❌

Normal view

Como criar um "guarda-roupa" digital com o Google Fotos e testar looks

10 August 2026 at 21:45

O Google Fotos tem uma ferramenta que transforma fotos de roupas em um guarda-roupa digital. O recurso usa inteligência artificial para identificar peças de vestuário na biblioteca de imagens do usuário, organiza esses itens por categoria e permite montar combinações para testar looks antes de vestir a roupa de verdade.

Abaixo, o Canaltech explica quem pode usar a ferramenta e como usá-la. Neste texto você encontra:

  • Quem pode usar o guarda-roupa do Google Fotos

  • Como criar e organizar o guarda-roupa digital

  • Como montar e experimentar looks

Quem pode usar o Guarda-roupa do Google Fotos?

O Guarda-roupa está sendo distribuído aos poucos, de acordo com a página de suporte do Google Fotos.

A liberação prioriza assinantes dos planos Google AI Pro e Google AI Ultra, mas também alcançará outros usuários selecionados ao longo dos próximos meses. Quem se qualifica recebe uma notificação dentro do próprio aplicativo.

Existem requisitos específicos para acessar a função. A conta Google precisa cumprir a idade mínima exigida no país ou na região do usuário, e também é necessário ativar a funcionalidade Grupos de Rostos e selecionar o próprio rosto dentro dela, para que o sistema saiba quais roupas pertencem à conta.

Contas sem assinatura do AI Pro ou do AI Ultra também precisam ter mais de mil fotos do próprio usuário guardadas na biblioteca.

Além disso, aparelhos Android precisam rodar a versão 10 ou superior. A documentação oficial não lista uma versão mínima de iOS, e o recurso, por enquanto, funciona apenas pelo aplicativo do celular, sem versão para computador.

Cumprir todos os requisitos não garante acesso imediato, porque a liberação segue por lotes e depende de notificação enviada pelo Google.

Como criar seu guarda-roupa digital no Google Fotos

O processo começa dentro do próprio aplicativo, sem etapas externas.

  1. Abra o aplicativo Google Fotos no celular;

  2. Toque em "Álbuns", na parte inferior da tela;

  3. Selecione "Guarda-roupa" e depois "Criar o meu guarda-roupa".

tutorial guarda-roupa google fotos 1

A partir desse ponto, o Google Fotos analisa automaticamente as fotos da biblioteca e identifica as peças de roupa que aparecem nelas.

O usuário recebe uma notificação assim que o guarda-roupa fica pronto, sem precisar acompanhar o processo manualmente.

Como revisar e organizar as peças

Depois de criado, o guarda-roupa reúne cada peça identificada como um item separado, dentro de "Coleções" > "Guarda-roupa".

Os itens podem ser ordenados pelos usados mais recentemente e filtrados por tipo de vestuário, como partes de cima, partes de baixo, saias, joias e acessórios, conforme o anúncio oficial do Google.

A identificação automática nem sempre acerta. Peças que não fazem sentido no catálogo podem ser removidas. Basta tocar no item, dentro da aba "Artigos", e selecionar a opção de excluir.

Como montar looks com suas roupas

Para montar uma combinação, o caminho é o mesmo menu do guarda-roupa.

  1. Toque em "Álbuns" e vá em "Guarda-roupa";

  2. Na parte inferior, toque em "Criar";

  3. Selecione as peças que vão compor o look, com limite de seis itens por combinação;

  4. Toque em "Guardar" e dê um nome ao conjunto, ou pule essa etapa.

A montagem do look depende de escolhas manuais do usuário. A inteligência artificial participa apenas ao reunir as peças selecionadas em uma imagem única do conjunto.

Como experimentar um look virtualmente

Montar um look e experimentar um look são etapas diferentes dentro do Guarda-roupa. A primeira reúne as peças escolhidas em um conjunto, enquanto a experimentação gera uma prévia de como essa combinação ficaria vestida.

O caminho para acessar a prova virtual é:

  1. Abra "Álbuns" e vá em "Guarda-roupa";

  2. Selecione "Conjuntos";

  3. Escolha um conjunto salvo ou toque em "Criar" para montar um novo;

  4. Toque no ícone "Experimentar".

tutorial guarda-roupa google fotos 2

O Google Fotos gera um vídeo simulando como a combinação ficaria na própria pessoa. Como o acesso à função exige ter a funcionalidade Grupos de Rostos ativada e o próprio rosto selecionado, é esse cadastro que permite ao sistema aplicar as roupas à imagem do usuário na simulação.

