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Celular para crianças troca redes sociais por “missões” fora de casa

30 September 2026 at 21:15

Um novo celular infantil quer resolver um dos principais dilemas dos pais na era dos smartphones: como dar mais independência às crianças sem colocá-las em contato com os problemas da internet aberta. Essa é a proposta do Freckle, aparelho criado para crianças de 7 a 13 anos que elimina redes sociais, navegador e loja de aplicativos, transformando o dispositivo em uma espécie de companheiro para aventuras fora de casa.

O Freckle custa US$ 199 (R$ 1.029) e exige uma assinatura de telefonia de US$ 25 (R$ 130) por mês. O aparelho utiliza o sistema simplificado ClayOS e permite fazer chamadas e enviar mensagens apenas para contatos previamente autorizados pelos responsáveis. O produto está disponível em pré-venda e tem entregas previstas para dezembro.

Em vez de oferecer acesso irrestrito a aplicativos, a proposta é estimular a criança a usar o celular como uma ferramenta durante atividades no mundo real. Um dos principais recursos são as chamadas “Missões”, que podem ser criadas pelos pais para incentivar determinadas atividades.

Os responsáveis podem, por exemplo, pedir que a criança encontre cinco tipos de insetos em um parque ou fotografe determinadas obras durante uma visita a um museu. O próprio Freckle também possui missões integradas para incentivar a exploração.

A câmera do aparelho utiliza inteligência artificial para identificar animais, plantas e outros objetos encontrados pela criança. Os elementos reconhecidos podem ser adicionados a uma espécie de álbum digital de figurinhas, transformando a exploração em uma atividade semelhante a uma coleção.

O aparelho também possui um minimapa para auxiliar na navegação. Para os pais, há recursos de localização e a possibilidade de estabelecer áreas consideradas seguras, com alertas caso a criança saia delas. 

A ideia é oferecer uma alternativa ao monitoramento constante, permitindo que os responsáveis escolham entre acompanhar a localização ou simplesmente receber alertas.

Tem walkie-talkie e até pagamento por aproximação

O Freckle também tenta reproduzir algumas funções úteis de um smartphone convencional sem abrir as portas para a internet inteira. Quando duas crianças aproximam seus aparelhos, por exemplo, elas podem ativar um modo walkie-talkie para conversar.

O celular ainda possui uma carteira com pagamento por aproximação. Os pais podem colocar dinheiro nela para que os filhos tenham uma forma controlada de pagar por um lanche ou outra pequena compra durante uma atividade fora de casa.

O hardware foi desenvolvido especificamente para o público infantil, com formato compacto, tela sensível ao toque e botões físicos. O objetivo é fazer com que o aparelho seja utilizado durante aventuras e atividades, e não como um dispositivo para consumir vídeos ou navegar pelas redes sociais.

A proposta da Freckle parte da ideia de que a tecnologia não precisa necessariamente afastar as crianças do mundo real. Para o fundador e CEO Sam Terris, o problema está menos no dispositivo em si e mais em plataformas desenvolvidas para manter o usuário conectado por longos períodos.

Por isso, o Freckle não possui redes sociais, YouTube, navegador de internet ou loja de aplicativos. A empresa tenta encontrar um equilíbrio entre segurança, comunicação e liberdade para crianças que começam a realizar atividades sem a presença constante dos pais.

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Japão quer 10 milhões de robôs no mercado para enfrentar falta de trabalhadores

30 September 2026 at 19:37

O Japão estabeleceu a meta de colocar cerca de 10 milhões de robôs equipados com inteligência artificial em operação até 2040. A iniciativa faz parte de uma estratégia nacional para ampliar o uso de robôs em 18 áreas da economia diante do envelhecimento da população e da crescente dificuldade das empresas para encontrar trabalhadores.

A estratégia inclui setores como manufatura, logística, saúde, construção, varejo e segurança, além de áreas como produção de alimentos e cuidados de enfermagem. O governo japonês também pretende desenvolver infraestrutura de dados e tecnologias de IA física para permitir que os robôs aprendam e executem tarefas no mundo real.

O cenário demográfico ajuda a explicar a aposta. Segundo projeções de variante média das Nações Unidas, a população japonesa deve chegar a aproximadamente 112,2 milhões de pessoas em 2040, contra 119,6 milhões projetados para 2030. A idade mediana deve alcançar 54 anos, enquanto pessoas com 65 anos ou mais representariam 35,3% da população.

A estratégia não está apenas no papel. A startup japonesa Zeals apresentou o D1, um robô humanoide sobre rodas desenvolvido para ambientes internos. A máquina tem 129 centímetros de altura, utiliza uma câmera para reconhecer rostos e possui dois braços capazes de carregar até 5 kg cada.

