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Alimentação infantil: estudo explica por que escolhas saudáveis são tão difíceis para os pequenos

3 June 2026 at 19:10
Estudo mostra desafios na alimentação saudável infantil. (Foto: Getty Images via Canva)

Quando uma criança rejeita verduras, pede salgadinhos ou insiste em alimentos vistos na internet, muitas pessoas apontam imediatamente a família como responsável. No entanto, uma nova pesquisa mostra que a realidade é muito mais complexa. As escolhas alimentares das crianças são influenciadas por diversos fatores que vão além do que acontece dentro de casa.

O estudo Comportamento Alimentar: Percepções e Desafios da Alimentação Saudável, realizado pelo Instituto Pensi com famílias de diferentes regiões do Brasil, identificou que aspectos econômicos, sociais e culturais exercem forte impacto sobre aquilo que chega ao prato infantil.

Muito mais do que uma questão de informação

Um dos resultados mais interessantes da pesquisa é que a maioria das famílias sabe identificar o que constitui uma alimentação saudável. Alimentos como frutas, verduras, legumes, arroz, feijão e preparações caseiras são amplamente reconhecidos como opções benéficas.

Por outro lado, produtos como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados e fast food também são vistos como menos saudáveis.

O desafio, portanto, não está na falta de conhecimento. O que frequentemente dificulta a adoção de hábitos mais saudáveis são fatores como:

  • Preço dos alimentos
  • Tempo disponível para cozinhar
  • Carga de trabalho dos responsáveis
  • Facilidade de acesso aos produtos
  • Preferências das crianças
  • Influência da publicidade

Essa combinação cria um cenário em que a praticidade muitas vezes acaba prevalecendo sobre a intenção de oferecer refeições mais equilibradas.

O poder da publicidade e das telas

A pesquisa mostrou que muitas escolhas alimentares infantis são influenciadas por conteúdos vistos em celulares, tablets, televisão e redes sociais.

Esse resultado encontra respaldo em uma revisão sistemática publicada no JAMA Pediatrics, que analisou 96 estudos e encontrou associação entre a exposição ao marketing de alimentos e o aumento do consumo, da preferência e dos pedidos de compra por parte de crianças e adolescentes.

Em outras palavras, embalagens chamativas, personagens famosos e campanhas publicitárias podem influenciar diretamente aquilo que os pequenos desejam consumir.

Por que os ultraprocessados ganham espaço?

Os alimentos ultraprocessados apresentam características que favorecem sua presença na rotina das famílias. Eles costumam ser duráveis, prontos para consumo, amplamente disponíveis e, muitas vezes, mais práticos do que preparar refeições completas.

Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019) mostram que o consumo desses produtos já faz parte da rotina de grande parte das crianças brasileiras.

Além disso, um levantamento do UNICEF, publicado em 2026, apontou que metade das crianças avaliadas havia consumido algum ultraprocessado no lanche do dia anterior.

Embora sejam convenientes, esses produtos geralmente apresentam maiores quantidades de açúcar, sódio e gorduras, fatores associados ao aumento do risco de obesidade e outras doenças crônicas ao longo da vida.

A escola também molda hábitos alimentares

Outro ponto destacado pela pesquisa é o papel da escola na formação dos hábitos alimentares.

Além de fornecer refeições, o ambiente escolar influencia preferências, comportamentos e a relação das crianças com a comida. Por isso, iniciativas que priorizam alimentos in natura e minimamente processados podem contribuir para a construção de hábitos mais saudáveis desde os primeiros anos de vida.

O prato infantil reflete a sociedade

Os resultados indicam que a alimentação das crianças é resultado de uma rede complexa de influências. Renda familiar, disponibilidade de alimentos, rotina de trabalho, publicidade, ambiente escolar e acesso à informação atuam simultaneamente na construção dos hábitos alimentares.

Por isso, especialistas defendem que a promoção de uma alimentação saudável não deve recair exclusivamente sobre as famílias. O enfrentamento desse desafio exige ações coletivas que envolvam educação alimentar, ambientes mais saudáveis e maior acesso a alimentos nutritivos.

Milhões convivem com doença renal sem saber, aponta pesquisa 

3 June 2026 at 17:30
Doença renal já afeta quase 800 milhões de pessoas. (Foto: Pixelshot via Canva)

Uma condição que muitas vezes evolui sem sintomas evidentes está se tornando um dos maiores desafios da saúde global. A doença renal crônica já afeta centenas de milhões de pessoas e, segundo uma ampla análise internacional, seu impacto cresce em ritmo superior ao esperado pelos especialistas.

Publicado na revista científica The Lancet, o estudo liderado por Patrick B. Mark e colaboradores, em 2025, revelou que o número de pessoas vivendo com algum grau de comprometimento da função renal saltou de 378 milhões em 1990 para 788 milhões em 2023. O avanço foi tão expressivo que a doença passou a integrar, pela primeira vez, o grupo das 10 principais causas de morte no mundo.

Uma ameaça que costuma surgir sem sinais claros

Os rins exercem funções essenciais para o organismo. Eles filtram resíduos, eliminam toxinas e ajudam a controlar o equilíbrio de líquidos, minerais e pressão arterial.

O grande problema é que a doença renal crônica costuma evoluir silenciosamente.Nos estágios iniciais, a condição costuma evoluir sem sinais evidentes. Por isso, o diagnóstico frequentemente acontece apenas quando os danos já estão mais avançados.

De acordo com a análise publicada na The Lancet, cerca de 14% da população adulta mundial convive atualmente com a condição. Em 2023, aproximadamente 1,5 milhão de mortes foram atribuídas diretamente à doença.

Muito além dos rins

Embora o nome sugira um problema restrito ao sistema urinário, os impactos vão muito além.