Como qualquer criação por inteligência artificial, a prova virtual está sujeita a imperfeições.

{{WHATSAPP_CHANNEL}}

Falha em e-mails "no-reply" escancara segredos de grandes empresas

10 August 2026 at 21:02

Endereços de e-mail criados para nunca receber respostas, como "noreply" e "deleteduser", estão se transformando em portas de entrada para dados sigilosos de empresas. Uma investigação da revista WIRED mostrou que pesquisadores de segurança compraram domínios ligados a esses endereços genéricos e passaram a receber, sem qualquer invasão, informações internas de companhias que acreditavam estar enviando mensagens para um destino inexistente.

Os pesquisadores Cory Solovewicz e Mike Sheward protagonizam o caso. Eles não precisaram de ataques sofisticados. Bastou registrar os domínios certos para começar a receber, de forma automática, dados que deveriam ter desaparecido.

Falha está na compra do domínio

Solovewicz é dono dos domínios noreply.us e noreply.net, adquiridos em 2020 e 2024, respectivamente. Segundo o pesquisador, o plano inicial era usar o noreply.us como um endereço de captura geral para filtrar mensagens e proteger sua própria privacidade. Ele logo percebeu que sistemas de outras organizações enviavam e-mails para endereços daquele domínio sem que ele tivesse qualquer vínculo com essas empresas.

À WIRED, Solovewicz descreveu o resultado como um "honeypot acidental", já que não esperava transformar o domínio em um receptor de dados corporativos. Desde dezembro de 2024, apenas um desses domínios já registrou 401.796 mensagens, uma média de quase 700 por dia, conforme cálculo do próprio pesquisador.

Sheward viveu situação parecida. Ele pagou cerca de 15 dólares pelo domínio deleteduser.com e, na primeira hora após a compra, já havia recebido e-mails de três organizações diferentes. O padrão se repete quando empresas trocam o endereço de um funcionário por um rótulo genérico após ele deixar o cargo, em vez de excluir o cadastro por completo.

aplicativo mail

Volume de mensagens expõe escala do problema

O domínio noreply.net acumulou mais de 400 mil mensagens em um ano e meio, das quais 28.365 traziam anexos. Já o noreply.us somou 37.255 mensagens ao longo de 2.345 dias sob posse de Solovewicz.

No mês anterior à apresentação dele no Defcon, a conferência de segurança realizada nos Estados Unidos, os dois domínios somados receberam mais de 11 mil mensagens, enviadas por 14 mil endereços distintos, ligados a 6.200 domínios de origem.

Entre o conteúdo recebido por Sheward estão pedidos de férias de funcionários, reservas de hotel com nomes completos e convites para reuniões no Zoom emitidos por uma agência do governo britânico. Ele também recebeu milhares de imagens de câmeras de segurança enviadas por uma empresa de inteligência artificial que monitora trabalhadores em instalações no Oriente Médio, segundo relatou à WIRED.

Solovewicz foi além da coleta passiva de dados. Durante sua apresentação no Defcon, ele revelou ter testado 7.136 domínios usados como placeholders por diferentes empresas. Desse total, 328 estavam configurados com caixas de entrada do tipo catch-all, capazes de aceitar mensagens enviadas para qualquer endereço daquele domínio.

Pesquisadores notificam empresas, mas resposta é limitada

Solovewicz e Sheward afirmam alertar as organizações afetadas sempre que identificam uma falha, em vez de explorar os dados recebidos. Os dois já compraram, juntos, mais de 30 domínios com o objetivo de impedir que agentes maliciosos façam o mesmo tipo de captura.

O problema não é novo. Há cerca de 20 anos, o jornalista Brian Krebs, então na Washington Post, já havia relatado que empresas enviavam milhões de mensagens para o endereço donotreply.com. A recomendação técnica para evitar o risco é simples, segundo a reportagem da WIRED: usar domínios internos ou o domínio .invalid, reservado justamente para não existir na prática.

Apesar dos alertas, a taxa de resposta das empresas notificadas tem sido baixa. Solovewicz afirma que corrigir cada caso individualmente já se tornaria um trabalho em tempo integral, dado o volume de organizações com sistemas mal configurados.

