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Pix corre risco? Entenda a nova ameaça de tarifas dos Estados Unidos

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre a importação de produtos de origem brasileira. A medida se baseia na conclusão de uma investigação comercial sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, que classifica políticas econômicas do Brasil como "irrazoáveis" e prejudiciais ao comércio dos EUA.

O relatório final, divulgado na segunda-feira (1º), estipula o prazo regulamentar até 15 de julho para a eventual aplicação de medidas corretivas.

Washington justifica a sanção a partir de reclamações contra o modelo regulatório do Pix, decisões judiciais contra plataformas digitais americanas — como Google, Meta e X —, acordos comerciais bilaterais com México e Índia, além de questionamentos sobre o combate à corrupção e o desmatamento ilegal.

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O Pix corre o risco de acabar ou ser taxado?

A contestação dos EUA contra o sistema de pagamentos instantâneos foca na centralização de funções pelo Banco Central (BC).

O relatório do USTR argumenta que o BC atua simultaneamente como órgão regulador e operador do Pix, criando vantagens artificiais que limitam a concorrência de provedores privados estrangeiros. O governo americano alega que as regras nacionais forçam a inclusão de grandes bancos e restringem as taxas cobradas por serviços concorrentes de pagamentos eletrônicos.

Apesar das sanções econômicas propostas, o arranjo do Pix não enfrenta ameaça de extinção ou taxação obrigatória em território nacional. O advogado e professor de Direito na Fundação Getulio Vargas, Jean Menezes de Aguiar, esclarece que o funcionamento do sistema financeiro instantâneo constitui uma decisão soberana do governo brasileiro, imune a interferências externas.

Em termos legais, a administração pública dos EUA carece de qualquer ingerência ou jurisdição para modificar decisões regulatórias internas do Brasil.

“Se o pix foi concebido para se funcionalizar por meio do Banco Central do Brasil, isso é decisão soberana do país que não diz respeito ao governo americano. Mesmo numa atualidade globalizada, o que sobra aos EUA é pressão e retaliação”, afirma Aguiar.

As consequências práticas da pressão diplomática ficam restritas a medidas punitivas executadas dentro do próprio território norte-americano. Dessa forma, empresas brasileiras com filiais operando nos EUA ou corporações nacionais que dependem de parcerias diretas com companhias americanas são as únicas expostas a sanções administrativas locais e perdas comerciais.

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Segundo o BC, em 2025, mais de 170 milhões de pessoas físicas utilizaram o Pix (Imagem: Reprodução/Bruno Peres/Agência Brasil)

O que muda para as Big Techs no mercado brasileiro?

Outro ponto de atrito diplomático listado na investigação comercial envolve ordens sigilosas de tribunais brasileiros direcionadas a plataformas de tecnologia como Google, Meta e X.

O documento do USTR reprova a determinação de remoção de conteúdos políticos e a suspensão de contas de usuários, alegando que multas financeiras severas e restrições de ativos bancários geram um ambiente de insegurança jurídica para os negócios de tecnologia.

A aplicação das penalidades propostas pelos EUA não altera as obrigações legais das Big Techs que optam por manter operações no Brasil.

Aguiar ressalta que o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) é fruto da atuação legítima do Poder Legislativo nacional, consistindo em um regramento constitucional e soberano. Toda empresa estrangeira que mantém atividades comerciais no país é obrigada a se submeter às leis e sentenças da Justiça brasileira, o que inclui a obrigatoriedade de indicar um gerente técnico residente no território nacional para responder pela companhia.

O governo americano não possui mecanismos jurídicos internacionais para isentar suas corporações privadas de cumprir diretrizes regulatórias locais em países democráticos. "Inexistem leis que dão ao governo americano a possibilidade de 'contribuir' ou influir em uma empresa privada, ainda que americana, no território brasileiro", aponta o professor.

Caso as subsidiárias de tecnologia se julguem prejudicadas por leis federais ou sanções administrativas, a única alternativa legal válida é acionar o próprio Poder Judiciário do Brasil para requerer a revisão de constitucionalidade dos atos administrativos.

