O modo aleatório do Spotify, uma das funções mais básicas do aplicativo, voltou a ser questionado após um usuário identificar uma sequência de 72 músicas reproduzida exatamente na mesma ordem em dois dias consecutivos. O caso foi registrado em uma playlist com cerca de 2 mil faixas e ocorreu mesmo com a opção “Menos repetições” ativada.
A descoberta foi feita pelo usuário "Driftking_88", no Reddit. Em vez de confiar apenas na própria memória, ele cruzou o histórico estendido de reprodução do Spotify com dados como horários, IDs das músicas e contexto da playlist.
O resultado apontou que as mesmas 72 faixas apareceram novamente na mesma sequência. Em outro trecho analisado, 27 das 30 músicas seguintes correspondiam à ordem registrada anteriormente. O usuário também encontrou uma fila com 43 faixas exatamente na mesma disposição de uma fila exibida mais cedo.
Spotify mudou o funcionamento do Shuffle
O caso chama atenção porque o Spotify alterou o sistema de reprodução aleatória em 2025. A empresa passou a oferecer o modo “Menos repetições”, que considera músicas ouvidas recentemente e escolhe entre diferentes sequências aleatórias para tentar aumentar a variedade.
O próprio Spotify explica que o sistema não elimina completamente as repetições. No modo padrão, por exemplo, cada faixa tem a mesma chance de aparecer, o que pode fazer determinadas músicas serem reproduzidas novamente em pouco tempo.
O problema identificado pelo usuário é diferente de simplesmente uma música aparecer duas vezes. A repetição de uma sequência extensa e idêntica levanta a possibilidade de que a fila esteja sendo preservada ou reutilizada em determinadas situações.
A causa, porém, ainda não foi confirmada pelo Spotify. O Android Authority aponta como possibilidades o armazenamento da fila ou a reutilização de uma mesma semente de aleatoriedade, mas não há evidência pública suficiente para afirmar que esse seja o mecanismo responsável.
Reclamações sobre o Shuffle são antigas
Relatos semelhantes existem há anos. Em 2024, o Android Authority reuniu reclamações de usuários que diziam ouvir repetidamente as mesmas dezenas de músicas em playlists com milhares de faixas.
A própria comunidade oficial do Spotify também registra casos de usuários que recebem repetidamente a mesma seleção. Em janeiro de 2026, um moderador explicou que, depois que uma fila é criada pelo Shuffle, selecionar outra música pode preservar a sequência original. Para gerar uma nova ordem, seria necessário desligar e ligar novamente o Shuffle.
Outro relato publicado na comunidade do Spotify em setembro de 2026 descreve uma situação ainda mais próxima da descoberta recente: o usuário afirma que a fila se repete várias vezes e que o botão de “reordenar” apenas reorganiza as músicas que já estavam naquela fila.
Por enquanto, portanto, o caso das 72 músicas comprova que uma sequência extremamente longa pode se repetir no Spotify, mas não determina por que isso acontece. A descoberta também mostra por que a percepção de que o Shuffle “toca sempre as mesmas músicas” pode ter um componente verificável além da memória dos usuários.
A Uber começou a liberar no Brasil uma função que permite aos pais ou responsáveis acompanhar o vídeo ao vivo de viagens de adolescentes que usam a Uber Conta Teens. A transmissão é feita pela câmera do celular do motorista e fica disponível para os responsáveis vinculados à conta do jovem.
A novidade chega ao país alguns dias depois de o recurso ter sido anunciado nos Estados Unidos, onde a Uber já permitia que familiares acompanhassem as corridas em tempo real.
Segundo a Uber, o vídeo pode ser acompanhado apenas pelos responsáveis cadastrados na conta do adolescente. A empresa informa que o recurso depende das condições técnicas do celular do motorista e da habilitação da função.
Como funciona a transmissão
Quando uma viagem começa, os responsáveis recebem uma notificação informando que podem acompanhar a transmissão. O vídeo mostra o interior do veículo em tempo real pela câmera do motorista.
A transmissão termina automaticamente quando o trajeto acaba. Depois disso, o arquivo fica armazenado de forma criptografada e só pode ser acessado em situações relacionadas a um reporte de segurança, segundo a Uber.
