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Trend de direção perigosa no TikTok deixa 7 mortos no Reino Unido

25 August 2026 at 20:01

O governo do Reino Unido cobrou nesta segunda-feira (24) que o TikTok e outras redes sociais removam vídeos que exaltam a direção perigosa, especialmente manobras na contramão. O pedido veio depois de um acidente que matou dois policiais e cinco jovens em uma rodovia próxima a Middlesbrough, no nordeste da Inglaterra, no fim de semana.

As autoridades britânicas também exigiram que as plataformas impeçam que esse tipo de conteúdo seja impulsionado pelos próprios algoritmos.

O caso se soma a uma sequência de mortes ligadas a uma tendência que ganhou força nas redes neste ano. Grupos de jovens, majoritariamente homens, gravam vídeos dirigindo na contramão de rodovias e publicam o material online, muitas vezes com foco em gerar visualizações e engajamento.

O acidente em Middlesbrough

Os policiais Matthew Blades, de 37 anos, e Tom Clough, de 38, morreram no sábado (22) quando um Volkswagen Passat atingiu a viatura em que estavam. Os cinco ocupantes do outro carro, com idades entre 17 e 23 anos, também morreram no local.

Uma conta no TikTok que se acredita pertencer a um dos jovens mortos havia publicado anteriormente vídeos de direção perigosa, incluindo uma perseguição policial registrada em março de 2025 e uma cena que mostra o velocímetro marcando 160 km/h, segundo a BBC. O perfil foi excluído após o acidente.

A Polícia de Cleveland, responsável pela investigação, afirmou não haver evidências de que a filmagem das atividades ocorridas na noite de sexta-feira (21) e na madrugada de sábado tivesse como objetivo a publicação no TikTok. A corporação prendeu 12 pessoas em uma apuração sobre atividades criminosas anteriores ao acidente, entre elas relatos de veículos "batendo em propriedades".

Pressão do governo britânico

O ministro da Defesa, Luke Pollard, disse à BBC que o governo já havia notificado as plataformas para que retirassem conteúdos que celebram comportamentos perigosos nas estradas. Segundo ele, as empresas sabem exatamente quais conteúdos circulam em seus sites e como funcionam seus próprios algoritmos.

Pollard afirmou que as redes também têm ciência de que usuários publicam esses vídeos em busca de visualizações e, em alguns casos, de retorno financeiro, o que cria um incentivo para a produção de conteúdo cada vez mais extremo. O primeiro-ministro Andy Burnham classificou como "verdadeiramente repreensível" o compartilhamento de imagens que glorificam a direção perigosa.

O governo declarou apoio à Ofcom, agência reguladora de mídia do país, para agir contra plataformas que descumpram obrigações legais previstas na lei de segurança on-line britânica. Pela legislação, cabe às próprias empresas avaliar denúncias e aplicar suas regras internas, já que os vídeos não são necessariamente ilegais por si só.

O TikTok informou que suas políticas proíbem conteúdos capazes de causar danos físicos significativos, incluindo direção perigosa, e que remove ativamente perfis que violam essas regras. Entre janeiro e março deste ano, 99,1% dos conteúdos removidos por violação às políticas contra comportamento violento e criminoso foram retirados antes de qualquer denúncia de usuários, segundo a empresa.

TikTok app

Irlanda já registrava mortes pela mesma tendência

O Reino Unido não é o primeiro país afetado. No início de agosto, cinco adolescentes morreram na Irlanda depois que um carro trafegou na contramão de uma rodovia no condado de Kildare e colidiu de frente com outro veículo. Quatro pessoas do segundo carro ficaram feridas, entre elas um menino de sete anos que seguia para um casamento na família.

Três dos cinco jovens mortos eram conhecidos da Tusla, agência irlandesa de proteção à infância e à família. Um comitê parlamentar convidou o TikTok para explicar como a plataforma lida com esse tipo de conteúdo, mas a empresa recusou a participação, alegando investigação policial em andamento e apuração paralela do órgão regulador de mídia do país. O presidente do comitê, Alan Kelly, chamou a recusa de "um tapa na cara" do público irlandês.

Segundo a emissora RTÉ, a Irlanda registrou 62 casos de condutores na contramão em rodovias neste ano, alta de 32% em relação ao mesmo período de 2025.