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Donald Trump e Lula em encontro na 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Imagem: Reprodução/Palácio do Planalto)

Próximos passos e prazos das negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a fundamentação das restrições e apontou que os americanos acumulam vantagens financeiras substanciais no comércio bilateral de longo prazo. Ele informou que reuniões bilaterais realizadas na Casa Branca com o presidente Donald Trump no início de maio deram um prazo de 30 dias para discussões técnicas, mas as equipes de comércio não alcançaram um consenso.

A representação industrial brasileira manifestou preocupação com o impacto do imposto adicional sobre a cadeia de produção nacional. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou notas apontando que as exportações brasileiras da indústria de transformação para o mercado norte-americano sofreram retração de 4,2% em 2025, totalizando US$ 30,2 bilhões. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também avaliou que a proposta acarreta prejuízos severos para a competitividade comercial do país.

A instituição definitiva da sobretaxa de 25% depende da execução de consultas formais agendadas pelo USTR. O cronograma prevê o recebimento de manifestações e pedidos de participação em audiências públicas até o dia 22 de junho. O prazo para o envio de relatórios e comentários por escrito expira em 1º de julho, antecedendo a audiência oficial marcada para o dia 6 do mesmo mês.

O parecer final com as medidas corretivas será anunciado em 15 de julho.

Leia a matéria no Canaltech.

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Biometria palmar avança como alternativa antifraude no transporte público

O uso da biometria palmar avança como solução tecnológica de autenticação e prevenção de fraudes no transporte público brasileiro.

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Em entrevista ao Podcast Canaltech desta terça-feira (2), o CEO da Biostation, Leonardo Araújo, explicou que, por validar o padrão de veias sob a pele em menos de um segundo, o fluxo contínuo nas catracas é otimizado. "Uma vez que a biometria está mais focada no que você é e não no que você tem, você pode eliminar o celular por completo".

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O hardware projeta uma luz infravermelha que interage com as células desoxigenadas do sangue. Esse desenho vascular subcutâneo é único para cada indivíduo, incluindo gêmeos univitelinos.

A tecnologia mitiga prejuízos aos cofres públicos ao impedir que usuários repassem credenciais de benefícios tarifários para terceiros. Araújo contextualizou que o modelo elimina fricções diárias: "para você poder simplesmente ir do ponto A para o ponto B sem ter que depender de pegar o cartão ou celular".

Criptografia pós-quântica e privacidade

Para mitigar o receio de vazamento de dados permanentes, o sistema adota o conceito de privacy by design (privacidade por design, em inglês).

Os dados são protegidos por criptografia matematicamente irreversível e tecnologia pós-quântica (PQC), resistente a computadores quânticos. "Mesmo se um dia, por um acaso, alguma loucura da vida acontecer, que esses dados sejam vazados, eles seriam inutilizáveis".

O executivo apontou que, ao contrário do rosto — que é uma biometria exposta e vulnerável a fraudes por deepfakes —, o mapa venoso palmar fica oculto sob a pele e gera um modelo matemático incompreensível para humanos.

O principal gargalo para a expansão está no primeiro cadastro, que exige a presença do usuário diante do dispositivo para coletar o padrão venoso, impossível de capturar por fotos comuns.

De acordo com Araújo, a viabilidade em larga escala no Brasil esbarra em fatores culturais. "O problema não é infraestrutura tecnológica, é muito mais de letramento digital também". A consolidação nacional demanda a unificação e higienização das bases de dados de diferentes repartições públicas.

Leia a matéria no Canaltech.

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Dona do Claude está pronta para abrir capital; o que muda na prática?

A Anthropic, empresa criadora da família de modelos de inteligência artificial Claude, protocolou nesta segunda-feira (1º) um pedido confidencial de abertura de capital. A companhia deve viabilizar um IPO ainda em 2026, condicionado à conclusão da análise regulatória e às condições do mercado.