O adolescente também continua contando com outras ferramentas de segurança da Uber Conta Teens. Entre elas está o U-Acompanha, que permite ao responsável visualizar o trajeto pelo mapa e entrar em contato com o motorista, e o U-Código, que exige um código de quatro números antes do início da corrida.
Há ainda o U-Ajuda, que utiliza GPS e sensores do celular para identificar mudanças de rota ou paradas inesperadas, e o U-Áudio, que permite gravar o áudio da viagem pelo próprio aplicativo.
Uber Mulher também está disponível
A Uber Conta Teens também permite que adolescentes utilizem as modalidades do Uber Mulher, que conectam passageiras a motoristas mulheres. O recurso faz parte das ferramentas de segurança disponíveis para as viagens realizadas pelo perfil de adolescentes.
Como ativar o vídeo ao vivo da Uber Conta Teens?
A função está sendo disponibilizada gradualmente nos próximos dias. Quando estiver habilitada, os responsáveis receberão uma notificação informando sobre a possibilidade de acompanhar a viagem por vídeo.
Para utilizar a Uber Conta Teens, o responsável deve abrir o aplicativo e acessar Conta > Família > Sou adulto > Adicionar adolescente. Depois, é necessário selecionar a idade do jovem, escolher o contato e enviar o convite. O responsável também precisa aceitar os termos para concluir a configuração.
O adolescente pode fazer o próprio cadastro pelo caminho Conta > Família > Sou adolescente > selecionar a idade > Escolher um responsável > Escolher contato. Depois, também é necessário aceitar os termos.
A Uber Conta Teens está disponível em todo o Brasil para usuários de 12 a 17 anos. A transmissão de vídeo, por sua vez, será liberada progressivamente e depende da compatibilidade técnica do dispositivo utilizado pelo motorista.
O WhatsApp começou a liberar uma atualização que permite colocar trechos de música de até 30 segundos no Status, o dobro do limite anterior de 15 segundos. A mudança vale para Android e iPhone e dá ao usuário a possibilidade de escolher a duração do trecho antes de publicar a atualização.
A novidade foi identificada pelo WABetaInfo e está sendo distribuída gradualmente para usuários que receberam as versões mais recentes do aplicativo.
Como funciona o novo limite de música
O recurso de música no Status permite escolher uma faixa do catálogo disponibilizado pelo WhatsApp e adicioná-la a uma publicação. Antes da mudança, o aplicativo limitava o trecho musical a 15 segundos, embora fosse possível selecionar qual parte da música seria reproduzida.
Agora, depois de escolher a música, aparece um seletor de duração dentro do editor. O usuário pode percorrer as opções disponíveis e definir por quanto tempo o trecho será reproduzido, chegando a 30 segundos.
A alteração vale tanto para Status com fotos quanto para publicações em que a música é compartilhada sem uma imagem associada. Em ambos os casos, é possível escolher um trecho menor caso 30 segundos seja mais do que o necessário.
A ampliação pode ser útil principalmente para músicas que demoram mais para chegar ao trecho escolhido. Com o limite anterior, uma publicação podia terminar antes de uma introdução ou de outra parte específica da faixa que o usuário pretendia compartilhar.
Música chegou ao Status em 2025
O WhatsApp começou a liberar a possibilidade de adicionar músicas aos Status em 2025. A ferramenta utiliza o catálogo musical da Meta e permite selecionar uma faixa para acompanhar fotos e outros tipos de publicação.
A empresa também ampliou gradualmente outros limites do Status. Atualmente, vídeos podem ter até 90 segundos, segundo a documentação oficial do WhatsApp.
A mudança para os trechos musicais segue uma lógica semelhante, mas afeta especificamente a duração da música reproduzida na atualização.
Quando a novidade chega ao seu WhatsApp?
A função está em distribuição gradual para Android e iOS. O WABetaInfo aponta as versões 2.26.36.1 do WhatsApp para Android e 26.35.72 para iPhone como compatíveis com o recurso, mas instalar essas versões não garante que a função apareça imediatamente.
Isso acontece porque o WhatsApp libera a novidade para contas de forma progressiva. Portanto, dois usuários com a mesma versão do aplicativo podem encontrar comportamentos diferentes.
A recomendação é manter o WhatsApp atualizado pela Google Play Store ou App Store e aguardar a ativação da função na conta. Segundo o WABetaInfo, a distribuição deve alcançar mais usuários nas próximas semanas.