Os pesquisadores observaram que a perda da função renal está fortemente associada a outras doenças graves, especialmente as cardiovasculares. A análise estimou que a disfunção renal contribui para cerca de 12% das mortes relacionadas ao coração e à circulação em todo o planeta.

Além disso, a doença renal crônica também figura entre as principais causas de incapacidade, reduzindo significativamente a qualidade de vida de milhões de pessoas.

Os fatores que mais aumentam o risco

O estudo identificou três fatores que se destacam como os principais impulsionadores do problema:

Diabetes e níveis elevados de glicose
Hipertensão arterial
Obesidade e excesso de peso

Essas condições podem danificar gradualmente os vasos sanguíneos dos rins, comprometendo sua capacidade de filtração ao longo dos anos.

Por esse motivo, controlar a pressão arterial, manter níveis adequados de glicose e adotar hábitos saudáveis são medidas importantes para proteger a saúde renal.

Diagnóstico precoce pode mudar o futuro

Uma das conclusões mais importantes da pesquisa é que grande parte dos pacientes ainda se encontra nos estágios iniciais da doença.

Isso representa uma oportunidade valiosa, porque a identificação precoce permite iniciar tratamentos capazes de retardar a progressão do quadro. Mudanças no estilo de vida, controle rigoroso dos fatores de risco e medicamentos modernos podem reduzir significativamente a chance de evolução para insuficiência renal avançada.

Avanços recentes na medicina têm mostrado que certos medicamentos usados para diabetes e problemas cardiovasculares também podem contribuir para preservar a função renal. 

Um desafio crescente para a saúde global

A pesquisa publicada na The Lancet, conduzida por Patrick B. Mark e colegas em 2025, mostra que a doença renal crônica deixou de ser um problema restrito aos casos que necessitam de diálise ou transplante.

Hoje, ela é reconhecida como uma condição comum, frequentemente silenciosa e intimamente ligada a algumas das principais causas de morte no mundo. Diante desse cenário, especialistas apontam que ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento pode ser decisivo para reduzir o impacto dessa doença nas próximas décadas.

Consumo de goiaba é associado à melhora importante da anemia 

3 June 2026 at 15:45
Estudo liga suco de goiaba à melhora da anemia. (Foto: Getty Images via Canva)

Uma fruta abundante em feiras, mercados e quintais brasileiros acaba de ganhar destaque em uma área importante da saúde pública. Uma análise científica divulgada em Nutrition, Prevention & Health apontou que pessoas que consumiam suco de goiaba regularmente apresentavam aumento nos níveis de hemoglobina. 

O achado chama atenção porque a anemia por deficiência de ferro continua sendo uma das carências nutricionais mais frequentes do mundo, afetando especialmente mulheres em idade fértil, gestantes e adolescentes. Embora a suplementação de ferro continue sendo uma das principais estratégias de tratamento, os resultados sugerem que a alimentação também pode desempenhar um papel importante nesse processo.

O que a pesquisa descobriu?

A revisão científica reuniu dados de 17 estudos realizados entre 2019 e 2024, envolvendo um total de 726 mulheres, incluindo adolescentes e gestantes.

A análise dos resultados mostrou que o consumo frequente de suco de goiaba esteve associado a um aumento médio de 1,71 g/dL nos níveis de hemoglobina. Entre as gestantes, o ganho observado foi ainda maior, chegando a 1,84 g/dL.

Publicada na revista Nutrition, Prevention & Health, a pesquisa indicou que a elevação observada nos níveis de hemoglobina tem relevância clínica, principalmente em casos de anemia leve a moderada. 

O segredo está na vitamina C

Grande parte desse efeito parece estar relacionada à impressionante concentração de vitamina C presente na goiaba.

Esse nutriente desempenha uma função essencial na absorção do ferro pelo organismo. Quando consumida junto de alimentos ricos em ferro, a vitamina C facilita a transformação do mineral em uma forma mais facilmente absorvida pelo intestino.

Por esse motivo, a fruta costuma ser consumida junto de alimentos ricos em ferro, como: 

• Feijão
• Lentilha
• Grão-de-bico
• Espinafre
• Couve
• Outras verduras verde-escuras

Essa associação pode aumentar a eficiência do aproveitamento do ferro presente na alimentação.

Benefícios que vão além da absorção do ferro

A goiaba também oferece outros nutrientes importantes para a produção das células sanguíneas.

Entre eles estão:

Ácido fólico (vitamina B9)
Carotenoides
Flavonoides
Polifenóis

Esses compostos ajudam a combater o estresse oxidativo e contribuem para a proteção dos glóbulos vermelhos, favorecendo o funcionamento saudável do organismo.

Além disso, a fruta possui fibras, que colaboram para a saúde intestinal e para uma alimentação mais equilibrada.

Anemia é um problema especialmente comum entre mulheres

A falta de ferro no organismo é uma condição que atinge milhões de mulheres globalmente. Durante a gestação, por exemplo, as necessidades nutricionais aumentam significativamente devido ao crescimento do bebê e à expansão do volume sanguíneo materno.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os critérios atualizados em 2025 consideram anemia gestacional quando os níveis de hemoglobina ficam abaixo de 11 g/dL.

Além da gravidez, fatores como menstruação intensa, alimentação inadequada e dificuldades na absorção de nutrientes também contribuem para o desenvolvimento da condição.

Aliada, mas não substituta 

Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores alertam que a goiaba não deve ser encarada como substituta do tratamento médico convencional.

A revisão identificou diferenças entre os estudos analisados, incluindo quantidades variadas de suco consumidas e períodos distintos de acompanhamento. Por esse motivo, ainda são necessárias pesquisas mais robustas para determinar a dose ideal e confirmar os benefícios em diferentes populações.

Ainda assim, os resultados publicados na Nutrition, Prevention & Health sugerem que a goiaba pode contribuir para estratégias alimentares destinadas à prevenção e ao controle da anemia por deficiência de ferro, sobretudo em locais onde a fruta é abundante e de baixo custo. 

