 10.000.

Aqui, temos um fenômeno incrível que revolucionou a física. Tais imagens certamente impressionariam Einstein!

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O que a câmera da sonda Voyager veria se fosse ligada hoje?

21 July 2023 at 15:12

A missão Voyager foi incrivelmente importante para a exploração espacial, possibilitando uma nova era sobre como sondas espaciais podem durar no espaço. Infelizmente, muitos instrumentos já foram desligados para preservar energia, mas o que a sonda veria se a câmera fosse ligada hoje?

Créditos: Reprodução

Não é exagero falar que as sondas Voyager 1 e 2 foram as sondas espaciais mais incríveis já lançadas no espaço. Afinal, muito além de missões interestelares, foram elas que conseguiram os vislumbres dos planetas e mundos que nunca antes tinham sido explorados de perto.

De qualquer forma, a durabilidade das sondas espaciais é algo que impressiona, mas como tudo nessa vida, nada é eterno e a NASA teve que fazer sacrifícios para que elas pudessem seguir funcionando. No momento, somente 4 dos principais instrumentos científicos da Voyager 1 estão operacionais, enquanto a Voyager 2 possui 5 deles ainda em funcionamento.

Depois de passarem pelos dois últimos mundos do sistema solar, elas avançaram em direção ao espaço interestelar. No entanto, antes que a NASA finalmente optasse por desativar o sistema de imagem, a câmera foi apontada em direção à Terra, a exatos 6 bilhões de quilômetros, e capturou a última foto que ficou conhecida como “Pálido Ponto Azul”. Essa foto por si só já foi muito difícil de registrar, já que a incidência da luz solar poderia ter fritado os equipamentos eletrônicos.

O planeta Terra registrado pela missão. Créditos: NASA/JPL

No final, as sondas continuaram sua jornada e manter as câmeras ligadas não tinha mais sentido, pois estavam se indo para a escuridão, sem a intenção de retornar. E embora estejam desativadas hoje, a NASA afirmou que ainda seria possível reativar as câmeras.

O que seria registrado se isso acontecesse?

Bom, a princípio, só escuridão, mas nem tanto quanto parece. O Sol pareceria a estrela mais brilhante do céu, alguns planetas seriam visíveis, mas só revelaria a solidão de estar tão distante do seu planeta natal.

Os responsáveis pela missão também optaram por remover o software que controlava as câmeras de ambas as espaçonaves. E, além do intuito de poupar energia e memória para os instrumentos essenciais, os computadores terrestres que processavam as imagens também sequer existem mais.

Mesmo que recriassem os computadores no solo, recarregassem o software na espaçonave e reativassem as câmeras, a escuridão onde as Voyagers estão atualmente dificultaria a obtenção de imagens úteis. Em outras palavras, a visão estaria repleta de ruído pela exposição ao espaço e o sistema de imageamento certamente estaria extremamente danificado.

Se pudéssemos usar a câmera da Voyager hoje, certamente a visão seria mais ou menos como essa registrada pela sonda New Horizons a 6 bilhões de quilômetros da Terra. Mas detalhe, a missão Voyager já está a uma distância pelo menos quatro vezes maior que a distância da New Horizons. Na imagem, podemos ver como só há escuridão e estrelas distantes.

Créditos: NASA/JPL

Na distância que as sondas estão hoje, uma imagem levaria 44 horas para ser feita, já que para a sonda mais distante o tempo de comunicação unidirecional está em 22 horas, ou seja, o tempo em que somente o envio de um comando leva para chegar até lá.

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Dois planetas podem ter a mesma órbita em estrela distante

19 July 2023 at 20:00

A descoberta de mundos além da nossa estrela já se tornou comum, mas algo inusitado parece ter sido achado: dois planetas podem ter a mesma órbita.

O telescópios já registraram cenários incríveis que os astrônomos chamam de discos protoplanetários. Nesses discos, encontrados sempre ao redor de estrelas muito jovens, sistemas planetários se formam e mundos novos surgem no universo. Esse tipo de local já foi registrado inúmeras vezes e o catálogo só cresce à medida que o tempo passa.

A maioria desses mundos são como os planetas do sistema solar, cada um em sua órbita estabelecida. Logo, mundos com órbitas mútuas são inusitados. Chamamos esses mundos que compartilham órbitas de “planetas troianos” ou, para exoplanetas, de exotrojans, em homenagem a populações de asteroides que compartilham a órbita de Júpiter de maneira semelhante a observação da vez.

Imagem da estrela e os dois possíveis planetas. Créditos: ALMA/ESO/NAOJ/NRAO/Balsalobre-Ruza et al.