O protocolo foi feito poucos dias depois de a Anthropic fechar a rodada de financiamento de US$ 65 bilhões. O resultado elevou a avaliação da empresa para US$ 965 bilhões, superando a OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões por investidores privados em março.

O preço e a quantidade de ações da oferta ainda não foram definidos.

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O que é um IPO

IPO é a sigla para Initial Public Offering (Oferta Pública Inicial, em inglês). É o processo pelo qual uma empresa passa a ter suas ações negociadas em bolsa de valores, tornando-se acessível a qualquer investidor interessado.

Quando uma empresa opta por abrir capital, ela está buscando acelerar seus planos: expandir operações, investir em inovação, entrar em novos mercados ou até realizar aquisições. O IPO é uma forma de conseguir isso com capital próprio, sem recorrer a empréstimos ou financiamentos que geram endividamento.

Para chegar à bolsa, a empresa precisa apresentar ao regulador um prospecto detalhado com informações sobre saúde financeira, estrutura de governança, uso dos recursos e riscos do negócio. No caso da Anthropic, o documento foi protocolado de forma confidencial, prática permitida pela legislação americana.

O que muda para a empresa

Para Cláudio Carvajal, coordenador dos cursos de Administração e de Gestão de TI da FIAP, a abertura de capital representa uma mudança estrutural para a Anthropic. "Significa mais capacidade de investir em infraestrutura computacional, desenvolvimento de novos modelos, contratação de pesquisadores e expansão global", afirma.

A maior visibilidade junto ao mercado corporativo e a investidores institucionais é outro efeito esperado. Para Carvajal, porém, o movimento traz uma pressão nova. "A empresa passa a sofrer uma pressão muito maior por crescimento, rentabilidade e entrega de resultados trimestrais, algo que pode influenciar diretamente sua estratégia de negócios", avalia.

Com ações na bolsa, a Anthropic precisará publicar resultados financeiros com regularidade e manter uma estrutura de governança mais rígida. Cada decisão estratégica relevante passará a ser acompanhada de perto por acionistas e analistas.

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O Claude assumiu o topo das App Store americana em fevereiro (Imagem: Viviane França/Canaltech)

O que o usuário do Claude pode esperar

Um dos problemas recorrentes relatados por usuários do Claude é a instabilidade do serviço e o gasto elevado de tokens. Para Carvajal, o IPO não resolve esses problemas diretamente.

"O IPO, por si só, não resolve problemas técnicos ou operacionais. Porém, ele pode fornecer os recursos necessários para que a empresa invista fortemente em infraestrutura, otimização de modelos, novos data centers e eficiência computacional", avalia.

Para quem usa o Claude hoje, Carvajal traça uma perspectiva em etapas. "No curto prazo, os usuários podem esperar melhorias graduais em desempenho, disponibilidade e velocidade de resposta. Já no médio e longo prazo, a tendência é que a Anthropic busque reduzir custos operacionais, melhorar a eficiência dos modelos e oferecer serviços mais robustos para empresas e consumidores", projeta.

Um indicativo concreto dessa aposta em infraestrutura é o acordo firmado no mês passado com a SpaceX para uso do data center Colossus 1, em Memphis, no Tennessee. Os pagamentos são de US$ 1,25 bilhão por mês até maio de 2029, segundo o prospecto da SpaceX.

Receita crescendo e expectativa de lucro

O crescimento recente da Anthropic dá sustentação ao calendário de abertura de capital. Segundo dados divulgados pela própria empresa em maio, a taxa de execução de receita saltou de US$ 10 bilhões anuais em 2025 para US$ 47 bilhões em 2026.

A companhia comunicou a investidores que espera registrar lucro no primeiro semestre deste ano, o que a diferencia de OpenAI e SpaceX, ambas candidatas ao IPO em 2026, mas ainda sem resultado positivo.

Parte desse crescimento é atribuída ao Claude Code, assistente de programação da empresa, e ao lançamento do Claude Mythos Preview, modelo que atraiu atenção pelo desempenho em cibersegurança.