Por que tantas mulheres ainda morrem durante a gravidez no Brasil?

3 June 2026 at 13:15
Maioria das mortes maternas ainda é evitável. (Foto: TrueCreatives via Canva)

A gravidez e o parto representam momentos marcantes na vida de milhões de mulheres. No entanto, para muitas famílias brasileiras, esse período ainda pode terminar de forma trágica. Apesar dos avanços da medicina e da ampliação do acesso aos serviços de saúde, o país continua registrando um número preocupante de mortes relacionadas à gestação, ao parto e ao pós-parto.

Dados mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus) mostram que, em 2024, o Brasil registrou 1.347 mortes maternas, o equivalente a 56,4 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos. O índice permanece distante da meta nacional, que busca reduzir esse número para 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030.

Um problema que, na maioria dos casos, pode ser evitado

A mortalidade materna é considerada um importante indicador da qualidade da assistência à saúde. Segundo estimativas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), cerca de 90% dessas mortes poderiam ser prevenidas com diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e atendimento rápido diante de complicações.

Grande parte dos óbitos está relacionada às chamadas causas obstétricas diretas, que surgem durante a gestação, o parto ou o puerpério. Entre os principais fatores estão:

Síndromes hipertensivas da gravidez
Hemorragias obstétricas
Infecções após o parto
Complicações relacionadas ao aborto

Juntas, essas condições representam a maioria das mortes maternas registradas no país.

O pré-natal faz diferença nos desfechos

Especialistas apontam que um dos instrumentos mais importantes para reduzir os riscos é o pré-natal realizado de forma precoce e contínua.

Durante as consultas, os profissionais conseguem identificar fatores de risco, acompanhar a evolução da gestação e orientar medidas capazes de prevenir complicações futuras.

Doenças como hipertensão arterial, diabetes gestacional, obesidade e outras condições clínicas podem ser monitoradas com maior segurança quando diagnosticadas ainda nos primeiros meses da gravidez.

Além disso, exames periódicos ajudam a detectar alterações que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes.

O pós-parto exige atenção redobrada

Muitas pessoas acreditam que os riscos terminam após o nascimento do bebê. No entanto, o período conhecido como puerpério, que corresponde às semanas seguintes ao parto, continua sendo uma fase crítica para a saúde materna.

Nessa etapa, algumas complicações podem surgir ou se agravar rapidamente. Por isso, especialistas alertam para sinais que exigem avaliação médica imediata:

Sangramento excessivo
Febre persistente
Falta de ar
Dor no peito
Dor de cabeça intensa
Alterações visuais
Pressão arterial elevada

A recomendação é que a mulher mantenha o acompanhamento médico logo após a alta hospitalar, especialmente nos primeiros dias após o parto.

Saúde mental também salva vidas

Outro aspecto que vem ganhando destaque é a saúde mental materna. O sofrimento psicológico após o nascimento do bebê nem sempre recebe a atenção necessária, mas pode trazer consequências importantes.

Sintomas como tristeza intensa, ansiedade persistente, insônia, exaustão extrema e dificuldade de criar vínculo com o recém-nascido merecem avaliação profissional. Em situações mais graves, podem surgir comportamentos de risco que exigem intervenção imediata.

Caminho para reduzir as mortes

A redução da mortalidade materna depende de uma combinação de fatores, incluindo acesso ao pré-natal, equipes multiprofissionais qualificadas, assistência adequada durante o parto e acompanhamento no pós-parto.

Embora o Brasil tenha avançado nas últimas décadas, os números mostram que ainda existe um longo caminho pela frente. Como a maioria dessas mortes é considerada evitável, ampliar o acesso a cuidados de qualidade continua sendo uma das estratégias mais importantes para proteger a vida das mães e garantir uma gestação mais segura.

Sem vacina e sem tratamento: o desafio da nova cepa do ebola 

3 June 2026 at 10:30
Pesquisadores aceleram busca por vacina contra ebola. (Foto: Getty Images via Canva)

A volta do ebola ao centro das preocupações globais trouxe um problema que ainda desafia a ciência. Sem vacina aprovada e sem tratamento específico disponível, a cepa Bundibugyo do vírus voltou a mobilizar pesquisadores, autoridades sanitárias e instituições internacionais em uma corrida contra o tempo. Enquanto surtos recentes preocupam especialistas, a falta de ferramentas direcionadas para combater essa variante expõe uma vulnerabilidade importante no enfrentamento da doença.

Embora o nome ebola seja amplamente conhecido, muitas pessoas não sabem que existem diferentes espécies do vírus. Algumas delas já contam com vacinas licenciadas e tratamentos desenvolvidos ao longo dos últimos anos. No entanto, esse não é o caso da cepa Bundibugyo, que permanece sem opções específicas aprovadas para prevenção ou tratamento.

Por que esta variante ainda não conta com proteção específica?

Uma das principais razões está relacionada ao histórico da própria doença. A cepa Bundibugyo é considerada mais rara quando comparada à variante Zaire, responsável pelos surtos mais conhecidos e por algumas das epidemias mais graves já registradas.

Como houve menos ocorrências ao longo dos anos, o volume de pesquisas também foi menor. Consequentemente, os investimentos científicos e os estudos clínicos avançaram em ritmo mais lento.

Além disso, vacinas desenvolvidas para uma espécie do ebola não oferecem proteção automática contra todas as demais variantes. Cada uma apresenta características biológicas próprias, exigindo pesquisas específicas para comprovar segurança e eficácia.

A ausência de tratamento amplia o desafio

O problema não se limita à falta de vacinas. Até o momento, também não existe um medicamento aprovado especificamente para combater a doença causada pela cepa Bundibugyo.