A evidência inusitada foi encontrada no sistema PDS 70 localizado a 370 anos-luz de distância. Aqui, pela primeira vez, vimos imagens diretas não apenas de um, mas de dois exoplanetas em processo de formação. Eles são chamados PDS-70b e PDS-70c. Além disso, os astrônomos encontraram evidências de um disco de formação lunar em torno de um mundos potenciais.

Agora, observando mais detalhadamente, encontramos evidências de algo compartilhando a órbita do PDS-70b, aparentando ser uma bolha mais fraca que o exoplaneta em si. Os cálculos indicam que esse objeto pode ter duas vezes a massa da nossa lua. Embora essa bolha – certamente feita de gás – ainda não seja classificada como um planeta, os pesquisadores estão animados.

A grande questão é que o “objeto” parece estar um ponto orbital chamado Lagrange, onde a influência gravitacional da estrela e outro planeta se equilibram e “pode prender o material”, de acordo com o ESO. Se realmente for um planeta, isso quer dizer que estão compartilhando a mesma órbita e seguem uma trajetória juntos ao redor de PDS 70.

No entanto, esse parceiro orbital provavelmente somente seja uma espessa nuvem de poeira, mas a grande massa observada ainda é um mistério. Para confirmar a detecção, a equipe precisará esperar até depois de 2026. Afinal, temos que esperar para ver se há algum movimento significativo e juntos ao longo da órbita em torno da estrela.

Comunicado publicado no Observatório Europeu do Sul (ESO).

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É verdade que as estrelas do céu não existem mais?

19 July 2023 at 02:40

Há uma grande ideia difundida de que as estrelas do céu noturno não existem mais. Por mais que tenha um fundo de verdade, a questão é mais complexa do que parece e não é exatamente como as pessoas pensam.

Certamente, o sonho de todo observador do céu é observar uma supernova durante a vida, ou seja, o momento final de uma estrela após vários milhões ou até bilhões de anos. O evento em si é capaz de emitir tanta luz quanto uma galáxia inteira e, se ocorresse em alguma das estrelas visíveis à noite, podemos ter a certeza que teríamos um verdadeiro show a olho nu.

Créditos: Reprodução.

O conceito de velocidade da luz

Para justificar tal afirmação, é usada a ideia de atraso ou “delay” da velocidade da luz no universo. Simplesmente foge da nossa compreensão imaginar o quão grande pode ser 1, 2, 3 anos-luz, ou melhor, quem sabe 1 milhão de anos-luz. Pois é, essa escala de distância da astronomia se baseia na velocidade da luz de quase 300 mil quilômetros por segundo.

Apenas um único ano-luz representa mais de 9 trilhões de quilômetros, e a luz leva um ano em nosso tempo para conseguir se deslocar por tudo isso. Detalhe, estamos falando da coisa mais rápida do universo, e fica difícil imaginar a dimensão de tal distância em termos cósmicos. Agora eleve isso para 10, 100 ou 1000 anos-luz. É uma escala imensa!

A vida de uma estrela

Em suma, tudo o que vemos no universo está sujeito ao delay de propagação da luz que chega aos telescópios na Terra. Mas vamos considerar também o ciclo de vida estelar.

Tomemos como exemplo as estrelas como Betelgeuse, Antares e Aldebaran. Os astrônomos as classificam como supergigantes vermelhas, uma fase na vida estelar em que elas já deixaram a sequência principal e se dirigem ao fim de sua existência. Na prática, todas as estrelas do universo passam pela sequência principal em algum momento, independentemente da quantidade de massa que possuam.

O Sol, por exemplo, está passando pela sequência principal neste momento. A fase deve durar pelos próximos bilhões de anos.

Com exceção do Sol, as outras estrelas citadas já se encontram no caminho para finalmente explodir, já que não estão mais na sequência principal e hoje devem estar fundindo e dando prioridade a átomos de elementos cada vez mais pesados. Quando isso acontece, a pressão de fusão nuclear diminui e a gravidade então implode a massa estelar até o ponto de ocorrer uma explosão.

A escala temporal em que isso acontece

Juntando os dois pontos, chegamos então ao cerne da questão. A luz de fato tem uma velocidade limite no espaço e causa uma atraso na visão dos objetos celestes. No entanto, o ciclo de vida de uma estrela fica na casa dos milhões até bilhões de anos.

O delay causado na luz não é significativo ao ponto de que as estrelas do céu noturno possam já ter desaparecido. A estrela Sirius, por exemplo, está localizada a 8 anos-luz, mas deve viver por mais alguns bilhões de anos. Neste caso, o delay da luz é curtíssimo em relação ao tempo de vida estelar.