Com preço inicial de 5 milhões de ienes (cerca de US$ 32 mil), a empresa pretende produzir 100 unidades até março de 2027 e acumular 10 mil horas de operação em ambientes reais. O D1 foi desenvolvido para aplicações em hospitais, hotéis, fábricas, centros de logística e instalações de cuidados para idosos.

Em agosto, um hospital de Nagoia testou a máquina para orientar visitantes, recolher pratos e limpar mesas na área de alimentação. Para Masahiro Shimizu, CEO da Zeals, colocar os robôs em situações reais é importante para coletar dados e verificar se eles são realmente úteis fora dos laboratórios.

Outra empresa japonesa, a Kakuichi, também pretende colocar um humanoide para trabalhar a partir de abril de 2027. O robô chamado Miyazawa Noah deverá passar por diferentes departamentos, incluindo manufatura e vendas, aprendendo tarefas por meio da experiência prática.

Miyazawa Noah

Seguradoras já se preparam para acidentes

O crescimento dos robôs no ambiente profissional também cria um novo mercado para seguradoras. A Mitsui Sumitomo Insurance firmou parceria com a Zeals para oferecer cobertura aos usuários do D1, incluindo empresas de setores como hotelaria, saúde, indústria e logística.

A preocupação não está apenas em acidentes físicos. As seguradoras também consideram riscos relacionados a danos materiais, ataques cibernéticos e vazamento de dados provocados pelos sistemas robóticos.

Em julho, a Mitsui Sumitomo também adquiriu participação em uma empresa japonesa especializada em IA física, tecnologia que permite aos robôs aprender novas tarefas de maneira autônoma. A iniciativa deve ajudar a seguradora a compreender melhor o comportamento desses sistemas e os riscos envolvidos em sua utilização.

Apesar dos planos ambiciosos, ainda não está claro qual será o impacto econômico da robótica em larga escala. O Japão pretende usar as máquinas para amenizar a escassez de mão de obra, mas produtividade, custos, segurança e capacidade dos robôs continuam sendo pontos que precisarão ser comprovados com a expansão dos testes em ambientes reais.

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Golpistas exploram brecha da Apple e dão fraude de R$ 100 milhões em iPhone 18

30 September 2026 at 18:50

Golpistas exploraram uma suposta brecha no sistema de compras online da Apple para realizar 1.503 pedidos não autorizados de iPhone 18 em Hong Kong. Segundo a polícia local, as transações envolviam mais de HK$ 30 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 100 milhões na conversão aproximada.

Apesar do volume, nenhum dos envolvidos sofreu prejuízo financeiro direto. A polícia informou que todas as transações suspeitas foram canceladas antes que os pedidos resultassem em perdas para os titulares dos cartões, instituições financeiras ou para a própria Apple.

Os casos começaram a aparecer após a abertura da pré-venda dos novos smartphones da Apple, no início de setembro. De acordo com o comissário de polícia Joe Chow Yat-ming, as medidas de segurança das transações online da Apple não estavam ativas durante os pedidos investigados. Com isso, certas compras não exigiam mecanismos de verificação normalmente utilizados para confirmar a identidade do comprador.

Isso permitiu que criminosos utilizassem dados de cartões de crédito obtidos ilegalmente para realizar grandes pedidos de iPhone 18 sem a necessidade de fornecer códigos de uso único ou realizar verificações pelo aplicativo bancário.

Os fraudadores também utilizaram VPNs para esconder a localização real e informaram endereços de entrega falsos ou incompletos. Quando a Apple entrava em contato para solicitar a correção das informações, os criminosos indicavam locais públicos para receber os aparelhos.

A investigação aponta ainda que os grupos recrutavam intermediários para retirar os smartphones nesses pontos. Dessa maneira, os responsáveis pelo uso dos cartões não precisavam aparecer pessoalmente para receber os produtos.

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Apple terá que revisar sistema de segurança

A polícia de Hong Kong afirmou que continua investigando o grupo responsável pelas compras fraudulentas. As autoridades também solicitaram que a Apple revise seu processo de transações online antes de uma próxima pré-venda.

A ocorrência acontece em meio a um cenário de crescimento das fraudes em Hong Kong. Nos primeiros oito meses de 2026, a cidade registrou 29.670 casos de fraude, alta de 4,5% em relação ao mesmo período anterior. O prejuízo total chegou a HK$ 5,21 bilhões.

As fraudes representaram 50% de todos os crimes registrados no período pela primeira vez. Entre as modalidades, golpes por telefone responderam por 27% dos casos, enquanto fraudes em compras online representaram 23%.

Por enquanto, a polícia não informou quantos aparelhos chegaram a ser efetivamente entregues aos criminosos. Como todas as transações identificadas foram canceladas, o caso permanece concentrado na investigação sobre como os dados dos cartões foram obtidos e como a brecha no sistema de compras da Apple foi explorada.

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