Os tratamentos modernos baseados em anticorpos monoclonais, que demonstraram resultados importantes contra a cepa Zaire, ainda não tiveram eficácia confirmada para essa variante.

Por esse motivo, os profissionais de saúde concentram os esforços em terapias de suporte destinadas a aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes. Entre os cuidados mais utilizados estão:

Reposição de líquidos e eletrólitos
Monitoramento cardíaco e laboratorial
Suporte respiratório quando necessário
Monitoramento dos sintomas e prevenção de consequências mais graves 

Essas medidas não eliminam o vírus, mas ajudam o organismo a enfrentar os efeitos da infecção.

Diagnosticar rapidamente virou uma prioridade

Outro obstáculo importante é o diagnóstico. A confirmação dos casos depende de testes laboratoriais específicos capazes de identificar a cepa Bundibugyo.

Em regiões afetadas pelos surtos, a disponibilidade desses exames ainda é limitada. Como resultado, a identificação dos infectados pode demorar, dificultando o rastreamento de contatos e o isolamento dos pacientes.

Essa situação aumenta o risco de disseminação do vírus e torna o controle do surto mais complexo.

Vacinas experimentais trazem esperança

Apesar das dificuldades, pesquisadores têm acelerado o desenvolvimento de novas estratégias de combate à doença.

Entre as candidatas mais avançadas está a vacina ChAdOx1 BDBV, criada pela University of Oxford em parceria com o Serum Institute of India. A tecnologia empregada é semelhante à utilizada no imunizante Oxford/AstraZeneca durante a pandemia. 

Além dela, outras vacinas experimentais também estão sendo avaliadas. Paralelamente, cientistas investigam antivirais e terapias baseadas em anticorpos para verificar se podem oferecer proteção contra a variante Bundibugyo.

Entre os medicamentos estudados estão o remdesivir e o obeldesivir, que apresentaram resultados promissores em análises laboratoriais iniciais.

Uma corrida contra o tempo

Mesmo com os avanços recentes, especialistas alertam que o desenvolvimento de vacinas e tratamentos exige diversas etapas de avaliação antes de chegar à população.

Por isso, a cepa Bundibugyo continua sendo um dos maiores desafios atuais no combate ao ebola. Sem imunizantes aprovados e sem terapias específicas, o controle da doença depende principalmente da vigilância epidemiológica, do diagnóstico precoce e dos cuidados médicos de suporte.

Enquanto a ciência trabalha para preencher essa lacuna, o objetivo permanece o mesmo: impedir que uma variante ainda pouco conhecida se transforme em uma ameaça ainda maior para a saúde global.

Cigarros aromatizados podem estar atraindo uma nova geração de dependentes 

3 June 2026 at 04:30
Vapes atraem jovens, mas não são livres de riscos. (Foto: Adina Matasaru's Images via Canva)

Coloridos, perfumados e com sabores que lembram frutas, doces e bebidas famosas, os produtos de nicotina estão ganhando espaço entre adolescentes e jovens. O problema é que, por trás dessa aparência mais agradável, especialistas alertam para um risco que continua o mesmo: a dependência de nicotina e suas consequências para a saúde.

Nos últimos anos, a preocupação deixou de estar concentrada apenas nos cigarros tradicionais. Hoje, dispositivos eletrônicos para fumar, como vapes e pods, além de cigarros com aromas e sabores, passaram a ocupar o centro do debate sobre prevenção ao tabagismo. A principal razão é o potencial desses produtos de facilitar a experimentação e atrair novos consumidores ainda na adolescência.

A nova face da dependência de nicotina

Empresas do setor têm desenvolvido produtos projetados para tornar o consumo mais atrativo. Sabores doces, fragrâncias marcantes e apresentações visualmente atraentes podem fazer esses produtos parecerem menos nocivos, aumentando o interesse dos jovens. 

Essa estratégia preocupa autoridades de saúde porque a adolescência é um período marcado por curiosidade, busca por pertencimento social e maior exposição a tendências divulgadas nas redes sociais. Nesse contexto, produtos com sabores diferenciados podem funcionar como uma porta de entrada para o consumo regular de nicotina.

De acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) citados pelo INCA, cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem produtos derivados do tabaco nas Américas. Além disso, aproximadamente 2 milhões utilizam cigarros eletrônicos.

O impacto vai muito além do vício

O consumo de nicotina pode levar à dependência de forma relativamente rápida. Quando o consumo se torna frequente, o organismo passa a exigir doses regulares, dificultando a interrupção do hábito.

Além disso, o tabagismo continua associado a diversas doenças crônicas, incluindo:

Cânceres de diferentes tipos
Doenças cardiovasculares
Diabetes
Doenças respiratórias crônicas

Por esse motivo, a prevenção da iniciação ao consumo é considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir os danos causados pelo tabaco ao longo da vida.

Estudo questiona argumentos da indústria

O debate sobre os aditivos de sabor ganhou força após a publicação de um estudo na revista científica Tobacco Control, assinado por André Zsklo e colaboradores em 2026. Após analisar dados do setor, os pesquisadores observaram que uma quantidade expressiva de marcas registradas no país não utilizava os aditivos questionados na Justiça. 

Os resultados sugerem que a produção de cigarros sem aromas e sabores adicionais é tecnicamente viável, contrariando argumentos frequentemente apresentados pelo setor.

Por que os especialistas estão em alerta?

A preocupação atual não se limita aos cigarros convencionais. O mercado vem incorporando novas tecnologias, incluindo produtos com nicotina sintética e diferentes formulações que aumentam a atratividade entre os mais jovens.

Especialistas apontam que esses recursos podem ampliar o número de pessoas expostas à nicotina em uma fase da vida marcada pelo desenvolvimento cerebral e pela formação de hábitos duradouros.