Em fevereiro, o Claude chegou ao primeiro lugar no ranking de aplicativos gratuitos mais baixados nos Estados Unidos na App Store da Apple.

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A OpenAI deixou oficialmente de ser uma empresa sem fins lucrativos visando um possível IPO (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

Corrida de IA nos mercados de capitais

O movimento da Anthropic acontece em um momento em que outras gigantes de IA também se preparam para abrir capital, como a OpenAI. Sair na frente tem um valor estratégico claro, segundo Carvajal.

"Existe um efeito de captura de capital. Muitos fundos institucionais possuem recursos limitados para exposição a determinados setores e podem direcionar parte significativa de seus investimentos para a primeira companhia que oferecer acesso ao mercado público de IA em larga escala", afirma.

O professor pondera, no entanto, que a vantagem pode ser passageira. "Mais do que uma vitória definitiva, a abertura de capital antes da OpenAI pode ser vista como uma vantagem temporária na disputa por investidores, visibilidade e liderança de mercado. A competição entre as duas empresas ainda deve continuar intensa pelos próximos anos", avalia.

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Instagram corrige falha no Android que deixava fotos ruins

O Google anunciou uma parceria com a Meta para otimizar o processamento de imagens e vídeos do Instagram em dispositivos Android. A mudança, integrada ao futuro sistema operacional Android 17, visa resolver o problema histórico de compressão de mídia que reduzia a qualidade das publicações feitas pela plataforma da Meta.

A nova arquitetura permite que o aplicativo acesse diretamente os recursos de fotografia computacional do sistema.

Fim da perda de qualidade por fragmentação

O ecossistema Android lida com centenas de modelos diferentes de smartphones, o que levava desenvolvedores de redes sociais a adotarem caminhos genéricos de captura, resultando em imagens comprimidas no Reels e nos Stories.

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Embora os aparelhos topo de linha possuam sensores avançados de até 200 megapixels, o ganho de hardware era anulado ao abrir a câmera interna do aplicativo de terceiros.

Com a atualização do Android 17, que está em fase final de testes beta, o Instagram passa a contar com suporte integrado à câmera nativa. Essa mudança repete e amplia uma estratégia iniciada pela Samsung em 2024 com o Galaxy S24, quando a fabricante sul-coreana implementou uploads em HDR nativo nas redes da Meta.

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O Samsung Galaxy S26 Ultra é um exemplo de celular com Android e câmera principal de 200 MP (Imagem: Gabriel Furlan Batista/Canaltech)

Recursos de captura avançada

A integração direta do fluxo de captura traz melhorias práticas para a produção de conteúdo dentro do Instagram:

  • Ultra HDR: suporte completo para a captura e a reprodução de mídias com cores mais vivas diretamente no feed;
  • Estabilização de vídeo: utilização do sistema mecânico e digital do próprio celular para evitar trepidações em vlogs feitos em movimento;
  • Modo Noturno (Night Sight): processamento de imagens em baixa luminosidade diretamente na câmera do aplicativo social.

Testes internos realizados pelo Google utilizando o modelo de Qualidade Universal de Vídeo (UVQ) apontam que os vídeos gravados e enviados a partir de celulares flagships com Android obtiveram pontuação igual ou superior à do principal concorrente de mercado, os iPhones.

Edição nativa com inteligência artificial

As otimizações do ecossistema também alcançam o pós-processamento por meio do aplicativo Edits do Instagram, que receberá funções exclusivas executadas de forma local por inteligência artificial em celulares Android.

O recurso Smart Enhance permitirá fazer o upscale de fotos e vídeos com apenas um toque na tela. Já a ferramenta de Separação de Som identificará faixas de áudio distintas para isolar ruídos como vento e barulhos de fundo, preservando a voz do usuário.

Outro novo recurso, que ainda não chegou para todos os usuários de Android, é o teleprompter nos Reels do Instagram. O anúncio foi feito pelo chefe da plataforma, Adam Mosseri, na última quinta-feira (28).

Leia a matéria no Canaltech.

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