A crise das memórias está cobrando a conta, e ela ser ainda mais salgada para quem pretende comprar um PC ou notebook novo em 2026. Segundo a IDC, o mercado global de computadores deve encolher 11,3% neste ano, com uma piora ainda mais forte no último trimestre: queda de 20% em relação ao mesmo período do ano passado.
O motivo é simples, mas preocupante: falta memória, falta componente e sobra pressão nos preços. E, de acordo com a própria IDC, não há previsão de alívio significativo antes do fim de 2027.
A alta de preços no pior momento
O primeiro trimestre de 2026 até passou uma impressão positiva, com crescimento de 3% nas vendas. Mas, na prática, esse avanço foi uma espécie de “falsa largada”. Consumidores e empresas anteciparam compras justamente com medo de notebooks mais caros e menos disponibilidade de configurações nos próximos meses.
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Agora, a conta começa a aparecer. A IDC prevê alta média de 17% no preço dos PCs em 2026, enquanto a TrendForce traça um cenário ainda mais apocalíptico para os notebooks: modelos convencionais podem ficar quase 40% mais caros se a alta de memórias e processadores continuar sendo repassada ao consumidor.
Previsão da IDC é que mercado de PCs só apresente melhorias a partir de 2028 (Imagem: Reprodução/IDC)
E aqui não estamos falando só de “mercado” ou planilha de analista. Estamos falando de memória RAM, SSD e CPU, justamente os principais componentes de qualquer notebook. Segundo a TrendForce, memória RAM e armazenamento, que normalmente representam cerca de 15% do custo de componentes de um laptop, já ultrapassam 30%. Somando isso ao aumento dos processadores, essa fatia pode chegar a 58% do custo total da máquina.
Em outras palavras: ou as fabricantes aumentam preços, ou cortam especificações, ou espremem margens. Nenhuma das três opções é boa para quem está procurando um notebook novo.
O segmento de entrada virou campo de guerra
A pressão é ainda maior nos segmentos de entrada e intermediário, onde cada dólar no custo de produção faz diferença. A Intel, por exemplo, já reajustou em mais de 15% alguns processadores de entrada e de gerações anteriores, além de preparar novos aumentos para plataformas mainstream.
A situação também começa a respingar na disponibilidade. Com a demanda por IA puxando capacidade de produção e empacotamento avançado para chips de alto desempenho, processadores mais simples estão perdendo prioridade. Até plataformas de entrada da AMD, que vinham sendo uma alternativa mais competitiva, já aparecem no radar de possíveis restrições.
É nesse cenário de terra arrasada que surge um protagonista improvável: o MacBook Neo.
Em um mercado em crise, o MacBook Neo surge como protagonista improvável e "salvador da pátria" (Imagem: Gabriel Furlan Batista/Canaltech)
MacBook Neo: o “baratinho” da Apple que ninguém esperava
Parece piada, mas não é: a Apple, empresa que nunca foi sinônimo de custo-benefício, hoje aparece como uma das forças mais competitivas no mercado de notebooks acessíveis.
Lançado em março deste ano por US$ 599, o MacBook Neo combina chip A18 Pro, 8 GB de memória e macOS em um pacote voltado para o segmento abaixo dos US$ 700. Esse mercado movimenta cerca de 75 milhões de unidades por ano e representa quase 40% de todo o volume global de notebooks — uma faixa historicamente dominada por laptops Windows e ChromeOS.
A diferença é que, enquanto muitos fabricantes tradicionais precisam decidir entre aumentar preços ou capar configurações, a Apple está usando sua integração vertical como vantagem. O MacBook Neo não é uma máquina para power users, gamers ou criadores profissionais, mas entrega o que boa parte do público realmente procura: acabamento decente, boa autonomia, desempenho suficientee acesso ao ecossistema Apple por um preço menos assustador.
Para quem só quer estudar, trabalhar, navegar, fazer chamadas de vídeo e editar documentos, isso pode ser mais atraente do que um notebook Windows de entrada ficando mais caro e, em alguns casos, pior equipado.