O TikTok já havia sido alvo de sanções no Brasil por outro motivo. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) aplicou à empresa uma multa de R$ 153,7 milhões nesta terça-feira (25), em um caso relacionado ao tratamento de dados de usuários no país.

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iPhone: veja como funciona e como usar a transmissão de vídeo para o 190

25 August 2026 at 19:49

A Apple liberou nesta segunda-feira (24) o Vídeo ao Vivo do SOS de Emergência para iPhones no Brasil. O recurso permite que atendentes do 190 recebam imagens em tempo real de quem faz a ligação, direto da câmera do aparelho, durante uma ocorrência policial.

A funcionalidade já existia nos Estados Unidos desde o lançamento do iOS 18, em 2024.

A chegada ao país vem de uma parceria entre a Apple e a RapidSOS, empresa americana especializada em conectar dados de dispositivos móveis a centrais de emergência.

Como funciona o compartilhamento de câmera

O processo não parte do usuário. Durante a chamada para o 190, cabe ao atendente avaliar se as imagens ajudariam a entender a situação e enviar um pedido de compartilhamento ao iPhone de quem ligou.

A pessoa recebe um aviso na tela com três opções:

  • "Compartilhar": ativa a câmera traseira ou frontal e inicia a transmissão ao vivo;

  • "Escolher": permite enviar fotos ou vídeos já salvos na galeria do aparelho;

  • "Agora Não": recusa o pedido.

A transmissão pode ser pausada ou interrompida pelo usuário a qualquer momento. Segundo a Apple, o tráfego de dados é criptografado por padrão, embora os serviços de emergência possam manter uma cópia do material recebido.

O recurso funciona em iPhone 14 ou modelos mais recentes. Não é necessário ativar nada com antecedência, já que o compartilhamento só é acionado se o atendente solicitar as imagens durante uma chamada real.

Como deixar o SOS de Emergência configurado

Para preparar o aparelho antes de uma emergência, o caminho é acessar Ajustes, depois SOS de Emergência. Dali, dá para ativar a opção "Pressionar 5 Vezes para Ligar", que inicia uma contagem regressiva e aciona a chamada automaticamente.

Outra forma de ligar rapidamente é manter pressionados o botão lateral e um dos botões de volume ao mesmo tempo. Nenhuma dessas configurações libera o vídeo por conta própria, esse envio depende sempre da solicitação do atendente durante a ligação.

iphone SOS

Diferença em relação ao SOS via satélite

O novo recurso não deve ser confundido com o SOS de Emergência via satélite, pensado para pedir socorro em áreas sem sinal de celular ou Wi-Fi. Essa outra ferramenta segue indisponível no Brasil, já que depende de acordos regulatórios com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que a Apple ainda não fechou.

O Vídeo ao Vivo do SOS de Emergência, por sua vez, trafega pela rede de dados móveis da operadora ou por uma conexão Wi-Fi ativa durante uma ligação de emergência tradicional. Por isso, pôde ser ativado sem essa barreira regulatória.

Adoção varia de cidade para cidade

Do lado das autoridades, a operação depende dos módulos do sistema UNITE, da RapidSOS, responsáveis por processar as imagens e exibi-las nos Centros de Comunicação de Emergência. Cada Centro de Operações da Polícia Militar (Cecopom) precisa aderir à tecnologia para que o recurso funcione na prática.

A adoção, portanto, deve acontecer de forma gradual, variando de estado para estado conforme as centrais integrem os painéis de recebimento de vídeo aos próprios sistemas. A RapidSOS afirma que a ferramenta já está incorporada sem custo adicional às centrais que utilizam sua plataforma, mas isso não garante ativação imediata em todo o território.

A empresa opera no Brasil desde 2023, quando forneceu a infraestrutura para a integração entre o aplicativo da Uber e o 190 no Rio de Janeiro. Naquela parceria, dados de viagens, placa do veículo e localização do motorista passaram a ser enviados à central policial em caso de acionamento pelo app.

Confira no Canaltech 5 passos para proteger seu iPhone antigo de ataques de segurança.

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Uber é processada por R$ 321 milhões por taxa cobrada de motoristas

25 August 2026 at 19:31

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou ação civil pública contra a Uber do Brasil para suspender o programa "Passe para Motoristas". A cobrança permite ao motorista realizar viagens sem cobrança de taxa de serviço durante um período determinado, mediante pagamento antecipado.