Por isso, órgãos de saúde defendem medidas capazes de reduzir o apelo desses produtos e dificultar a iniciação ao consumo. O objetivo é evitar que sabores, aromas e estratégias de marketing transformem uma nova geração em dependentes de uma substância associada a graves impactos para a saúde pública.

Diante desse cenário, o alerta é claro: apesar da aparência moderna e dos sabores atrativos, produtos que contêm nicotina continuam apresentando riscos importantes, especialmente para adolescentes e jovens.

Sensação de inchaço constante pode ter relação com estes alimentos 

2 June 2026 at 23:40
Alguns alimentos podem aumentar o inchaço diário. (Foto: Aflo Images via Canva)

A sensação de roupa apertada, barriga estufada e corpo pesado pode surgir mesmo em pessoas que não ganharam peso recentemente. Em muitos casos, o problema está relacionado à retenção de líquidos, ao excesso de gases e a processos inflamatórios favorecidos pelos hábitos alimentares do dia a dia.

Embora não exista uma solução instantânea para eliminar o inchaço, alguns ajustes simples na alimentação costumam trazer resultados perceptíveis em poucos dias. O segredo está em identificar os alimentos que favorecem o acúmulo de líquidos e dificultam o funcionamento adequado do organismo.

O excesso de sal está ligado ao inchaço 

Quando o assunto é inchaço, o sódio em excesso aparece entre os maiores vilões. O motivo é que o sódio interfere no controle da quantidade de líquidos no corpo. Quando consumido em grandes quantidades, o organismo tende a reter mais água.

Os alimentos que mais concentram sódio geralmente são os ultraprocessados, como:

• Embutidos e carnes processadas
• Macarrão instantâneo
• Salgadinhos industrializados
• Molhos prontos
• Temperos industrializados
• Sopas instantâneas

Além disso, muitos produtos considerados “práticos” escondem quantidades elevadas de sal, mesmo quando não apresentam sabor excessivamente salgado.

Açúcar em excesso também pode favorecer o desconforto

Muitas pessoas associam o inchaço apenas ao sal, mas o consumo frequente de açúcares adicionados também merece atenção.

Dietas ricas em doces, refrigerantes, biscoitos recheados e sobremesas industrializadas podem contribuir para alterações metabólicas que favorecem inflamação e retenção de líquidos. Além disso, o excesso de açúcar pode impactar negativamente a microbiota intestinal, aumentando episódios de gases e distensão abdominal.

Bebidas alcoólicas podem piorar a retenção de líquidos

Apesar de inicialmente aumentarem a eliminação de líquidos pela urina, as bebidas alcoólicas podem provocar um efeito contrário nas horas seguintes.

O álcool favorece a desidratação, levando o organismo a ativar mecanismos de compensação que contribuem para a retenção hídrica. Como consequência, muitas pessoas acordam com sensação de rosto inchado, mãos mais volumosas e desconforto abdominal após episódios de consumo excessivo.

Alguns alimentos podem causar estufamento em pessoas sensíveis

Nem todo inchaço está relacionado à retenção de líquidos. Em muitos casos, a sensação de barriga aumentada ocorre devido à formação de gases ou à digestão mais lenta.

Dependendo da tolerância individual, alguns alimentos podem contribuir para esse quadro, como:

• Laticínios podem causar desconforto em pessoas com intolerância à lactose
• Preparações muito gordurosas
• Refrigerantes e bebidas gaseificadas
• Excesso de farinha branca e produtos refinados

Por isso, observar a resposta do próprio organismo após as refeições pode ajudar a identificar possíveis gatilhos.

O que colocar no prato para ajudar o corpo a desinchar

Tão importante quanto reduzir determinados alimentos é aumentar o consumo daqueles que ajudam o organismo a funcionar melhor.

Entre os principais aliados estão:

Água, fundamental para regular o equilíbrio dos líquidos corporais
Frutas ricas em potássio, como banana, melão e mamão
Vegetais in natura, ricos em vitaminas e minerais necessários ao organismo
Fontes de fibras que contribuem para a regularidade intestinal
Legumes e verduras variados, que auxiliam na saúde digestiva

Além disso, manter uma rotina de atividade física e evitar longos períodos sentado pode contribuir para reduzir a sensação de inchaço ao longo do dia.

Pequenas mudanças costumam fazer grande diferença

O inchaço corporal nem sempre está ligado ao ganho de gordura. Frequentemente, ele reflete hábitos alimentares que favorecem a retenção de líquidos, a inflamação e o desconforto digestivo.

Por isso, diminuir o consumo de ultraprocessados, controlar o excesso de sal e açúcar, moderar bebidas alcoólicas e priorizar alimentos naturais são medidas que podem melhorar significativamente a sensação de leveza e bem-estar. Em muitos casos, pequenas mudanças na rotina já são suficientes para perceber resultados em poucos dias.

Risco de AVC cresce no mundo e leva OMS a lançar novo alerta 

2 June 2026 at 21:50
Uma em cada quatro pessoas pode ter um AVC. (Foto: Getty Images via Canva)

Uma condição capaz de mudar a vida em poucos minutos acaba de ganhar atenção especial das autoridades internacionais de saúde. O acidente vascular cerebral (AVC) foi colocado entre as prioridades globais pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que defende ações mais amplas para reduzir o número de mortes e sequelas provocadas pela doença.

A preocupação é sustentada por números expressivos. Nas últimas duas décadas, a probabilidade de uma pessoa sofrer um AVC ao longo da vida aumentou significativamente. Diante desse cenário, especialistas alertam que a prevenção e o reconhecimento rápido dos sintomas podem ser decisivos para salvar vidas e preservar funções cerebrais.

Uma doença que continua avançando silenciosamente

Muitas pessoas associam o AVC apenas a idosos, mas a realidade é mais ampla. Estimativas atuais indicam que cerca de 25% dos adultos poderão sofrer um AVC ao longo da vida.