Rivais vão ter de reagir
A própria IDC admite que o MacBook Neo está “pressionando todo o ecossistema de PCs”. A expectativa é que fabricantes respondam com novos chips, notebooks mais eficientes com Windows e promoções mais agressivas para manter modelos baratos minimamente competitivos.
Apesar de já estarmos vendo algumas iniciativas, até mesmo da Dell, que está reposicionando o XPS para se tornar um competidor do MacBook Neo, isso não acontece do dia para a noite. Desenvolver plataformas mais eficientes, otimizar sistema operacional e negociar componentes em meio a uma crise global de memória leva tempo. Até lá, a Apple pode ocupar um espaço que, por anos, parecia improvável: o de opção racional para quem quer gastar pouco.
E isso, por si só, é extremamente curioso e uma prova de que o mercado está mudando. A Apple não precisou transformar o MacBook Neo em um monstro de desempenho. Ela só precisava acertar o básico no momento em que o restante do mercado começou a tropeçar em preço, disponibilidade e eficiência.
Apple salvadora? Calma aí
Isso não significa que o MacBook Neo vai resolver a crise dos PCs. A própria IDC deixa claro que a trajetória geral dos preços continua para cima, mesmo com a expansão da capacidade de memória nos próximos anos. Ou seja: o Neo ajuda a absorver parte da pancada no segmento de entrada, mas não muda sozinho os rumos da indústria.
Ainda assim, o recado para Intel, AMD, Microsoft e fabricantes de notebooks é claro. Em um momento em que o consumidor está mais sensível a preço e mais exigente com eficiência, não basta empilhar especificações na ficha técnica. É preciso entregar valor aliado à aplicabilidade real.
E, ironicamente, quem está dando essa aula agora é justamente a Apple.
A ASUS aproveitou a Computex 2026 para comemorar os 20 anos de existência da Republic of Gamers, sua famosa marca voltada para gamers e entusiastas de hardware, com um lineup especial e limitado batizado de ROG Edition 20.
Mais do que apenas uma série comemorativa com visual diferenciado, os novos produtos representam o “início de um novo capítulo” para a ROG. Durante a apresentação em Taiwan, a ASUS reforçou que a marca entra em sua terceira década apostando em performance extrema, design integrado, tecnologias de refrigeração mais avançadas e experiências cada vez mais conectadas entre hardware, software e inteligência artificial.
Ou seja, a nova linha Edition 20 vai muito além de placas-mãe e placas de vídeo. A ASUS preparou uma coleção completa que inclui componentes para PCs de altíssimo desempenho, desktops prontos, NUC gamer, monitores OLED, roteador Wi-Fi 7, periféricos, cadeira gamer, mochila, mala, colecionáveis e até um jogo de tabuleiro.
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Com isso, a ROG deixa claro que não quer apenas vender peças comemorativas. A ideia é transformar os 20 anos da marca em um ecossistema completo para quem quer montar — ou exibir — um setup gamer de ponta.
Componentes para PCs extremos
O grande destaque para entusiastas é a ROG Crosshair X870E Edition 20, uma placa-mãe topo de linha que resume bem a proposta da coleção: desempenho extremo, visual de vitrine e integração profunda com outros produtos da marca.
O modelo traz um sistema de refrigeração líquida integrado baseado na solução ROG Ryujin Edition 20, com bloco de cobre em largura total para resfriar simultaneamente CPU e VRM. A bomba é uma Asetek EMMA Gen10 V3Rx, combinada a uma cold plate de cobre com microcanais para melhorar a transferência de calor e reduzir ruído.