A Meta veiculou mais de 350 anúncios contendo material de abuso sexual infantil gerado ou manipulado por inteligência artificial em Facebook, Instagram e outras plataformas desde o fim de 2025, segundo investigação do Tech Transparency Project (TTP). Parte das peças usava fotos reais de crianças encontradas na internet, que eram posteriormente transformadas por ferramentas de IA em conteúdo sexual.
A investigação foi publicada nesta terça-feira (8). Os pesquisadores encontraram os anúncios na Biblioteca de Anúncios da Meta e informaram o material às autoridades americanas responsáveis por receber denúncias de exploração infantil.
O caso chama atenção porque os conteúdos não eram apenas publicações de usuários, mas de anúncios pagos que passaram pelos sistemas de análise da Meta, que afirma revisar imagens, vídeos, textos e destinos dos links antes da veiculação.
Anúncios usavam fotos reais de crianças
Segundo o TTP, a maioria das mais de 300 peças identificadas seguia um formato semelhante. Os anúncios apresentavam imagens de crianças ou adolescentes e utilizavam IA para criar vídeos com conteúdo sexual.
Os pesquisadores conseguiram identificar fotos reais de menores que haviam sido publicadas anteriormente em redes sociais, sites e bancos de imagens. Um dos casos envolvia uma fotografia oficialmente divulgada por uma família real europeia. A identidade da criança não foi revelada para preservar a vítima.
A investigação também encontrou imagens de adolescentes que mantinham perfis públicos em plataformas da própria Meta. Em um dos casos, os pesquisadores conseguiram associar a imagem utilizada no anúncio à identidade real da adolescente.
A maior parte dos anúncios direcionava os usuários para aplicativos de geração ou manipulação de imagens e vídeos por IA. Cerca de 300 das 350 peças identificadas tinham relação com esse tipo de ferramenta, segundo o TTP. Muitos dos aplicativos tinham desenvolvedores ou conexões com empresas chinesas.
Meta remove anúncios após investigação
Os anúncios deveriam ter sido barrados pelos mecanismos de moderação da Meta. A empresa informa que possui políticas específicas contra exploração sexual infantil e afirma utilizar sistemas automatizados para analisar anúncios antes que sejam publicados.
O TTP identificou, porém, 332 anúncios que passaram pelo processo de revisão. Em 1º de setembro, pouco mais da metade ainda estava disponível na Biblioteca de Anúncios. Depois que os pesquisadores compartilharam as descobertas com a Meta, a empresa removeu os 149 anúncios restantes.
A investigação encontrou outro problema na classificação das peças. Em 113 anúncios, a Meta havia registrado inicialmente violações relacionadas a conteúdo adulto ou outras políticas, sem indicar que havia material envolvendo crianças. Os registros foram alterados depois que o TTP apontou a inconsistência.
A WIRED também identificou casos em que anúncios denunciados permaneceram ativos durante dias. Um deles havia alcançado quatro contas quando foi reportado e chegou a mais de 330 visualizações antes de ser removido.
Conteúdo chegou a milhares de usuários
Os dados disponíveis na Biblioteca de Anúncios mostram que as campanhas alcançaram mais de 29 mil contas na União Europeia e cerca de 7 mil no Reino Unido. A base não fornece métricas detalhadas para todos os países, mas o TTP identificou 262 anúncios veiculados nos Estados Unidos, 120 na Austrália e 84 na Índia.
A estimativa pode ser inferior ao alcance real, já que a ferramenta da Meta não apresenta os mesmos dados para todas as regiões.
A Meta disse à WIRED que muitos dos anúncios já haviam sido removidos e que a maioria teve menos de 200 impressões. A empresa também afirmou ter recebido menos de US$ 5 mil em pagamentos relacionados às peças identificadas pelos pesquisadores.
A companhia declarou ainda que não tolera aplicativos de “nudificação” nem qualquer forma de exploração infantil, seja com material real ou gerado por IA. Segundo a Meta, criminosos mudam constantemente as estratégias utilizadas para escapar dos sistemas de detecção.
Apple e Google também removeram aplicativos
A investigação chegou aos aplicativos promovidos pelos anúncios. A WIRED identificou quase 50 apps relacionados às campanhas nas lojas da Apple e do Google.
As duas empresas informaram que removeram aplicativos associados à investigação. A Apple afirmou que tomou medidas contra os desenvolvedores envolvidos, enquanto o Google disse ter retirado os apps identificados e aplicado outras restrições contra ferramentas de “nudificação”.