{{WHATSAPP_CHANNEL}}

Candidatos e recrutadores começam a usar avatares de IA em entrevistas de emprego

10 August 2026 at 18:01

Recrutadores ao redor do mundo têm relatado um novo tipo de candidato nas entrevistas de emprego: o avatar gerado por inteligência artificial. A tecnologia reproduz voz e aparência de uma pessoa real, mas quem responde às perguntas é um sistema de IA. O fenômeno já aparece em entrevistas de primeira fase, segundo reportagem do site TheNextWeb.

Lana Kersanava, recrutadora de Sydney, Austrália, contou à Semafor que passou a identificar esses avatares nos últimos seis meses. "No começo, você sente que algo está estranho", disse. "A aparência é bem realista”.

Segundo Kersanava, o problema não estava na renderização visual, que se mostrou convincente. O que chamou atenção foi a qualidade das respostas, sempre articuladas sem hesitação ao longo de uma sequência de perguntas.

A recrutadora encerrou a entrevista após cerca de cinco minutos e desqualificou o candidato. Ela já repetiu esse procedimento três vezes.

Uso diferente do esperado

Os três candidatos flagrados por Kersanava haviam se inscrito para vagas que exigiam inglês, mas não eram falantes nativos do idioma. Nesses casos, o avatar funcionou como forma de compensar uma limitação de proficiência, um uso diferente de quem inventa uma experiência profissional inteira.

O mercado de recrutamento já enfrenta um problema de viés documentado. Um levantamento citado pela reportagem aponta que recrutadores têm até 19% menos chance de dar retorno a candidatos imigrantes ou de minorias étnicas, mesmo quando as qualificações são equivalentes às de outros candidatos.

O dado não torna aceitável o uso de um avatar sem aviso prévio, mas complica a leitura desses casos como simples fraude.

pessoa usando notebook computador

IA para filtrar currículos, IA para responder entrevistas

Sistemas de rastreamento de candidatos já usam IA para filtrar currículos antes da leitura humana. Recrutadores também passaram a recorrer a avatares de IA para conduzir entrevistas de primeira fase. Na prática, máquinas entrevistam máquinas.

Essa disputa entre inteligências artificiais têm levado empresas a reformular processos seletivos, com etapas técnicas ao vivo, simulações de cenários reais e dinâmicas de interpretação de papéis, formatos mais difíceis de automatizar.

O volume de uso ajuda a explicar a corrida. Quase dois terços dos candidatos hoje usam IA em algum momento do processo de candidatura, enquanto 87% dos gestores de contratação nos Estados Unidos recorrem à tecnologia durante a seleção. O número de candidaturas geradas por IA cresceu 239% no período analisado pela reportagem.

Números mostram o tamanho do problema

Um relatório de 2026 da Greenhouse mostrou que 91% dos gestores de contratação nos Estados Unidos já encontraram ou suspeitaram de respostas geradas por IA em entrevistas on-line.

Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, a empresa analisou 19.368 entrevistas ao vivo e identificou sinais de comportamento assistido por IA em 38,5% delas.

A tendência aponta para um crescimento do problema. A consultoria Gartner projeta que, até 2028, um em cada quatro perfis de candidatos no mundo será falso, considerando perfis gerados por IA, entrevistas em vídeo com deepfake e históricos profissionais fabricados.

A barreira técnica para criar esse tipo de fraude é baixa. Um estudo da Palo Alto Networks mostrou que uma pessoa sem experiência em edição de imagem consegue montar um candidato falso capaz de passar por uma entrevista em vídeo em até 70 minutos.

Empresas retomam entrevistas presenciais

Do total de líderes de recrutamento consultados na reportagem, 72% afirmam manter ao menos uma etapa presencial obrigatória para reduzir fraudes ligadas à IA. Google, McKinsey e Cisco já reintroduziram rodadas presenciais obrigatórias em seus processos seletivos.

Essa mudança resolve o problema de detecção, mas reduz o alcance que o recrutamento remoto buscava oferecer. Candidatos que não podem se deslocar até um escritório, entre eles muitos dos profissionais internacionais mais tentados a usar a tecnologia, perdem acesso à vaga logo na etapa inicial.

{{WHATSAPP_CHANNEL}}

❌