Além da suspensão imediata, o órgão pede a devolução de todo o valor já pago pelos motoristas e uma indenização de R$ 321 milhões por dano moral coletivo. O processo tramita na 9ª Vara do Trabalho de Salvador (BA), sob o número 0000773-47.2026.5.05.0009.

Segundo o MPT, o modelo de cobrança pode transferir parte do risco da atividade econômica para o trabalhador e caracterizar servidão por dívida. As alegações constam na petição movida pelo órgão e ainda não foram julgadas pela Justiça.

A ação é assinada pelo procurador do Trabalho Luiz Antonio Nascimento Fernandes.

O Canaltech procurou a Uber para comentar a ação movida pelo MPT. O espaço permanece aberto para atualização caso a empresa se manifeste.

O que é o Passe para Motoristas

A Uber lançou o Passe para Motoristas em maio de 2026, inicialmente em 12 cidades, entre elas Itabuna e Ilhéus, na Bahia, segundo informou a própria empresa na época. O programa chegou depois a outras localidades e hoje está disponível em 29 cidades para motoristas de carro, além de todo o território nacional para motoristas de moto, de acordo com o site oficial da Uber.

O motorista pode escolher entre duas modalidades. O Passe por Tempo cobra um valor fixo para viagens ilimitadas sem taxa de serviço adicional durante 24 ou 72 horas, e o Passe por Ganhos exige um pagamento único que libera o motorista da taxa de serviço até atingir um teto de faturamento predefinido pela plataforma, com validade máxima de 180 dias.

A ativação acontece automaticamente após a primeira viagem elegível. A cobrança é descontada da carteira virtual do motorista e, na ausência de saldo suficiente, a Uber registra o valor como saldo negativo, compensado com os ganhos das corridas seguintes.

Durante a validade do passe, o motorista mantém 100% do valor das viagens no acumulado semanal, dentro das regras do programa. Os termos oficiais da empresa também estabelecem que a compra do passe não garante nenhum volume mínimo de corridas, que continuam sendo distribuídas pelo algoritmo entre motoristas com ou sem passe ativo.

uber passe

Por que o MPT considera o modelo irregular

Para o MPT, o Passe inverte a lógica de risco do negócio: o motorista paga antecipadamente para acessar determinadas condições de trabalho na plataforma, sem garantia de retorno sobre o valor investido.

O procurador Luiz Antonio Nascimento Fernandes argumenta que o mecanismo de retenção automática de ganhos futuros, aplicado quando o motorista não tem saldo suficiente, cria uma estrutura de endividamento permanente. Essa dinâmica, segundo ele, perpetua a dependência econômica do trabalhador em relação à plataforma e reproduz, no ambiente digital, características de servidão por dívida.

O coordenador nacional de combate às fraudes trabalhistas do MPT, Ilan Fonseca, afirma que os valores cobrados podem superar R$ 1 mil por mês. Para ele, a cobrança contraria uma regra adotada na maioria dos países, que proíbe empresas de cobrarem de trabalhadores para que tenham acesso ao trabalho.

O órgão também aponta que o contrato do Passe é redigido inteiramente pela Uber, sem espaço para negociação individual. O documento permite à empresa alterar as regras a qualquer momento e desativar o passe do motorista sem devolver o valor pago, segundo a ação.

Há ainda um argumento sobre concorrência. Como cada hora dedicada a outro aplicativo representa perda proporcional do valor já investido no Passe, o MPT avalia que o motorista tende a concentrar a atividade na Uber enquanto a assinatura estiver ativa, mesmo sem uma cláusula formal de exclusividade.

Como parte da ação, o MPT solicitou acesso ao código-fonte do algoritmo da Uber, para esclarecer os critérios de distribuição de corridas e os mecanismos de precificação dinâmica aplicados durante a vigência do passe.

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Qual é o sistema operacional do novo celular Nokia com bateria de 40 dias?

25 August 2026 at 16:00

O Nokia 300 Charge, celular básico lançado pela HMD, funciona com o S30+, plataforma própria da fabricante voltada para feature phones. A informação consta na ficha técnica oficial do aparelho, na seção "Operating System".

O modelo chamou atenção por sua bateria de 3.700 mAh, capaz de manter até 40 dias de autonomia em modo de espera. O hardware é simples para os padrões atuais: processador Unisoc SC6531E, 4 MB de RAM e 4 MB de armazenamento interno, segundo dados divulgados pela própria HMD.

