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GPT-5.6 e Claude Fable 5: todas as melhores IAs precisarão de aprovação dos EUA?

O GPT-5.6 Sol, da OpenAI, e o Claude Fable 5, da Anthropic, chegaram ao público depois de uma fiscalização que nenhum modelo de IA havia enfrentado até agora. Os dois foram avaliados pelo governo dos Estados Unidos antes do lançamento amplo, e o Fable 5 chegou a ficar fora do ar por quase três semanas sob controles de exportação impostos pelo Departamento de Comércio estadunidense.

O episódio pode ser uma virada de chave no tratamento dado pelos Estados Unidos a modelos de fronteira, que passaram a ser tratados como ativos ligados à segurança nacional.

O que diferencia esses modelos dos anteriores?

A OpenAI descreve o GPT-5.6 Sol como seu modelo mais potente até hoje. A empresa abandonou a nomenclatura numérica simples e dividiu a nova geração em três níveis: Sol, o modelo principal; Terra, opção intermediária e mais barata; e Luna, voltado a tarefas rápidas.

Segundo a OpenAI, o Sol estabelece um novo recorde no Terminal-Bench 2.1, benchmark de fluxos de programação em linha de comando, e avança em biologia e cibersegurança usando menos tokens do que a versão anterior.

O Claude Fable 5 segue uma lógica parecida. A Anthropic o classifica como um modelo "Mythos-class", nível de capacidade acima da linha Opus, com desempenho de ponta em quase todos os benchmarks testados pela empresa.

Clientes como Stripe e GitHub relataram ganhos expressivos em tarefas de programação de longa duração. O modelo custa US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de saída, menos da metade do preço do Mythos Preview, versão anterior de capacidade equivalente.

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 Mais capacidade, mais fiscalização

O grande ganho de desempenho foi em cibersegurança, área que passou a preocupar autoridades americanas.

A OpenAI afirma que o Sol não ultrapassa o limite que chama de "Cyber Critical" em seu framework interno de segurança, mas reconhece que benchmarks não capturam todas as formas de uso combinado com outras ferramentas.

A Anthropic usa raciocínio semelhante para justificar os classificadores do Fable 5, criados para impedir que o modelo dê vantagem a agentes maliciosos em ataques cibernéticos.

Em 2 de junho, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que criou um processo voluntário de revisão, no qual laboratórios de IA podem compartilhar modelos com o governo até 30 dias antes do lançamento.

GPT-5.6: apuração do governo aconteceu antes do lançamento

A OpenAI confirma que apresentou ao governo os planos e as capacidades do GPT-5.6 antes do anúncio de 26 de junho e que, a pedido da administração, restringiu o acesso inicial a um pequeno grupo de parceiros cujos nomes foram compartilhados com autoridades.

A empresa diz não acreditar que esse acesso governamental deva se tornar padrão de longo prazo, mas afirma ter aceitado o passo como caminho mais rápido para uma disponibilidade mais ampla.

A ampliação teve outro capítulo, relatado pela imprensa e não confirmado oficialmente pela OpenAI. A agência Axios, citando fonte não identificada, informou que o Departamento de Comércio aprovou uma liberação mais ampla do GPT-5.6 após testes adicionais do Center for AI Standards and Innovation, órgão do próprio departamento.

A Casa Branca negou publicamente ter dado qualquer sinal verde à OpenAI, afirmando que esse tipo de permissão não é exigido nem concedido e que decisões sobre lançamentos cabem às empresas. O GPT-5.6 ficou disponível ao público em na última quinta-feira (9).

Claude Fable 5: da suspensão às restrições de exportação

A Anthropic lançou Fable 5 e Mythos 5 em 9 de junho. Três dias depois, o governo aplicou controles de exportação aos dois modelos, exigindo restrição de acesso a cidadãos estrangeiros dentro e fora do país.

Sem forma confiável de verificar nacionalidade em tempo real, a empresa suspendeu o acesso para todos os usuários, inclusive americanos.

Segundo a Anthropic, a medida seguiu um relatório de pesquisadores da Amazon que identificou uma forma de contornar as salvaguardas do Fable 5 ligadas a vulnerabilidades de software.

Testes posteriores mostraram que outros modelos, incluindo o GPT-5.5, reproduziam o mesmo tipo de resposta, o que indicava não se tratar de capacidade exclusiva do Fable 5.