Dados globais apontam que o AVC esteve relacionado a milhões de casos em 2021, consolidando-se entre as principais causas de incapacidade e mortalidade no planeta. Esse crescimento tem mobilizado governos, hospitais e organizações de saúde em busca de estratégias mais eficientes para reduzir seu impacto.

Além das consequências imediatas, o AVC frequentemente gera limitações físicas, cognitivas e emocionais que podem acompanhar o paciente por muitos anos.

O que acontece quando o cérebro deixa de receber sangue?

Para desempenhar suas funções corretamente, o cérebro precisa receber oxigênio e nutrientes de forma constante. Quando esse suprimento é interrompido, células cerebrais começam a sofrer danos em questão de minutos.

Existem duas formas principais da doença:

  • AVC isquêmico, causado pelo bloqueio da circulação sanguínea.
  • AVC hemorrágico, provocado pelo rompimento de um vaso cerebral.

Independentemente da causa, a rapidez no atendimento influencia diretamente as chances de recuperação.

Sinais que exigem ação imediata

Reconhecer os sintomas precocemente pode reduzir complicações graves.

Entre os principais sinais estão:

  • Fraqueza repentina em um lado do corpo
  • Dificuldade para falar
  • Alterações súbitas da visão
  • Perda de equilíbrio
  • Dormência em braços, pernas ou rosto
  • Confusão mental inesperada

Ao perceber qualquer um desses sintomas, a recomendação é procurar assistência médica sem demora.

A recuperação vai muito além da emergência

O tratamento do AVC não termina quando o paciente deixa a unidade de emergência. Em muitos casos, a fase de recuperação exige acompanhamento especializado durante semanas ou meses.

O processo pode envolver:

  • Fisioterapia
  • Fonoaudiologia
  • Terapia ocupacional
  • Acompanhamento neurológico
  • Suporte psicológico

Esse cuidado contínuo busca restaurar funções perdidas e melhorar a autonomia do paciente nas atividades do dia a dia.

A prevenção ainda é a melhor estratégia

Embora o AVC seja uma condição grave, muitos fatores associados ao seu desenvolvimento podem ser controlados. Hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade, cigarro e falta de atividade física estão entre os fatores que podem aumentar o risco de AVC e que podem ser controlados. 

Por esse motivo, a resolução aprovada pela OMS destaca a necessidade de ampliar campanhas educativas, fortalecer os sistemas de saúde e investir em diagnóstico rápido e tratamento especializado.

À medida que o número de casos cresce em diferentes regiões do mundo, especialistas consideram que agir antes do surgimento da doença continua sendo a medida mais eficaz para reduzir mortes, sequelas e o impacto do AVC na população.

IA ajuda médicos a identificar tumores que poderiam passar despercebidos

2 June 2026 at 19:10
IA elevou em 13,8% a detecção de câncer de mama. (Foto: Canva)

A combinação entre inteligência artificial e mamografia pode representar um avanço importante no combate ao câncer de mama. Um estudo recente revelou que sistemas baseados em IA foram capazes de aumentar a detecção da doença sem elevar o número de exames que exigem nova avaliação, um dos principais desafios dos programas de rastreamento.

Os resultados chamam atenção porque o câncer de mama continua sendo uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres em todo o mundo. Nesse cenário, identificar tumores em estágios iniciais pode fazer toda a diferença para o sucesso do tratamento.

Tecnologia entra em cena para ampliar a detecção precoce

A pesquisa foi publicada em 2025 na revista Nature Communications e liderada por Yun-Woo Chang. O trabalho avaliou o uso de um sistema de detecção assistida por computador baseado em inteligência artificial durante exames de mamografia realizados em um programa nacional de rastreamento na Coreia do Sul.

Ao todo, os pesquisadores analisaram dados de 24.543 mulheres, acompanhando o desempenho de radiologistas que utilizaram a ferramenta de IA e daqueles que interpretaram os exames sem o auxílio da tecnologia.

O objetivo era verificar se a inteligência artificial conseguiria aumentar a identificação de tumores sem gerar um crescimento excessivo de resultados suspeitos que posteriormente se mostrariam falsos alarmes.

Resultado surpreende especialistas

Os dados mostraram que o uso da inteligência artificial elevou significativamente a capacidade de identificar casos de câncer de mama.

Segundo o estudo, os radiologistas que contaram com o suporte da IA detectaram 13,8% mais casos de câncer em comparação com aqueles que realizaram a análise convencional.

Um detalhe considerado especialmente relevante é que esse ganho ocorreu sem aumento significativo nas taxas de reconvocação, situação em que pacientes precisam retornar para novos exames após um resultado inicialmente suspeito.

Na prática, isso significa que a tecnologia conseguiu encontrar mais tumores sem provocar um crescimento expressivo de exames adicionais desnecessários.

Por que detectar o câncer mais cedo é tão importante?

O câncer de mama apresenta um dos melhores prognósticos quando descoberto em seus estágios iniciais. Quanto menor o tumor e menor sua disseminação, maiores costumam ser as chances de sucesso terapêutico.

A identificação precoce pode proporcionar benefícios como:

  • Maior possibilidade de cura
  • Tratamentos menos agressivos
  • Menor necessidade de cirurgias extensas
  • Melhor qualidade de vida
  • Redução de complicações futuras

Por esse motivo, especialistas consideram que tecnologias capazes de aumentar a sensibilidade dos exames podem ter impacto direto na saúde pública.

O futuro do rastreamento pode passar pela inteligência artificial

Embora a mamografia continue sendo o principal exame para rastreamento do câncer de mama, novas ferramentas digitais estão transformando a forma como os resultados são analisados.