O que é o S30+

O S30+ não é uma versão reduzida do Android nem um sistema derivado do iOS. É uma plataforma independente voltada para celulares básicos, sucessora da tradição de sistemas utilizados pela Nokia em seus feature phones.

A tecnologia sucedeu as plataformas Series 30 e Series 40, usadas em modelos Nokia anteriores. Depois da compra da divisão de dispositivos da Nokia pela Microsoft, e posteriormente pela HMD, o desenvolvimento do S30+ seguiu com a fabricante finlandesa, que hoje detém a licença da marca Nokia para telefones.

A estrutura do S30+ é bem mais enxuta que a de um smartphone, com uma interface desenvolvida para consumir poucos recursos e atender principalmente às funções essenciais de telefonia.

Sistema simples explica a autonomia

Um sistema como o S30+ exige muito menos do hardware que Android ou iOS. Com apenas 4 MB de RAM e 4 MB de armazenamento, o Nokia 300 Charge estaria longe de rodar qualquer sistema operacional de smartphone moderno.

Essa arquitetura reduzida permite que o aparelho opere com muito menos recursos computacionais do que um smartphone moderno, o que contribui para a proposta de baixo consumo de energia.

A escolha por uma plataforma dessa natureza se encaixa na proposta do aparelho, voltada para funções básicas e baixo gasto de bateria.

Os 40 dias de autonomia em standby, no entanto, não decorrem apenas do sistema operacional. A tela de 2,4 polegadas, o hardware simples e a conectividade limitada a redes 2G também fazem parte do conjunto de características que favorece o baixo consumo.

nokia 300 charge detalhes

S30+, Android, iOS e KaiOS

Os quatro sistemas atendem propósitos diferentes no mercado de celulares. Veja as principais diferenças:

  • Android: sistema do Google usado na maioria dos smartphones, com acesso à Google Play Store e amplo ecossistema de aplicativos;

  • iOS: plataforma da Apple exclusiva para iPhones, com loja de apps própria e integração com o ecossistema da empresa;

  • KaiOS: sistema voltado para feature phones mais avançados, com suporte limitado a aplicativos e a determinados serviços online;

  • S30+: plataforma da HMD para celulares básicos, sem loja de aplicativos e com foco em funções nativas de telefonia.

O Nokia 300 Charge não compete, portanto, com smartphones equipados com Android ou iOS. Ele também difere de feature phones que rodam KaiOS e oferecem algum nível de conectividade com serviços online.

Confira mais informações sobre o Nokia 300 Charge no Canaltech.

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Audio fingerprinting: como o AliExpress usa o sistema de áudio para identificar seu PC

25 August 2026 at 15:01

Uma investigação do site Tom's Hardware encontrou no AliExpress um mecanismo que aparentemente usa o sistema de áudio do navegador para coletar informações sobre o dispositivo do usuário.

O caso veio à tona depois que o desenvolvedor Matt Callaghan percebeu que abrir o site interferia no funcionamento de seus fones de ouvido Bluetooth.

Segundo o relato publicado por Callaghan e reproduzido pelo Tom's Hardware, o recurso multiponto de seus fones parou de funcionar normalmente ao carregar a página inicial do AliExpress no Firefox ou no Chrome.

O áudio do celular deixava de tocar mesmo sem nenhuma reprodução ativa no computador. Fechar a aba resolvia o problema, enquanto silenciar a aba, o navegador ou o próprio Windows não tinha efeito.

O que a investigação encontrou

Callaghan notou que a falha só aparecia depois de a página ficar aberta e ociosa por alguns segundos. A partir disso, ele passou a monitorar a Web Audio API, recurso do navegador usado para gerar e processar sinais de áudio, para identificar o que estava sendo executado em segundo plano.

A apuração identificou dois scripts, chamados “collina.js” e “fireyejs.js”, associados a ferramentas de segurança e antiabuso da Alibaba. Segundo a análise, os scripts criam um grafo de áudio com um oscilador do tipo dente de serra e usam um analisador para medir como esse sinal é processado pelo navegador. Outro trecho de código lê os dados de frequência resultantes.