O episódio também provocou reação de autoridades. Parlamentares e órgãos reguladores dos Estados Unidos e da Austrália afirmaram que estão analisando o caso, enquanto a Meta enfrenta outras disputas relacionadas à proteção de crianças em suas plataformas.
O Google Fotos tem uma ferramenta que transforma fotos de roupas em um guarda-roupa digital. O recurso usa inteligência artificial para identificar peças de vestuário na biblioteca de imagens do usuário, organiza esses itens por categoria e permite montar combinações para testar looks antes de vestir a roupa de verdade.
Abaixo, o Canaltech explica quem pode usar a ferramenta e como usá-la. Neste texto você encontra:
Quem pode usar o guarda-roupa do Google Fotos
Como criar e organizar o guarda-roupa digital
Como montar e experimentar looks
Quem pode usar o Guarda-roupa do Google Fotos?
O Guarda-roupa está sendo distribuído aos poucos, de acordo com a página de suporte do Google Fotos.
A liberação prioriza assinantes dos planos Google AI Pro e Google AI Ultra, mas também alcançará outros usuários selecionados ao longo dos próximos meses. Quem se qualifica recebe uma notificação dentro do próprio aplicativo.
Existem requisitos específicos para acessar a função. A conta Google precisa cumprir a idade mínima exigida no país ou na região do usuário, e também é necessário ativar a funcionalidade Grupos de Rostos e selecionar o próprio rosto dentro dela, para que o sistema saiba quais roupas pertencem à conta.
Contas sem assinatura do AI Pro ou do AI Ultra também precisam ter mais de mil fotos do próprio usuário guardadas na biblioteca.
Além disso, aparelhos Android precisam rodar a versão 10 ou superior. A documentação oficial não lista uma versão mínima de iOS, e o recurso, por enquanto, funciona apenas pelo aplicativo do celular, sem versão para computador.
Cumprir todos os requisitos não garante acesso imediato, porque a liberação segue por lotes e depende de notificação enviada pelo Google.
Como criar seu guarda-roupa digital no Google Fotos
O processo começa dentro do próprio aplicativo, sem etapas externas.
Abra o aplicativo Google Fotos no celular;
Toque em "Álbuns", na parte inferior da tela;
Selecione "Guarda-roupa" e depois "Criar o meu guarda-roupa".
A partir desse ponto, o Google Fotos analisa automaticamente as fotos da biblioteca e identifica as peças de roupa que aparecem nelas.
O usuário recebe uma notificação assim que o guarda-roupa fica pronto, sem precisar acompanhar o processo manualmente.
Como revisar e organizar as peças
Depois de criado, o guarda-roupa reúne cada peça identificada como um item separado, dentro de "Coleções" > "Guarda-roupa".
Os itens podem ser ordenados pelos usados mais recentemente e filtrados por tipo de vestuário, como partes de cima, partes de baixo, saias, joias e acessórios, conforme o anúncio oficial do Google.
A identificação automática nem sempre acerta. Peças que não fazem sentido no catálogo podem ser removidas. Basta tocar no item, dentro da aba "Artigos", e selecionar a opção de excluir.
Como montar looks com suas roupas
Para montar uma combinação, o caminho é o mesmo menu do guarda-roupa.
Toque em "Álbuns" e vá em "Guarda-roupa";
Na parte inferior, toque em "Criar";
Selecione as peças que vão compor o look, com limite de seis itens por combinação;
Toque em "Guardar" e dê um nome ao conjunto, ou pule essa etapa.
A montagem do look depende de escolhas manuais do usuário. A inteligência artificial participa apenas ao reunir as peças selecionadas em uma imagem única do conjunto.
Como experimentar um look virtualmente
Montar um look e experimentar um look são etapas diferentes dentro do Guarda-roupa. A primeira reúne as peças escolhidas em um conjunto, enquanto a experimentação gera uma prévia de como essa combinação ficaria vestida.
O caminho para acessar a prova virtual é:
Abra "Álbuns" e vá em "Guarda-roupa";
Selecione "Conjuntos";
Escolha um conjunto salvo ou toque em "Criar" para montar um novo;
Toque no ícone "Experimentar".