Nível de customização da ROG Crosshair X870E Edition 20 é tão insano que ela precisa de resfriamento próprio (Imagem: Reprodução/ASUS)
A placa também vem com um robusto sistema de alimentação de 24+2+2 fases, dissipadores de cobre e suporte a até nove SSDs M.2, característica que deve interessar bastante quem monta máquinas para jogos, criação de conteúdo e armazenamento pesado. Outro detalhe chamativo é a presença de uma tela AMOLED dupla de 6,67 polegadas, que pode sincronizar informações visuais com placas de vídeo Edition 20 por meio do Advanced ASUS InfoHub.
A placa de vídeo da coleção é nada menos que a ROG Astral GeForce RTX 5090 Edition 20. Como já era de se esperar de uma GPU comemorativa da ROG, o foco não está só no desempenho bruto, mas também na construção e no visual. A placa traz uma tela AMOLED curva capaz de exibir animações em 3D, dados de hardware em tempo real e elementos personalizados do sistema.
No resfriamento, a ASUS aposta em um sistema de quatro ventoinhas, câmara de vapor e composto de metal líquido na GPU. Segundo a fabricante, esse conjunto entrega até 20% mais fluxo e pressão de ar. A placa também foi pensada para configurações extremas de energia, podendo consumir até 800 W com alimentação dupla por meio de adaptador GC-HPWR destacável.
Completando a linha de componentes, a ASUS apresentou a ROG Thor 3000W Titanium III Edition 20, uma fonte de absurdos 3.000 W pensada para configurações com até quatro GeForce RTX 5090. O modelo usa componentes GaN MOSFET de nível servidor, arquitetura adaptativa de dupla voltagem e tecnologias como ROG Equalizer e GPU-First Intelligent Voltage Stabilizer para melhorar a estabilidade elétrica em cenários de overclock e jogos pesados.
Também há o gabinete ROG GR20 Edition 20, com design open-frame modular, estrutura de alumínio e posicionamento flexível — vertical, horizontal ou inclinado. Além do visual de peça de exposição, o gabinete traz uma ventoinha crossflow dedicada para ajudar a resfriar SSDs M.2, um detalhe importante em máquinas com muitos drives NVMe trabalhando em altas velocidades.
Além do poder de fogo absurdo, a ROG Astral GeForce RTX 5090 Edition 20 traz exageros dignos de uma edição limitada (Imagem: Reprodução/ASUS)
PCs prontos e NUC gamer
Para quem prefere uma máquina pronta em vez de montar tudo peça por peça, a ASUS revelou o ROG NUC 16 Edition 20 e o ROG G1000 Edition 20.
O ROG NUC 16 chama atenção por entregar hardware de ponta em um gabinete ultracompacto de apenas 3 litros. O mini PC vem com visual semitransparente em preto e dourado, GPU GeForce RTX 5090 Laptop e suporte a DLSS 4.5. O sistema de resfriamento QuietFlow promete 21% mais capacidade térmica para a CPU e até 300 W de dissipação combinada entre CPU e GPU.
Mesmo pequeno, o NUC pode ser conectado a até cinco monitores 4K ou usado em uma TV 8K com controle, reforçando a ideia de que ele pode funcionar tanto como PC gamer tradicional quanto como uma espécie de console premium de mesa.
Já o ROG G1000 Edition 20 é o oposto: um desktop ultra-tower sem qualquer pretensão de ser discreto. Ele suporta até uma RTX 5090 e processador AMD Ryzen 9 9950X3D, além de trazer um sistema de refrigeração líquida AIO de 420 mm e arquitetura térmica Tri-Zone capaz de dissipar até 1.000 W de TDP.
O modelo também traz uma tela AniMe Holo, descrita pela ASUS como o primeiro sistema de ventoinha holográfica em um PC gamer pré-montado. Em outras palavras, é um desktop para quem quer desempenho extremo e, ao mesmo tempo, transformar o gabinete em parte central do setup.
ROG G1000 Edition 20 é um desktop ultra-tower que não esconde pretensão de ser gigantesco e poderoso (Imagem: Reprodução/ASUS)
Monitores OLED para eSports e criação
A ASUS também aproveitou a Computex para apresentar novos monitores OLED voltados tanto para jogadores competitivos quanto para criadores de conteúdo.