O ganho de volume é definido como zero, o que significa que não há som audível durante o processo. Mesmo assim, o navegador continua processando o áudio internamente, o que mantém o canal Bluetooth ativo e impede a troca automática entre dispositivos no recurso multiponto.

A investigação também encontrou coleta de outros dados no mesmo conjunto de scripts, como dimensões de tela, memória do dispositivo, plugins instalados, informações de renderização via WebGL, formatos de áudio e vídeo suportados, desempenho do navegador e eventos de mouse. Esses dados seriam serializados, criptografados e enviados aos servidores de telemetria da Alibaba por meio das funções “fetch()” ou “sendBeacon()”, de acordo com o levantamento.

O Tom's Hardware trata o caso como uma alegação baseada na investigação técnica de Callaghan, sem confirmação da Alibaba sobre a finalidade do mecanismo.

fone de ouvido bluetooth e computador

O que é browser fingerprinting

Fingerprinting, ou impressão digital do navegador, é uma técnica que reúne diversas características de um dispositivo e do software usado para acessá-lo com o objetivo de reconhecê-lo em visitas futuras.

A Electronic Frontier Foundation (EFF), organização que mantém o projeto Cover Your Tracks, explica que essas características incluem fuso horário, resolução de tela, fontes instaladas, versão do navegador e configurações de hardware.

Diferentemente dos cookies, que podem ser apagados pelo usuário, o fingerprint combina traços mais difíceis de alterar. Isolada, cada característica costuma dizer pouco. Combinadas, porém, podem formar um conjunto suficientemente específico para diferenciar um navegador entre milhares de outros.

Como o áudio entra nesse processo

O chamado AudioContext fingerprint está entre as características listadas pela própria EFF como parte do conjunto usado para compor uma “impressão digital de navegador”.

A ideia é que pequenas variações na forma como cada combinação de hardware, sistema operacional e navegador processa um sinal de áudio gerado internamente podem produzir resultados levemente diferentes entre dispositivos.

Um estudo publicado em 2019 na revista The Computer Journal, da Oxford Academic, já havia demonstrado esse princípio. Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas usaram a Web Audio API para identificar a classe de um dispositivo a partir de características como tipo de hardware, versão do navegador e motor de renderização.

Uma pesquisa mais recente, publicada como preprint no arXiv, mediu a eficácia real da técnica em cerca de dois mil usuários. O resultado mostrou que o audio fingerprinting sozinho gera poucas variações distintas em comparação com outros métodos de fingerprinting, mas pode agregar valor quando combinado a outras características do navegador.

digital em um computador

Uma peça entre várias

O caso do AliExpress evidencia que é possível extrair características do processamento de áudio de um navegador sem qualquer som perceptível ao usuário, e sem acesso ao microfone ou gravação do que está sendo reproduzido.

Não há indício, nas fontes apuradas, de que o mecanismo capture conversas, identifique o usuário pelo nome ou colete dados pessoais diretos como CPF ou endereço.

O que a investigação de Callaghan documenta é a geração de um sinal de áudio inaudível processado internamente pelo navegador. O código também coleta e envia aos servidores da Alibaba uma série de características técnicas do dispositivo, que podem ser usadas para compor um fingerprint.

Após a repercussão do caso, a Mozilla afirmou nas redes sociais que o Firefox já conta com proteções nativas contra fingerprinting, citando reforços contra técnicas baseadas em Web Audio introduzidos na versão 118 do navegador, lançada em setembro de 2023.

O Brave também afirma bloquear esse tipo de rastreamento por padrão, injetando dados aleatórios na saída de áudio do navegador e reiniciando essa aleatoriedade a cada nova sessão.

Veja no Canaltech como funciona a nova marca d´água "invisível" que a Anthropic começou a inserir em textos feitos pelo Claude.

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Amazon e Twitch são processadas por usar lives sem permissão para treinar IA

25 August 2026 at 13:04

Amazon e Twitch foram alvo de uma ação coletiva movida por um streamer que acusa as empresas de usar transmissões ao vivo para treinar modelos de inteligência artificial sem consentimento. O processo foi apresentado por Warren Pandiscia, streamer de Connecticut, no Tribunal Distrital Norte da Califórnia, segundo informou a Courthouse News.

A ação afirma que Amazon e Twitch coletam conteúdo da plataforma para treinamento de IA desde 2024, mas só comunicaram os usuários sobre essa prática recentemente. Segundo o processo, as empresas trataram os streamers como "estoque gratuito de treinamento" para produtos comerciais de IA, sem licenciamento ou autorização prévia.