O Google Fotos gera um vídeo simulando como a combinação ficaria na própria pessoa. Como o acesso à função exige ter a funcionalidade Grupos de Rostos ativada e o próprio rosto selecionado, é esse cadastro que permite ao sistema aplicar as roupas à imagem do usuário na simulação.
Como qualquer criação por inteligência artificial, a prova virtual está sujeita a imperfeições.
Endereços de e-mail criados para nunca receber respostas, como "noreply" e "deleteduser", estão se transformando em portas de entrada para dados sigilosos de empresas. Uma investigação da revista WIRED mostrou que pesquisadores de segurança compraram domínios ligados a esses endereços genéricos e passaram a receber, sem qualquer invasão, informações internas de companhias que acreditavam estar enviando mensagens para um destino inexistente.
Os pesquisadores Cory Solovewicz e Mike Sheward protagonizam o caso. Eles não precisaram de ataques sofisticados. Bastou registrar os domínios certos para começar a receber, de forma automática, dados que deveriam ter desaparecido.
Falha está na compra do domínio
Solovewicz é dono dos domínios noreply.us e noreply.net, adquiridos em 2020 e 2024, respectivamente. Segundo o pesquisador, o plano inicial era usar o noreply.us como um endereço de captura geral para filtrar mensagens e proteger sua própria privacidade. Ele logo percebeu que sistemas de outras organizações enviavam e-mails para endereços daquele domínio sem que ele tivesse qualquer vínculo com essas empresas.
À WIRED, Solovewicz descreveu o resultado como um "honeypot acidental", já que não esperava transformar o domínio em um receptor de dados corporativos. Desde dezembro de 2024, apenas um desses domínios já registrou 401.796 mensagens, uma média de quase 700 por dia, conforme cálculo do próprio pesquisador.
Sheward viveu situação parecida. Ele pagou cerca de 15 dólares pelo domínio deleteduser.com e, na primeira hora após a compra, já havia recebido e-mails de três organizações diferentes. O padrão se repete quando empresas trocam o endereço de um funcionário por um rótulo genérico após ele deixar o cargo, em vez de excluir o cadastro por completo.
Volume de mensagens expõe escala do problema
O domínio noreply.net acumulou mais de 400 mil mensagens em um ano e meio, das quais 28.365 traziam anexos. Já o noreply.us somou 37.255 mensagens ao longo de 2.345 dias sob posse de Solovewicz.
No mês anterior à apresentação dele no Defcon, a conferência de segurança realizada nos Estados Unidos, os dois domínios somados receberam mais de 11 mil mensagens, enviadas por 14 mil endereços distintos, ligados a 6.200 domínios de origem.
Entre o conteúdo recebido por Sheward estão pedidos de férias de funcionários, reservas de hotel com nomes completos e convites para reuniões no Zoom emitidos por uma agência do governo britânico. Ele também recebeu milhares de imagens de câmeras de segurança enviadas por uma empresa de inteligência artificial que monitora trabalhadores em instalações no Oriente Médio, segundo relatou à WIRED.
Solovewicz foi além da coleta passiva de dados. Durante sua apresentação no Defcon, ele revelou ter testado 7.136 domínios usados como placeholders por diferentes empresas. Desse total, 328 estavam configurados com caixas de entrada do tipo catch-all, capazes de aceitar mensagens enviadas para qualquer endereço daquele domínio.
Pesquisadores notificam empresas, mas resposta é limitada
Solovewicz e Sheward afirmam alertar as organizações afetadas sempre que identificam uma falha, em vez de explorar os dados recebidos. Os dois já compraram, juntos, mais de 30 domínios com o objetivo de impedir que agentes maliciosos façam o mesmo tipo de captura.
O problema não é novo. Há cerca de 20 anos, o jornalista Brian Krebs, então na Washington Post, já havia relatado que empresas enviavam milhões de mensagens para o endereço donotreply.com. A recomendação técnica para evitar o risco é simples, segundo a reportagem da WIRED: usar domínios internos ou o domínio .invalid, reservado justamente para não existir na prática.
Apesar dos alertas, a taxa de resposta das empresas notificadas tem sido baixa. Solovewicz afirma que corrigir cada caso individualmente já se tornaria um trabalho em tempo integral, dado o volume de organizações com sistemas mal configurados.