O mais chamativo da linha comemorativa é o ROG Swift OLED PG27AQWP-G Edition 20, monitor de 26,5 polegadas com painel Tandem WOLED e acabamento TrueBlack glossy. Seu diferencial está no modo duplo de operação: ele pode funcionar em QHD a até 540 Hz para jogos competitivos ou em HD a 720 Hz para quem prioriza a maior taxa de atualização possível.
O tempo de resposta é de apenas 0,02 ms, e o painel promete 15% mais brilho de pico, 25% maior volume de cor e 60% mais vida útil em relação a painéis WOLED anteriores. O monitor ainda tem certificação VESA DisplayHDR 500 True Black, cobertura de 99,5% do DCI-P3, cor real de 10 bits e precisão Delta E < 2.
Para evitar burn-in, a ASUS incluiu o OLED Care Pro com sensor de proximidade Neo ajustável. A ideia é simples: quando o usuário se afasta, o monitor pode escurecer automaticamente a imagem para reduzir desgaste do painel.
Novo monitor ROG Swift OLED Edition 20 traz painel WOLED e modo de operação duplo, entregando até 720Hz para jogadores competitivos (Imagem: Reprodução/ASUS)
A fabricante também apresentou o ROG Strix OLED XG259QWPG ACE, descrito como o primeiro monitor OLED para eSports do mundo. Ele tem 24,5 polegadas, resolução Full HD, painel Tandem WOLED, taxa de atualização de 540 Hz, tempo de resposta de 0,02 ms e certificação VESA DisplayHDR 600 True Black.
Já o ROG Swift OLED PG32UCWM mira quem alterna entre jogos e criação de conteúdo. O monitor tem 32 polegadas, resolução 4K, painel Tandem RGB OLED e modo duplo: 4K a 240 Hz ou Full HD a 480 Hz. Ele também oferece Dolby Vision, USB-C com 90 W Power Delivery, HDMI 2.1 e DisplayPort 2.1a UHBR20. A previsão de disponibilidade é o início do terceiro trimestre.
Rede Wi-Fi 7 e software integrado
Nem só de GPU e monitor vive um setup gamer. Pensando nisso, a ASUS incluiu na linha comemorativa o ROG Rapture GT-BE98 Pro Edition 20, roteador gamer quad-band com Wi-Fi 7.
O modelo traz largura de banda de 320 MHz, modulação 4096-QAM, tecnologia Multi-Link Operation (MLO) e velocidade total de até 30 Gbps. Para jogos, ele oferece aceleração em três níveis, porta dedicada para gaming e roteamento otimizado para priorizar automaticamente o tráfego dos jogos.
Em conexões cabeadas, o roteador conta com duas portas 10G e quatro portas 2.5G, além de recursos avançados de segurança e VPN. É aquele tipo de produto que faz sentido em setups extremos, sobretudo para quem já tem internet muito rápida, NAS, vários PCs ou pretende montar uma rede doméstica realmente preparada para o futuro.
A parte de software fica por conta do ROG Armoury Crate Edition 20, uma versão limitada do aplicativo de controle da ASUS com tema comemorativo. Ele virá pré-instalado no ROG NUC 16 Edition 20 e no ROG G1000 Edition 20, oferecendo ajustes, monitoramento e personalização do ecossistema ROG em uma interface unificada.
Teclado, mouse e cadeira gamer
Nos periféricos, o destaque é o ROG Azoth Extreme Edition 20, teclado mecânico especial com chassi de alumínio usinado, plate de fibra de carbono, montagem gasket ajustável e tela OLED colorida sensível ao toque. Para reforçar o caráter comemorativo, a ASUS aplicou elementos em ouro 24K no acabamento.
Também há a ROG Keycap Mystery Box Edition 20, uma caixa surpresa com keycaps colecionáveis inspiradas na identidade visual da ROG. É um item mais voltado a colecionadores e entusiastas de teclados customizados do que ao público geral.