A pesquisa publicada na Nature Communications, conduzida por Yun-Woo Chang em 2025, sugere que a inteligência artificial pode atuar como uma aliada dos profissionais de saúde, ajudando a identificar alterações que poderiam passar despercebidas durante a interpretação das imagens.

À medida que novas evidências científicas surgem, a tendência é que essas tecnologias sejam cada vez mais incorporadas aos programas de rastreamento, ampliando as oportunidades de diagnóstico precoce e contribuindo para salvar vidas.

O que é Ebola? Conheça os sintomas e como a doença se espalha 

2 June 2026 at 15:45
Sintomas do Ebola podem surgir até 21 dias depois. (Foto: Getty Images via Canva)

A investigação de casos suspeitos de Ebola no Brasil voltou a colocar a doença no centro das atenções. Embora as autoridades de saúde avaliem que o risco de transmissão no país seja baixo, o vírus continua despertando preocupação internacional devido ao seu potencial de causar quadros graves e apresentar elevada taxa de mortalidade em alguns surtos.

Os casos em análise envolvem viajantes que estiveram recentemente em países africanos com circulação da doença. O cenário também coincide com um novo surto registrado na África, o que levou órgãos de saúde a ampliar medidas de monitoramento e vigilância.

Mas afinal, o que é o Ebola e por que ele continua sendo uma das doenças infecciosas mais temidas do planeta?

Um vírus descoberto há quase 50 anos

O Ebola é uma doença causada por um vírus da família Filoviridae, identificado pela primeira vez em 1976 durante surtos registrados na atual República Democrática do Congo e no Sudão.

A doença recebeu esse nome em referência ao rio Ebola, situado nas proximidades de uma das regiões afetadas pelos primeiros surtos conhecidos. 

Desde então, diferentes surtos foram registrados principalmente em países africanos, variando em tamanho, gravidade e taxa de mortalidade.

Como o vírus chega aos seres humanos?

Os cientistas acreditam que morcegos frugívoros atuem como os principais reservatórios naturais do vírus.

A transmissão inicial para humanos pode ocorrer por meio do contato com animais infectados, incluindo:

  • Morcegos
  • Macacos
  • Outros mamíferos silvestres

Após atingir a população humana, o vírus pode se espalhar entre pessoas por meio do contato direto com fluidos corporais contaminados.

Como ocorre a transmissão do Ebola?

Diferentemente de infecções respiratórias, o Ebola não é transmitido pelo ar.

O contágio acontece principalmente pelo contato com:

  • Sangue
  • Saliva
  • Suor
  • Vômito
  • Urina
  • Fezes
  • Sêmen
  • Objetos contaminados por fluidos corporais

Esse padrão de transmissão ajuda a explicar por que surtos costumam ser controlados com medidas rápidas de isolamento e rastreamento de contatos.

Sintomas podem ser confundidos com outras doenças

Os primeiros sintomas do Ebola não são exclusivos da doença, o que pode dificultar sua identificação precoce. 

Os sintomas geralmente surgem entre 2 e 21 dias após a exposição ao vírus.

Entre os principais estão:

  • Febre alta
  • Dor de cabeça intensa
  • Dores musculares
  • Fraqueza
  • Dor de garganta
  • Diarreia
  • Vômitos
  • Dor abdominal

Por causa dessa semelhança com outras enfermidades, o diagnóstico não depende apenas dos sintomas. O histórico de viagem para áreas afetadas e possíveis exposições ao vírus também são analisados pelas equipes médicas.

O que reduz as chances de transmissão da doença no Brasil? 

Apesar da atenção gerada pelos casos suspeitos, especialistas apontam que o risco de transmissão no Brasil permanece reduzido.

Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão:

  • Ausência de transmissão local registrada na América do Sul
  • Necessidade de contato direto com fluidos corporais para ocorrer infecção
  • Monitoramento de viajantes vindos de áreas afetadas
  • Medidas específicas para isolamento e análise de casos em investigação 

Além disso, o Ministério da Saúde mantém planos de contingência voltados para doenças hemorrágicas virais, permitindo uma resposta rápida diante de possíveis ocorrências.

Vigilância continua sendo a principal ferramenta

Embora o Ebola continue sendo uma doença grave, os avanços na vigilância epidemiológica, nos exames laboratoriais e nos protocolos de biossegurança aumentaram significativamente a capacidade de resposta das autoridades de saúde.

Por isso, mesmo diante de suspeitas em investigação, o acompanhamento rigoroso de viajantes, a identificação precoce de sintomas e o isolamento imediato de casos continuam sendo as estratégias mais importantes para impedir a disseminação do vírus.

Ebola preocupa autoridades após OMS apontar mortalidade de até 50%

2 June 2026 at 04:30
Surto atual de Ebola mantém alta taxa de letalidade. (Foto: Getty Images via Canva)

O atual surto de Ebola na República Democrática do Congo voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde internacionais. Novas análises indicam que a doença continua apresentando um potencial devastador, com uma taxa de mortalidade que pode atingir níveis alarmantes entre os casos confirmados.

Embora o Ebola seja conhecido há décadas, cada novo surto desperta preocupação devido à rapidez com que a enfermidade pode evoluir e ao impacto que causa nas comunidades afetadas. Desta vez, os números divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram um cenário que exige vigilância constante e resposta rápida das equipes de saúde.

O que os dados mais recentes revelam?

Segundo a OMS, a taxa de mortalidade observada no surto atual está estimada entre 30% e 50% entre os casos confirmados. Em outras palavras, a doença continua sendo uma das infecções virais mais letais conhecidas.

Esse percentual significa que uma parcela significativa dos pacientes infectados pode não sobreviver à doença, especialmente em regiões onde o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento é limitado.

A atualização dos dados foi realizada com base nos casos confirmados até o momento, permitindo uma avaliação mais precisa da gravidade da situação.

Por que o Ebola é considerado tão perigoso?