Configuração de opt-out gerou críticas

No início de agosto, a Twitch anunciou que passaria a permitir que os criadores optassem por não ter seu conteúdo usado no treinamento de modelos generativos da Amazon. A opção, porém, vem ativada por padrão, exigindo que o usuário a desative manualmente caso não queira participar.

A decisão gerou reação negativa da comunidade de streamers. Durante uma edição do programa Patch Notes, Mike Minton, diretor de produtos da Twitch, respondeu a um espectador que questionava por que a configuração não era opt-in. "Se fosse opt-in, ninguém aceitaria participar. Essa é a resposta, honestamente", afirmou o executivo, conforme registrado pela PCMag.

Minton também declarou não saber ao certo o que a Amazon já fez com os dados coletados antes da liberação da opção de saída, segundo apurou a BBC.

Twitch app 2

Processo alega quebra de contrato implícito

O processo movido por Pandiscia argumenta que Twitch e Amazon quebraram um contrato implícito com os criadores. Embora o conteúdo publicado na plataforma não seja registrado no Escritório de Direitos Autorais dos Estados Unidos, o cadastro na Twitch pressupõe um acordo cujos termos incluem o uso do material dentro do modelo de parceria e compartilhamento de receita divulgado, sem autorizar cópia para fins comerciais não revelados.

A ação também acusa as empresas de práticas "ilegais, injustas e fraudulentas" que teriam causado prejuízo financeiro aos criadores. Pandiscia pede que o caso seja reconhecido como ação coletiva e busca indenização para o grupo de streamers afetados, além de uma ordem judicial que impeça a continuidade da prática.

Segundo a BBC, os streamers da plataforma produziram mais de 215 milhões de horas de conteúdo apenas nos primeiros meses de 2026. Twitch e Amazon ainda não se manifestaram sobre o processo.

Como desativar o treinamento de IA na Twitch

Para bloquear o uso do próprio conteúdo, o usuário precisa acessar Configurações, depois Segurança e Privacidade, e desativar a opção "Training for Generative AI".

A configuração, no entanto, vale apenas para as transmissões do próprio usuário. Caso ele participe do chat em lives de outros streamers, o uso desses dados para treinamento depende da configuração definida por cada canal.

A Twitch pertence à Amazon desde 2014, quando a varejista pagou cerca de US$ 1 bilhão pela plataforma. A empresa tem investido fortemente em inteligência artificial para concorrer com Google, Meta e outras gigantes do setor.

Entenda mais sobre a opção da Twitch de treinar modelos de IA com lives de criadores.

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Quais apps rodam no novo celular da Nokia com bateria de 40 dias?

25 August 2026 at 00:02

O Nokia 300 Charge, celular básico da HMD anunciado com autonomia de até 40 dias em modo de espera, chamou atenção justamente pela promessa incomum em um mercado dominado por smartphones. A bateria de 3.700 mAh também permite recarregar outros aparelhos através de um botão dedicado na lateral.

Mas, com uma bateria de tamanho parecido com as dos smartphones atuais, como o modelo tem muito mais autonomia? A resposta está no sistema operacional e no que roda ou não no celular.

Sistema operacional não é Android

O Nokia 300 Charge roda o S30+, plataforma própria da HMD voltada para feature phones, que são celulares básicos. Segundo a ficha técnica oficial do produto, o sistema foi desenhado para consumir pouca energia, o que ajuda a explicar a autonomia elevada do aparelho.

O S30+ não é Android e também não é KaiOS, sistema usado em outros feature phones que oferecem acesso a uma loja de aplicativos própria. Essa diferença muda a relação do usuário com o aparelho, já que o Nokia 300 Charge não conta com uma loja de apps como a Google Play Store.

Quais recursos vêm no aparelho

A página oficial do Nokia 300 Charge não lista aplicativos modernos instaláveis pelo usuário. O que a HMD detalha são recursos e funções nativas do sistema, já embutidos no aparelho.

Entre esses recursos estão chamadas telefônicas, envio de mensagens de texto, agenda de contatos e uma lanterna de LED que a HMD descreve como até quatro vezes mais potente que a do Nokia 105. A ficha técnica também menciona espaço para software e aplicativos pré-instalados de fábrica, sem detalhar quais são.