Então não, não é verdade que as estrelas do céu noturno não existem mais.

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Por que as sondas Voyager não saíram do sistema solar?

19 July 2023 at 01:31

As sondas Voyager já ultrapassaram a marca de 20 bilhões de quilômetros e seguem se distanciando da Terra. Por mais que essa seja uma distância grande, é correto dizer que as sondas ainda não saíram do sistema solar? É comum dizermos que elas já se encontram no espaço interestelar, mas a verdade é que a questão é mais complexa do que parece.

Créditos: Reprodução.

A distância da Terra muda a todo instante, já que as sondas estão acelerando para fora da órbita do Sol a mais de 60 mil km/h. Surpreendentemente, elas ainda são perfeitamente comunicáveis, mas um único pulso de sinal leva quase um dia inteiro para chegar nas antenas da Terra.

As sondas Voyager já estão sendo desativadas

Infelizmente, as sondas já são bem velhinhas e considerando os 10 principais instrumentos científicos integrados, apenas 4 estão funcionando na Voyager 1 e 5 deles ainda continuam ligados na sonda de número 2.

A natureza do gerador radioativo de energia das espaçonaves representa o desafio. Segundo a NASA, ele perde 4 watts de eficiência anualmente, o que indica que apenas um equipamento científico esteja operacional até por volta de 2025. Após esse período, a sonda entrará em estado de hibernação e enviará apenas um sinal breve para indicar a possibilidade de estabelecer comunicação, até que a energia se esgote completamente.

Nesse ponto, as sondas continuarão vagando pelo universo, solitárias e completamente apagadas. Felizmente, para perpetuar nossa espécie, ambas as espaçonaves levam consigo um disco de ouro com a localização aproximada da Terra, dados sobre nosso planeta, os humanos, saudações em diversas línguas e imagens do que existe em nosso pálido ponto azul.

Disco da Voyager. Créditos: Reprodução.

Elas já estão fora do sistema solar?

De acordo com a NASA, não existe resposta necessariamente certa, mas elas definitivamente não saíram do sistema solar, com base na definição científica de “fora do sistema solar”. Na prática, existem dois limites que podemos definir para o sistema solar. O primeiro deles é a Heliosfera do Sol e o segundo é a nuvem de Oort.

Primeiramente, a Heliosfera cerca o sistema solar como uma espécie de bolha magnética e enfraquece em uma certa distância, marcando o início do espaço interestelar. Enquanto elas passavam pelo limite dessa bolha, foi possível detectar uma interação da própria Heliosfera com o plasma interestelar.

Os instrumentos de medição de plasma da Voyager detectaram picos de radiação durante a transição para o espaço interestelar, onde a Heliosfera não consegue mais repelir fortemente o vento de radiação proveniente de estrelas distantes. Em outras palavras, ela teria encontrado o espaço interestelar a partir daqui.

Heliosfera do Sol. Créditos: Reprodução

No entanto, há um segundo limite: a nuvem de Oort. A região resulta do material mais disperso na nebulosa durante a formação do sistema solar que não conseguiu se agrupar em corpos maiores, como aconteceu como os principais planetas. A dimensão dessa nuvem pode chegar a mais de 1 ano-luz de diâmetro.

Mesmo após viajar no espaço por quase 50 anos, espera-se que as sondas levem pelo menos 300 anos para alcançar o limite interno da Nuvem de Oort e possivelmente 30.000 anos para atravessá-la. Portanto, considerando esse limite, as sondas ainda estão muito distantes de sair do sistema solar.

Qual será o destino da missão?

Os cálculos orbitais revelam que em cerca de 40.000 anos, a sonda Voyager 1 irá passar a apenas 1,6 anos-luz da estrela AC+793888 e a Voyager 2 passa a só 1,7 anos-luz da estrela Ross 248 e, em cerca de 300 mil anos, a sonda chegará então a 4,3 anos-luz de Sirius, a estrela mais brilhante no céu noturno.

Enfim, a missão foi e está sendo fantástica. Caso não sejam atingidas por nada no caminho, as sondas vagarão para sempre rumo à escuridão do espaço.

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James Webb pode ter encontrado as primeiras “estrelas negras”

18 July 2023 at 01:19

O Telescópio Espacial James Webb pode ter encontrado as primeiras estrelas negras em galáxias incrivelmente distantes no espaço.

Diferentemente das estrelas tradicionais, os astrônomos acreditam que essas “estrelas negras” possuam uma massa milhões de vezes maior. Mas não se deixe enganar pelo nome, pois eles também afirmam que essas estrelas brilham na casa do bilhão de vezes mais que o brilho do Sol. Essa luminosidade é o que permite sua visualização em distâncias incrivelmente grandes.