O mouse da coleção é o ROG Harpe II Extreme Edition 20, desenvolvido com participação de profissionais de eSports. Ele vem com sensor ROG Aimpoint Pro 65K, switches ópticos com durabilidade estimada em 100 milhões de cliques, tecnologia sem fio SpeedNova 8K e pés de Corning Gorilla Glass.
A cadeira ROG Destrier Edition 20 fecha esse grupo com visual de exoesqueleto inspirado em ciborgues, estrutura translúcida, alumínio, mesh respirável, couro EPU e espuma PU. Ela traz ajustes de braços, encosto de cabeça, lombar, altura, profundidade e inclinação, além de um modo especial para jogos em dispositivos móveis, PCs e consoles.
ROG Ally, óculos AR e itens colecionáveis
A ASUS também expandiu a linha Edition 20 para além do PC tradicional com o ROG XBOX Ally X20 Bundle. O pacote reúne o portátil ROG XBOX Ally X20 e os óculos de realidade aumentada ROG XREAL R1 Edition 20.
O portátil vem com tela Nebula HDR OLED de 7,4 polegadas, processador AMD Ryzen AI Z2 Extreme, upscaling Auto SR e modo Xbox para facilitar o acesso a Game Pass, Battle.net e outras lojas de jogos para PC em uma biblioteca agregada. Já os óculos AR funcionam como uma tela grande vestível, reforçando a proposta de jogar em qualquer lugar com uma experiência mais imersiva.
Novo ROG XBOX Ally X20 evolui modelo anterior e usa tela OLED, mas cobra caro por isso (Imagem: Reprodução/ASUS)
Fora do hardware, a ASUS apresentou a figura colecionável ROG OMNI Edition 20 em cor dourada comemorativa e o ROG Saga: In Search of Lapuntu Edition 20, primeiro jogo de tabuleiro da ROG. O board game leva o universo cyberpunk da marca para uma experiência física para até quatro jogadores.
A linha ainda inclui a ROG SLASH Hard-case Luggage Edition 20, mala rígida de policarbonato com estrutura reforçada, trava compatível com TSA e compartimento dedicado para notebooks, portáteis e acessórios; e a ROG SLASH Backpack Edition 20, mochila com visual preto e dourado, espaço para notebooks de até 18 polegadas, materiais resistentes à água e fivela magnética Fidlock.
Notebook gamer ROG Strix SCAR 18 também ganha novidades
Por fim, a ASUS apresentou o ROG Strix SCAR 18 (2026), notebook gamer de alto desempenho configurável com processador Intel Core Ultra 9 290HX Plus e GPU GeForce RTX 5090 Laptop.
O laptop promete até 320 W de potência sustentada total do sistema e traz uma tela ROG Nebula HDR com o que a ASUS chama de primeiro painel Mini LED de 18 polegadas, resolução 4K e taxa de atualização de 240 Hz do mundo em um notebook.
Outro ponto importante para entusiastas é o acesso sem ferramentas para upgrades de SSD e memória RAM, algo que facilita a vida de quem pretende manter o notebook por mais tempo e atualizá-lo conforme a necessidade.
Produtos para muito poucos
A ASUS não divulgou preços nem disponibilidade para todos os produtos da linha ROG Edition 20, mas uma coisa é certa: estamos falando de uma coleção voltada para pouquíssima gente. Não só por serem produtos limitados e comemorativos, mas também pelo nível de desempenho.
Placa de vídeo RTX 5090, fonte de 3.000 W, placa-mãe com refrigeração líquida integrada, monitor OLED de 720 Hz e desktop capaz de dissipar 1.000 W de TDP não são exatamente produtos pensados para o gamer médio. Eles funcionam muito mais como vitrine tecnológica da ROG, mostrando até onde a ASUS consegue levar design, engenharia térmica, energia, personalização e integração de ecossistema.
Ainda assim, é justamente esse exagero que faz a linha Edition 20 chamar tanta atenção.