Funções como relógio com alarme, calculadora, rádio FM e player de música costumam fazer parte do pacote padrão de feature phones da linha Nokia, embora a HMD não detalhe cada uma delas na página do Nokia 300 Charge. O mesmo vale para jogos simples, recurso que costuma variar conforme a versão regional do aparelho e que também não é confirmado na ficha técnica oficial.

Não há, nas fontes oficiais, qualquer menção a aplicativos como WhatsApp, Instagram, TikTok, Spotify, YouTube, Google Maps ou serviços bancários funcionando no Nokia 300 Charge.

Por isso, o aparelho não deve ser tratado como um smartphone compacto com bateria reforçada, e sim como um celular básico com propósito bem mais restrito.

nokia 300 charge detalhes

Conectividade 2G é limitante

Além da limitação imposta pelo sistema operacional, o Nokia 300 Charge conta apenas com conectividade 2G, nas frequências de 900 MHz e 1800 MHz, segundo a ficha técnica da HMD. Não há suporte a redes 3G, 4G ou 5G.

Essa conectividade reduz de forma significativa qualquer uso de internet móvel no aparelho, já que redes 2G têm velocidade de dados muito inferior à de 4G e 5G. Ainda assim, essa não é a principal razão para a ausência de aplicativos modernos.

O fator determinante é o ecossistema fechado do S30+, que não foi desenvolvido para suportar aplicativos de terceiros baixados pelo usuário. A conectividade 2G funciona como uma limitação adicional, que reforça o caráter básico do aparelho, mas não é a causa isolada da falta de apps.

Com armazenamento interno de apenas 4 MB e RAM também de 4 MB, segundo a ficha técnica oficial, o hardware do Nokia 300 Charge reforça essa proposta. O aparelho foi construído para funções essenciais de telefonia, com autonomia como seu principal diferencial.

Confira mais detalhes do Nokia 300 Charge no Canaltech.

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Cartão 'zumbi': falha permite pagar por aproximação com Visa vencido

24 August 2026 at 23:01

Um cartão Visa vencido pode voltar a funcionar em pagamentos por aproximação, segundo pesquisa apresentada na conferência de cibersegurança Usenix. A falha foi identificada por pesquisadores da Universidade de Massachusetts Amherst e permite que golpistas reutilizem cartões expirados em transações contactless, informou a revista Wired.

A técnica foi batizada pelos próprios pesquisadores de zombificação, numa referência à possibilidade de um cartão fora de validade voltar a ser usado. O problema está na cadeia de autenticação que deveria bloquear cobranças feitas com cartões vencidos.

Risco menos óbvio que o de cartão ativo

Um cartão de crédito ativo já representa risco de fraude assim que é perdido, roubado ou sai das mãos do titular por qualquer motivo. Um cartão vencido, por outro lado, costuma ser descartado sem cuidado, o que o torna um risco menos esperado pelo consumidor.

Basta que o plástico seja encontrado intacto por um golpista para que a zombificação seja possível, segundo os pesquisadores.

O método depende de um aplicativo intermediário instalado em dois celulares. Um deles fica próximo ao cartão vencido e captura seus dados, enquanto o outro retransmite essas informações para o terminal de pagamento no momento da cobrança.

A Visa delega parte da validação dessas transações ao banco emissor do cartão, de acordo com os pesquisadores. Alguns bancos bloqueiam operações feitas com cartões reutilizados dessa forma, mas outros não identificam a irregularidade e liberam o pagamento.

Compra online com cartão de crédito

Risco cresce em terminais sem atendente

Um cartão descartado sem os devidos cuidados pode ser encontrado por terceiros e usado para pagamentos não autorizados na conta do antigo titular. A situação é mais provável em terminais de autoatendimento, onde não há um funcionário para notar o uso de dois celulares durante a compra.

A Visa não respondeu aos pedidos de comentário do site The Register, que também noticiou a pesquisa. A reportagem da Wired não indica se a empresa vai corrigir a falha na cadeia de autenticação identificada pelo estudo.

Cortar o cartão de crédito ao meio antes de descartá-lo impede que seus dados sejam lidos e retransmitidos por um aplicativo intermediário. A medida elimina o risco mesmo em bancos que não bloqueiam a reutilização do cartão vencido.

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