Impressão artística. Créditos: Reprodução.

Como uma estrela tradicional gera energia?

As estrelas “tradicionais” são formadas por um processo incrivelmente violento quando uma nuvem de gás se junta através da gravidade e os átomos vão sofrendo cada vez mais pressão até o ponto em que se inicia a fusão nuclear.

Durante sua vida, uma estrela como o Sol continua estável porque a gravidade tenta comprimir a matéria cada vez mais em direção ao centro e essa atração é compensada pela força de pressão exercida através da fusão nuclear, criando um cabo de guerra em todas as direções e formando a bola de plasma escaldante.

Esse processo de fusão de núcleos atômicos gera então a energia que recebemos na Terra na forma de luz e calor.

O que são as estrelas negras?

As estrela convencionais são formadas por matéria bariônica, ou seja, aquela que interage com radiação eletromagnética e conseguimos ver. As estrelas negras seriam feitas de matéria escura. Essa nova ideia foi proposta por físicos da Universidade Colgate e da Universidade do Texas e, basicamente, explicaria algumas galáxias estranhas encontradas pelo telescópio.

Algumas primeiras galáxias parecem ser mais desenvolvidas do que a idade aparente delas. A maioria dos físicos espera resolver esse paradoxo com mudanças relativamente pequenas nos modelos existentes do universo, mas alguns estão explorando opções diferentes.

Eles argumentam que essas “galáxias” são, na verdade, estrelas únicas alimentadas com matéria escura. Segundo os autores, as Estrelas Negras são tão grandes que, se uma delas substituísse o Sol, sua superfície ficaria além da órbita de Saturno.

Para gerar energia, as partículas de matéria escura se aniquilam, liberando energia suficiente para aquecer a superfície a quase 10.000 graus Celsius. Isso depositaria uma quantidade descomunal de calor em nuvens de hidrogênio primordiais em colapso, resultando em uma quantidade impressionante de luz.

No entanto, as estrelas são apenas teorizadas e deve ficar claro que não sabemos sequer a natureza que cerca a matéria escura.

A pesquisa foi publicada na revista Proceedings of the National Academies of Science.

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Um meteorito da Terra foi encontrado… na Terra

17 July 2023 at 19:56

Já achamos meteoritos de Mercúrio, Marte, Lua e até de alguns asteroides. No entanto, uma nova rocha espacial encontrada na África parece ter vindo da Terra. Sim, um meteorito terrestre encontrado na Terra.

O meteorito. Créditos: Jerome Gattacceca/The Meteorological Society.

Rochas espaciais caem por aqui todos os dias, mas quase todas elas são vaporizadas completamente antes de chegar à superfície. O processo de vaporização gera muita energia e temos um meteoro luminoso rasgando o céu. A maioria das rochas espaciais estão vagando por aí por bilhões de anos, sem uma origem exatamente definida.

Se comprovada sua origem, a rocha identificada de NWA 13188 poderia ser o primeiro meteorito conhecido a realizar uma extraordinária jornada de ida e volta através do sistema solar.

De acordo com sua composição química, NWA 13188 parece ter sua origem a partir de minerais fundidos, típicos de rochas formadas por vulcões próximos às placas oceânicas submersas aqui na Terra. A sua composição química por si só não classificaria a rocha como meteorito e, por isso, os cientistas precisam provar que ela já esteve no espaço.

As evidências de sua ida ao espaço

Primeiramente, a rocha apresentou concentrações importantes de Hélio-3, Berílio-10 e Neon-21, isótopos que indicam exposição a raios cósmicos. Embora geralmente bloqueados pelo campo magnético da Terra, a exposição aos raios ocorreu em níveis que não são comuns em outros meteoritos e rochas terrestres.

Bom, isso leva à conclusão de que NWA 13188 foi sujeita à ação dos raios cósmicos galácticos durante um período significativo, relativamente curto, abrangendo algumas dezenas de milhares de anos.

Como ela foi parar no espaço?

Aqui temos um verdadeiro mistério. Se provada a natureza meteorítica, ela teria que ter sido ejetada para fora de alguma forma. De duas, apenas uma: rocha poderia ter sido ejetada durante uma erupção vulcânica ou lançada ao espaço por um impacto de asteroide contra a Terra.

Para entrar em órbita, uma rocha ejetada por um vulcão em atividade precisaria atingir velocidades de dezenas de milhares de quilômetros por hora, o que geralmente não acontece, tornand0-se improvável que os vulcões possam lançar rochas no espaço. Um impacto de asteroide parece ser mais provável.