A AMD aproveitou a Computex 2026 para tirar da China uma das placas de vídeo mais estratégicas da atual geração. A companhia confirmou o lançamento global da Radeon RX 9070 GRE, modelo que até então era exclusivo do mercado chinês e agora chega ao restante do mundo como uma opção mais em conta para quem quer jogar em 1440p.
A novidade começa a ser vendida hoje no mercado internacional por US$ 549, ocupando uma posição curiosa dentro do portfólio do Time Vermelho: abaixo da Radeon RX 9070 tradicional, mas acima da RX 9060 XT de 16 GB. Na prática, a AMD tenta preencher uma lacuna que se abriu no mercado de placas de vídeo por causa da alta de preços e da dificuldade de encontrar modelos mais fortes pelo preço sugerido.
Não é uma movimentação à toa. Com a escassez de memória pressionando a indústria, modelos como a própria Radeon RX 9070 e a GeForce RTX 5070 têm aparecido acima do preço sugerido no mercado internacional, geralmente partindo da casa dos US$ 599. Nesse cenário, a RX 9070 GRE surge como uma alternativa abaixo dos US$ 550 para quem busca uma GPU mais forte que as opções de entrada, mas não quer — ou não consegue — pagar por uma placa de vídeo mais parruda.
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Mesma arquitetura, menos unidades computacionais
Por dentro, a Radeon RX 9070 GRE usa o mesmo chip Navi 48 de 4 nm das Radeon RX 9070 e RX 9070 XT. A diferença está na quantidade de blocos ativados. Enquanto a RX 9070 vem com 56 unidades computacionais RDNA 4 e a RX 9070 XT traz 64 CUs, a nova GRE chega com 48 CUs — uma redução de 14% e 25%, respectivamente.
Em vez de lançar uma placa nova, a AMD "libertou" a RX 9700 GRE para o mercado internacional na Computex 2026 (Imagem: Reprodução/AMD)
Em outras palavras, a AMD está aproveitando chips Navi 48 que não atingiram os requisitos necessários para virar uma RX 9070 ou RX 9070 XT. É a velha estratégia de maximizar o uso do silício: em vez de descartar dies parcialmente funcionais, a fabricante desativa partes do chip, ajusta as especificações e cria um novo produto para uma faixa de preço diferente.
Além das 48 CUs, a Radeon RX 9070 GRE vem equipada com 3.072 stream processors, 48 aceleradores de ray tracing, 96 aceleradores de IA, 96 ROPs e 48 MB de Infinity Cache. O clock em jogos é de 2,20 GHz, enquanto o boost pode chegar a 2,79 GHz, mantendo a GPU dentro da proposta de oferecer bom desempenho em 1440p sem invadir o território das placas mais caras da família.
O subsistema de memória também foi reduzido. A RX 9070 GRE conta com 12 GB de memória GDDR6 a 18 Gbps, interface de 192-bit e largura de banda de 432 GB/s. Para comparação, as Radeon RX 9070 e RX 9070 XT têm 16 GB de VRAM e barramento de 256-bit, o que coloca a GRE 25% abaixo em capacidade de memória e 32,5% atrás em largura de banda.
AMD promete vantagem sobre RTX 5060 Ti
Apesar dos cortes, a AMD posiciona a nova placa como uma GPU de entrada para jogos em 1440p. Segundo testes internos da companhia, a nova GPU entrega, em média, desempenho 21% superior ao da GeForce RTX 5060 Ti de 16 GB nessa resolução. A comparação foi feita em 40 jogos, com um sistema equipado com Ryzen 7 9800X3D, 32 GB de memória DDR5-6000 e Windows 11 Pro.
É um número interessante, mas que precisa ser visto com o devido cuidado. Testes de fabricantes geralmente escolhem cenários favoráveis para seus próprios produtos, então o desempenho real da RX 9070 GRE só poderá ser cravado depois que fizermos os nossos reviews. Ainda assim, análises publicadas na China já indicavam que a placa realmente fica à frente da RTX 5060 Ti de 16 GB, embora abaixo da RTX 5070.