O Ebola é uma doença viral grave que afeta múltiplos órgãos e sistemas do organismo. Após a infecção, os sintomas podem surgir entre 2 e 21 dias, dificultando a identificação imediata de alguns casos.

Os sinais iniciais costumam incluir:

  • Febre alta
  • Dor muscular
  • Fraqueza intensa
  • Dor de cabeça
  • Fadiga

À medida que a doença progride, podem surgir manifestações mais severas, como:

  • Diarreia
  • Vômitos
  • Dor abdominal
  • Sangramentos espontâneos
  • Comprometimento de órgãos vitais

Sem atendimento adequado, o risco de complicações aumenta significativamente.

Como ocorre a transmissão?

Diferentemente de infecções respiratórias, o Ebola não é transmitido pelo ar. O contágio acontece principalmente por meio do contato direto com fluidos corporais contaminados.

Entre eles estão:

  • Sangue
  • Vômito
  • Fezes
  • Urina
  • Saliva
  • Suor
  • Sêmen
  • Secreções corporais

O contato com objetos ou superfícies contaminadas também pode representar uma via de transmissão.

Outro fator importante é que a pessoa infectada geralmente se torna transmissora após o aparecimento dos sintomas, o que ajuda as autoridades sanitárias a identificar contatos e interromper cadeias de transmissão.

Nem todas as notícias são negativas

Apesar da gravidade do cenário, houve um avanço importante durante a resposta ao surto. A OMS registrou recentemente o primeiro caso confirmado de recuperação nesta ocorrência atual da doença.

O paciente recebeu alta após apresentar resultados negativos em testes laboratoriais realizados ao final do tratamento.

Embora um único caso recuperado não altere o panorama geral do surto, ele demonstra que a identificação precoce e o acompanhamento médico adequado podem aumentar as chances de sobrevivência.

Vigilância continua sendo essencial

O surto em andamento mostra que o Ebola permanece como um desafio relevante para a saúde global. Mesmo com avanços no diagnóstico, monitoramento e controle de surtos, a elevada mortalidade associada à doença mantém o vírus entre as maiores preocupações das autoridades sanitárias.

Enquanto as equipes de saúde seguem monitorando novos casos, a prioridade continua sendo ampliar a detecção precoce, interromper a transmissão e proteger as populações mais vulneráveis.

Primeira semaglutida nacional chega cercada de expectativas sobre preços e acesso 

1 June 2026 at 23:40
EMS promete preço menor que concorrentes. (Foto: Getty Images via Canva)

O lançamento da primeira semaglutida fabricada no Brasil avançou mais uma etapa importante. A EMS obteve a definição do valor máximo de fábrica para o Ozivy, um passo importante antes do início da comercialização no país. 

A expectativa em torno do produto é grande porque ele utiliza o mesmo princípio ativo presente em medicamentos amplamente conhecidos para o tratamento do diabetes tipo 2, como Ozempic e Wegovy. Além disso, a fabricante já sinalizou a intenção de comercializar a versão nacional com valores mais acessíveis, o que pode ampliar o acesso ao tratamento para muitos pacientes.

O que muda após a definição do preço?

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabeleceu o teto que poderá ser praticado pela indústria na venda do Ozivy.

Para as embalagens contendo uma caneta aplicadora, o valor máximo de fábrica foi fixado em R$ 803,44, sem considerar impostos. Já as apresentações com duas canetas tiveram o limite estabelecido em R$ 1.606,88.

Essa definição é importante porque representa uma das últimas etapas regulatórias antes da comercialização em larga escala. Com o teto aprovado, a EMS está autorizada a iniciar a distribuição do medicamento para farmácias e demais pontos de venda.

No entanto, é importante destacar que o preço pago pelo consumidor poderá ser diferente. O valor final costuma variar de acordo com impostos, descontos e estratégias comerciais adotadas pelas redes farmacêuticas.

De que forma a semaglutida brasileira age no corpo? 

O Ozivy contém semaglutida, substância pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses medicamentos atuam auxiliando o controle da glicemia e melhorando a resposta metabólica em pessoas com diabetes.

A aprovação concedida para o produto brasileiro contempla exclusivamente o tratamento de diabetes tipo 2.

Essa informação merece atenção porque muitas pessoas associam a semaglutida ao emagrecimento. Apesar da popularidade do princípio ativo para controle de peso, o Ozivy não possui autorização regulatória para indicação contra a obesidade neste momento.

Por que o medicamento desperta tanto interesse?

O interesse pela semaglutida cresceu de forma expressiva nos últimos anos, tanto entre profissionais de saúde quanto entre pacientes. Isso ocorreu principalmente devido aos resultados observados no controle glicêmico e ao crescente interesse por terapias capazes de auxiliar o manejo metabólico.

Entre os principais benefícios associados à substância estão:

  • Melhora do controle da glicose sanguínea
  • Auxílio no tratamento do diabetes tipo 2
  • Aplicação prática por meio de canetas injetáveis
  • Uso semanal em muitas apresentações

Com a chegada de uma versão nacional, cresce a expectativa de maior disponibilidade do tratamento no mercado brasileiro.

Preço menor pode ampliar o acesso ao tratamento

Embora o teto regulatório aprovado seja semelhante ao dos medicamentos importados que utilizam semaglutida, a EMS informou que pretende praticar preços aproximadamente 30% inferiores aos observados em produtos concorrentes.

Se a política de preços for confirmada após a chegada do produto ao mercado, muitos pacientes poderão encontrar uma opção mais acessível para o manejo da doença. 

A entrada do Ozivy marca um momento importante para a indústria farmacêutica nacional e pode aumentar a competitividade em um dos segmentos que mais cresceram nos últimos anos. Com a etapa regulatória concluída, o mercado aguarda o início da comercialização e a divulgação dos preços finais. 

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