A verdade é que encontrar um meteorito terrestre na Terra é algo inusitado. O provável impacto para gerar algo do tipo pode ter sido muito energético e, não à toa, já encontramos um meteorito terrestre na Lua durante a missão Apollo 17.

Estudo apresentado na Conferência Goldschmidt 2023.

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A noite em que auroras foram vistas no Rio de Janeiro

17 July 2023 at 01:02

O fenômeno das auroras boreais ou austrais é fantástico. Luzes esverdeadas emanam da alta atmosfera e criam um cenário único. Infelizmente, as auroras não ocorrem em latitudes próximas ao equador, o que quer dizer que não são visíveis do Brasil comumente.

Elas acontecem devido a junção de fenômenos ainda pouco compreendidos da interação envolvendo o vento solar e a magnetosfera da Terra. Tudo começa ainda no Sol, quando a nossa estrela envia para o espaço uma tempestade geomagnética. Uma nuvem de plasma gigantesca vai em direção ao sistema solar mais distante viajando a mais de 2 mil km/s, até que alcançam a Terra em três dias.

Aas auroras acontecem quando uma explosão solar tem força suficiente para ionizar o ar acima de nossas cabeças e na camada atmosférica que conhecemos como ionosfera. Os prótons e elétrons são canalizados e acelerados pelas linhas do campo magnético terrestre, colidindo com os gases atmosféricos em até 400 quilômetros de altitude.

Por que não são visíveis do Brasil?

As linhas do campo magnético emergem a partir dos polos do planeta e, quando as partículas do vindas do Sol chegam até aqui, elas espilaram em direção aos polos, funcionando como uma porta de entrada para a energia que chega da estrela. Em outras palavras, acima do Brasil, não há campo magnético emergindo do solo, mas existe uma espécie de manta magnética nos cobrindo e impedindo a interação com as moléculas do ar acima de nós.

Quando elas foram visíveis do Rio de Janeiro?

Ao vasculhar reportagens do antigo jornal carioca chamado “Jornal do Comércio”, os pesquisadores da NASA, Japão e Reino Unido, incluindo até um brasileiro chamado Denny Oliveira, acharam uma reportagem onde o astrônomo francês Emanuel Liais relatava observações de auroras no Rio de Janeiro na noite de 15 de fevereiro de 1875.

De acordo com os pesquisadores, Emanuel foi diretor do Observatório Imperial naquele mesmo ano, tendo sido nomeado diretamente pelo imperador do Brasil na época, o Pedro II, onde realizava pesquisas sobre movimentos planetários e cometas.

Representação artística. Créditos: Reprodução.

Às 19h45 (hora local), o observador notou a aurora, uma luz branca alinhada com o campo magnético terrestre. Posteriormente, os raios de luz variáveis moveram-se de oeste para leste, assumindo tonalidades avermelhadas na parte inferior e esverdeadas na parte superior. Aparentemente, o fenômeno durou aproximadamente 40 minutos até desaparecer completamente.

Os pesquisadores dizem que devemos tomar cuidado com relatos desse tipo, já que existem fenômenos atmosféricos que podem enganar, mas há alguns indícios de que as observações de Emanuel foram reais. Primeiro, ele menciona que algumas nuvens passaram por baixo das auroras e, bom, ele sabia que o fenômeno teria a obrigação de ocorrer acima das nuvens devido a altitude. Em segundo lugar, o fenômeno surgiu da direção da inclinação da agulha magnética e gerou listras brancas na direção da fonte do campo.

Para deixar a observação ainda mais incontestável, o astrônomo ainda observou as auroras através de um espectrógrafo, que é uma espécie de aparelho capaz de dividir a luz e obter o espectro do que você está observando. Os espectros aurorais mostram linhas de emissão, enquanto os espectros de luzes solares refletidas mostram linhas de absorção e o astrônomo diz que encontrou evidências da primeira opção naquela noite.

Qual é a explicação?

Os pesquisadores chamam o fenômeno de “aurora esporádica” e parece que elas podem ocorrer mesmo em momentos de baixa atividade geomagnética. Aliás, a pesquisa ainda mostra que essa não é a primeira vez que auroras são relatadas no Rio de Janeiro. Há indícios de que o astrônomo português Sanches Dort teria avistado essas luzes no céu entre 1781 e 1788. Devem ter ocorrido em épocas de elevada atividade magnética, mas não há como afirmar com confiabilidade de que eram realmente auroras.

De qualquer forma, é muito legal imaginar que as auroras já puderam ser vistas aqui mesmo no Brasil. Hoje em dia, a poluição luminosa exagerada dificultaria a visão, mas que seria interessante ver algo assim, seria demais.

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