Além do desempenho bruto, a RX 9070 GRE chega com todos os recursos da arquitetura RDNA 4, incluindo aceleradores de ray tracing de nova geração, melhorias em cargas de IA e suporte às tecnologias mais recentes do AMD FSR.
Testes divulgados pela AMD mostram a Radeon RX 9700 GRE com desempenho médio 21% superior em relação à concorrente (Imagem: Reprodução/AMD)
Preço será o verdadeiro teste
No fim das contas, a Radeon RX 9070 GRE não é uma GPU revolucionária, e nem tenta ser. Ela é, na verdade, uma resposta bastante pragmática da AMD ao momento atual do mercado. Em vez de lançar um chip novo, a fabricante reaproveita o Navi 48, reduz especificações, ajusta o preço e cria uma placa para um público que está espremido entre modelos de entrada caros demais e opções intermediárias que sumiram das prateleiras ou estão com o preço alto demais.
Para o consumidor, entretanto, pouco importa se a placa nasceu de um die parcialmente aproveitado. O que interessa é se ela entrega desempenho consistente em 1440p, se os 12 GB de VRAM serão suficientes para jogos atuais e futuros e principalmente se o preço realmente fará sentido quando os modelos customizados chegarem às lojas.
A Radeon RX 9070 GRE já está disponível no mercado internacional por US$ 549, com versões de parceiras como Sapphire, PowerColor, ASRock, XFX, Gigabyte, Acer e ASUS.
No Brasil, a AMD ainda não confirmou data de lançamento nem preço sugerido.
A AMD aproveitou a Computex 2026 para reforçar uma de suas principais armas no mercado de PCs: a longevidade de plataforma. Durante sua apresentação, a companhia confirmou que o soquete AM5 seguirá recebendo suporte até 2029 e anunciou o Ryzen 7 7700X3D, novo processador com 3D V-Cache voltado a jogadores que querem alta performance sem partir direto para os modelos mais caros da família.
O anúncio é um aceno concreto para quem está montando ou atualizando um PC gamer. Com a decisão, a AMD amplia a vida útil da AM5 e tenta repetir, em menor ou maior escala, a fórmula que deu muito certo com a AM4 — plataforma que completou 10 anos, atravessou várias gerações de processadores Ryzen e segue recebendo atenção da fabricante.
Ou seja, isso significa que quem já investiu em uma placa-mãe AM5 terá mais tempo para fazer upgrades sem necessariamente trocar placa-mãe, memória e todo o restante do setup. Em um momento em que memórias, SSDs e outros componentes seguem pressionando o custo de montagem de PCs, essa previsibilidade pesa bastante na decisão de compra.
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Ryzen 7 7700X3D mira custo-benefício em jogos
O Ryzen 7 7700X3D chega baseado na arquitetura Zen 4, tem 8 núcleos, 16 threads, 104 MB de cache total, boost de até 4,5 GHz e TDP de 120 W.
Novo Ryzen 7 7700X3D chega com especificações muito parecidas com seu irmão maior, o 7 7800X3D (Imagem: Reprodução/AMD)
O grande diferencial, claro, é a presença da tecnologia 3D V-Cache, que empilha mais memória cache sobre o processador e reduz a necessidade de buscar dados na RAM. Com isso, jogos sensíveis a latência têm um ganho de desempenho considerável. É justamente por isso que os Ryzen X3D viraram referência para quem busca altas taxas de FPS, estabilidade nos 1% lows e desempenho competitivo em games.
A companhia de Santa Clara posiciona o Ryzen 7 7700X3D em um espaço bastante estratégico em seu portfólio. Ele fica diretamente abaixo do Ryzen 7 7800X3D em clocks (4,0 GHz de base e 4,5 GHz de boost, contra 4,2 GHz e 5,0 GHz do modelo mais famoso), mas mantém o mesmo número de núcleos e a mesma quantidade total de cache. Ou seja: a AMD está repetindo uma jogada conhecida, parecida com o que fez no passado com o Ryzen 7 5700X3D, oferecendo uma versão mais acessível de uma CPU gamer bastante competente.