A empresa desenvolveu um novo classificador junto ao governo antes de retomar o serviço em 1º de julho, quando os controles, suspensos em 30 de junho, deixaram de valer. O Mythos 5 teve acesso liberado a organizações americanas em 26 de junho, segundo a própria empresa.

claude fable 5

Soberania tecnológica

Os dois episódios acontecem dentro de um movimento mais amplo de controle estatal sobre IA avançada.

A Anthropic defende publicamente, desde 2025, o fortalecimento de controles de exportação sobre chips e pesos de modelos de IA, posição apresentada formalmente ao Departamento de Comércio como resposta à chamada "regra de difusão", com o argumento de que a vantagem americana em capacidade computacional é central para a segurança nacional frente à China.

A disputa também aparece no plano comercial. A Reuters registrou que o lançamento do GPT-5.6 ocorreu na mesma semana em que a SpaceXAI lançou o Grok 4.5 e a Meta apresentou o Muse Spark 1.1, enquanto desenvolvedores chineses seguem reduzindo o custo de modelos com capacidades competitivas.

No lado chinês, algumas decisões recentes do governo evidenciam a forma como lidam com soberania digital. A Meta, por exemplo, foi impedida de adquirir a Manus AI, empresa chinesa pioneira em IA agêntica.

Essa abordagem será padrão para os próximos lançamentos?

Nem OpenAI nem Anthropic tratam o modelo atual de revisão governamental como definitivo.

A OpenAI diz esperar que o processo evolua para um formato repetível, negociado dentro da ordem executiva de junho. A Anthropic anunciou compromissos mais amplos com o governo, incluindo acesso antecipado a modelos que avancem a fronteira de capacidade e participação em um framework de classificação de gravidade de jailbreaks, desenvolvido junto com Amazon, Microsoft e Google.

Se esse tipo de supervisão vai se repetir a cada novo modelo de ponta depende de como o governo americano formalizar as regras anunciadas em junho.

 

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Intel dispara na Bolsa com maior salto nas vendas em quase 15 anos

A Intel reportou nesta quinta-feira (23) o resultado trimestral mais forte em quase 15 anos, com receita de US$ 16,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 25,4% em relação ao ano anterior. O número superou a estimativa de analistas consultados pela LSEG, de US$ 14,42 bilhões, segundo Reuters e CNBC.

O lucro ajustado por ação também ficou acima do esperado. Foram 42 centavos de dólar, contra a previsão de 21 centavos.

As ações da fabricante de chips subiram 5,2% após a divulgação do balanço, de acordo com a Reuters, embora tenham recuado durante o pregão de sexta-feira, caindo mais de 4%.

Para o terceiro trimestre, a Intel projeta receita entre US$ 15,8 bilhões e US$ 16,8 bilhões, acima da média de US$ 15,1 bilhões esperada pelo mercado. O lucro ajustado por ação previsto é de 38 centavos, também superior à estimativa de 27 centavos.

O que está por trás do resultado

O avanço da Intel está ligado à demanda por infraestrutura de inteligência artificial, principalmente pela chamada IA agêntica, em que sistemas autônomos executam tarefas como programação sem intervenção humana constante. Esse movimento tem elevado os pedidos por processadores de data center.

A receita da divisão de data center e IA somou US$ 6,26 bilhões no trimestre, um salto de 59% na comparação anual.

O CFO David Zinsner afirmou que a empresa está com restrição de oferta, já que os clientes de data center pedem mais chips do que a Intel consegue produzir no momento.

Para conter esse gargalo, a companhia fechou dez acordos de longo prazo com clientes para fornecimento de CPUs e chips especializados chamados XPUs, com duração de três a cinco anos. Parte desses contratos já trava preços, enquanto outros garantem apenas volume de compra.

Intel panther lake

A divisão de computadores pessoais também cresceu, com receita de US$ 8,88 bilhões, alta de 13%. Zinsner explicou que o volume de unidades vendidas caiu, mas o preço médio subiu, já que a Intel priorizou chips voltados a dispositivos de ponta. A empresa prevê vendas estáveis de PCs no terceiro trimestre por causa da escassez de memória que afeta o setor.

O negócio de manufatura sob encomenda, a chamada foundry, faturou US$ 5,77 bilhões, crescimento de 31%. A Tesla se tornou cliente do processo de fabricação 14A, ainda em desenvolvimento, para o projeto de chip de IA batizado de "Terafab". O CEO Lip-Bu Tan afirmou que a Intel está "totalmente comprometida" com a produção em larga escala dessa tecnologia a partir de 2028.

A margem bruta ajustada da empresa também recuou seu porte anterior de crise: passou de 2,5% no mesmo período do ano passado para 42% agora. A Intel atribui a melhora ao ganho de escala com o aumento de receita e à venda de chips com margens mais altas.

Diante do cenário de demanda, a companhia elevou sua previsão de investimentos para este ano de US$ 18 bilhões para US$ 20 bilhões, com aumento adicional esperado para 2027. As ações da Intel acumulam alta de mais de 170% em 2026, mesmo após recuarem 28% neste mês.

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Instagram vai banir quem usar óculos da Meta para gravar pessoas sem autorização

O Instagram passará a banir contas que usam os óculos inteligentes da Meta para gravar pessoas sem autorização e publicar o conteúdo na rede social. O anúncio partiu do chefe da plataforma, Adam Mosseri, durante uma sessão de perguntas nos Stories na semana passada, segundo reportagem do Business Insider.

Mosseri afirmou que vídeos que tirem vantagem de outras pessoas ou as assediem serão removidos, com destaque para os chamados "vídeos de cantada" gravados com os óculos equipados com inteligência artificial da Meta.

"Não queremos que as pessoas filmem outras pessoas escondido e depois publiquem isso na nossa plataforma", disse o executivo.

Criadores que reincidirem correrão o risco de perder a conta.

Duas contas com mais de 1 milhão de seguidores já saíram do ar

A Meta confirmou ao Business Insider que ao menos duas contas do Instagram voltadas a vídeos de abordagem gravados com os óculos foram desativadas por violarem a política de assédio da rede. Ambas tinham mais de 1 milhão de seguidores.

Um porta-voz da empresa reforçou que perfis que descumprem repetidamente as regras têm o acesso removido.

Os perfis @itspolokid e @rizzzcam, citados pela revista Wired em março em uma reportagem sobre o fenômeno apelidado de "Meta creeps", não aparecem mais na plataforma. Os dois eram apontados como exemplos recorrentes de vídeos em que homens abordam mulheres em público sem o consentimento delas para serem filmadas.

Apelidos negativos

A prática deu aos óculos da Meta apelidos como "pervert glasses" e "predator glasses" — óculos de pevertido e de predador sexual, em inglês, respectivamente —, conforme aponta o Gizmodo.

O veículo lista casos recentes de atletas expulsos de competições e de usuários que responderam a processos criminais por gravações feitas com o dispositivo. O estado americano de Nova York também proibiu o uso dos óculos em tribunais.

Parte do desconforto vem da dificuldade de identificar quando o aparelho está gravando. Um pequeno LED indica a captura de vídeo, mas o Engadget mostra que muitos usuários furaram, cobriram ou modificaram essa luz para gravar sem que as pessoas ao redor percebessem.

A Meta reagiu bloqueando as funções de câmera de aparelhos com o indicador adulterado, medida que já havia sido adotada antes do banimento de contas no Instagram.

meta rayban

E no Brasil?

A nova regra do Instagram vale para qualquer usuário da plataforma, o que inclui contas brasileiras que também produzem conteúdo do tipo "pegadinha" ou abordagem filmado às escondidas.

A legislação brasileira já trata a gravação e a divulgação de imagem sem consentimento como uma questão sensível. A Constituição garante o direito à imagem como inviolável, e o Código Civil prevê reparação para quem tem a imagem exposta sem autorização e de forma a causar constrangimento

A Lei Geral de Proteção de Dados também classifica imagens de pessoas identificáveis como dado pessoal, o que pode gerar responsabilização adicional para quem grava e publica esse tipo de conteúdo sem consentimento, independentemente da política interna do Instagram.

Meta já pensa no próximo modelo

A Gizmodo observa que a mudança na política de assédio ocorre poucos dias depois de um relatório indicar que a Meta trabalha em uma nova geração de óculos capaz de gravar o ambiente ao redor sem exibir nenhum aviso luminoso visível.

A empresa não detalhou como pretende conciliar esse projeto com o discurso público contra o uso abusivo do recurso de câmera.

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