Isso não significa, porém, que o novo processador será automaticamente a melhor compra para todo mundo. A AMD não divulgou números oficiais de desempenho do Ryzen 7 7700X3D, então ainda precisamos esperar para testar a nova CPU e entender como ela se comporta diante dos Ryzen 5 7600X3D, Ryzen 7 7800X3D e até de rivais da Intel na mesma faixa de preço.
Ainda assim, a proposta é clara: entregar o apelo dos processadores X3D a um público maior dentro da plataforma AM5.
Novo processador é a porta de entrada na tecnologia X3D na plataforma AM5, mirando custo-benefício (Imagem: Reprodução/AMD)
AM5 até 2029 muda custo do upgrade
O suporte estendido da AM5 até 2029 talvez seja até mais importante do que o próprio Ryzen 7 7700X3D. Lançada em 2022 com os Ryzen 7000 baseados em Zen 4, a plataforma já recebeu APUs Ryzen 8000G, CPUs Ryzen 9000 com Zen 5 e processadores X3D mais recentes. Agora, com a promessa de suporte por mais alguns anos, ela passa a oferecer uma janela de atualização muito mais confortável para jogadores e entusiastas.
Para o consumidor, isso reduz o risco de investir em uma plataforma que pode morrer cedo. Para a AMD, é uma forma de fortalecer o ecossistema e vender não apenas um processador, mas uma ideia de continuidade: compre uma placa-mãe AM5 hoje e, se tudo correr conforme o planejado, ainda poderá fazer upgrades relevantes nos próximos anos.
Essa filosofia é extremamente importante, já que quem monta PC costuma pensar em ciclos de atualização: primeiro troca a GPU, depois aumenta a RAM, mais adiante muda o processador. Quando a plataforma permite esse tipo de evolução sem obrigar uma troca completa, o custo total de propriedade cai e a sensação de investimento protegido aumenta.
É exatamente esse o legado que a AMD tenta puxar da AM4 para a AM5.
AMD Ryzen 7 7700X3D vs AMD Ryzen Ryzen 7 7800X3D
Ryzen 7 7700X3D
Ryzen 7 7800X3D
Cores/Threads
8 / 16
8 / 16
Arquitetura
Zen 4 X3D
Zen 4 X3D
Clock base / boost
4,0 GHz / 4,5 GHz
4,2 GHz / 5,0 GHz
Cache (L2 + L3)
104 MB
104 MB
TDP
120 W
120 W
AM4 também segue viva
Falando em AM4, a Computex 2026 também serviu para a AMD celebrar os 10 anos da plataforma com o Ryzen 7 5800X3D 10th Anniversary Edition. O modelo resgata um dos processadores mais icônicos da marca, compatível com placas-mãe das séries 400 e 500, e chega acompanhado de um Carbice Ice Pad, material térmico pensado para manter boa performance ao longo do tempo.
Edição especial do Ryzen 7 5800X3D celebra os 10 anos da plataforma AM4 (Imagem: Reprodução/AMD)
O retorno do 5800X3D faz sentido dentro do mesmo discurso. Nem todo mundo está pronto para migrar para DDR5, comprar uma placa-mãe AM5 e reorganizar todo o PC. Para quem já tem uma máquina AM4 com um Ryzen mais antigo, um processador X3D ainda pode representar um salto enorme em jogos sem exigir uma reconstrução completa do setup.
Lá fora, o Ryzen 7 5800X3D 10th Anniversary Edition será vendido por US$ 349 a partir de 25 de junho. Já o Ryzen 7 7700X3D chega em 16 de julho, com preço sugerido de US$ 329.
Ainda não há informações sobre preço e disponibilidade no Brasil.