Recrutadores ao redor do mundo têm relatado um novo tipo de candidato nas entrevistas de emprego: o avatar gerado por inteligência artificial. A tecnologia reproduz voz e aparência de uma pessoa real, mas quem responde às perguntas é um sistema de IA. O fenômeno já aparece em entrevistas de primeira fase, segundo reportagem do site TheNextWeb.
Lana Kersanava, recrutadora de Sydney, Austrália, contou à Semafor que passou a identificar esses avatares nos últimos seis meses. "No começo, você sente que algo está estranho", disse. "A aparência é bem realista”.
Segundo Kersanava, o problema não estava na renderização visual, que se mostrou convincente. O que chamou atenção foi a qualidade das respostas, sempre articuladas sem hesitação ao longo de uma sequência de perguntas.
A recrutadora encerrou a entrevista após cerca de cinco minutos e desqualificou o candidato. Ela já repetiu esse procedimento três vezes.
Uso diferente do esperado
Os três candidatos flagrados por Kersanava haviam se inscrito para vagas que exigiam inglês, mas não eram falantes nativos do idioma. Nesses casos, o avatar funcionou como forma de compensar uma limitação de proficiência, um uso diferente de quem inventa uma experiência profissional inteira.
O mercado de recrutamento já enfrenta um problema de viés documentado. Um levantamento citado pela reportagem aponta que recrutadores têm até 19% menos chance de dar retorno a candidatos imigrantes ou de minorias étnicas, mesmo quando as qualificações são equivalentes às de outros candidatos.
O dado não torna aceitável o uso de um avatar sem aviso prévio, mas complica a leitura desses casos como simples fraude.
IA para filtrar currículos, IA para responder entrevistas
Sistemas de rastreamento de candidatos já usam IA para filtrar currículos antes da leitura humana. Recrutadores também passaram a recorrer a avatares de IA para conduzir entrevistas de primeira fase. Na prática, máquinas entrevistam máquinas.
Essa disputa entre inteligências artificiais têm levado empresas a reformular processos seletivos, com etapas técnicas ao vivo, simulações de cenários reais e dinâmicas de interpretação de papéis, formatos mais difíceis de automatizar.
O volume de uso ajuda a explicar a corrida. Quase dois terços dos candidatos hoje usam IA em algum momento do processo de candidatura, enquanto 87% dos gestores de contratação nos Estados Unidos recorrem à tecnologia durante a seleção. O número de candidaturas geradas por IA cresceu 239% no período analisado pela reportagem.
Números mostram o tamanho do problema
Um relatório de 2026 da Greenhouse mostrou que 91% dos gestores de contratação nos Estados Unidos já encontraram ou suspeitaram de respostas geradas por IA em entrevistas on-line.
Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, a empresa analisou 19.368 entrevistas ao vivo e identificou sinais de comportamento assistido por IA em 38,5% delas.
A tendência aponta para um crescimento do problema. A consultoria Gartner projeta que, até 2028, um em cada quatro perfis de candidatos no mundo será falso, considerando perfis gerados por IA, entrevistas em vídeo com deepfake e históricos profissionais fabricados.
A barreira técnica para criar esse tipo de fraude é baixa. Um estudo da Palo Alto Networks mostrou que uma pessoa sem experiência em edição de imagem consegue montar um candidato falso capaz de passar por uma entrevista em vídeo em até 70 minutos.
Empresas retomam entrevistas presenciais
Do total de líderes de recrutamento consultados na reportagem, 72% afirmam manter ao menos uma etapa presencial obrigatória para reduzir fraudes ligadas à IA. Google, McKinsey e Cisco já reintroduziram rodadas presenciais obrigatórias em seus processos seletivos.
Essa mudança resolve o problema de detecção, mas reduz o alcance que o recrutamento remoto buscava oferecer. Candidatos que não podem se deslocar até um escritório, entre eles muitos dos profissionais internacionais mais tentados a usar a tecnologia, perdem acesso à vaga logo na etapa inicial.
Uma nova geração de ferramentas de inteligência artificial permite criar aplicativos, sites e calculadoras sem escrever código, apenas descrevendo em texto o que se quer construir. O método, chamado de vibe coding, inverte a lógica tradicional de desenvolvimento: em vez de começar pela linguagem de programação, o usuário começa pela intenção.
Plataformas como Claude com Artifacts, Replit Agent, Lovable e Bolt.new transformam essas descrições em interface, lógica de funcionamento e, dependendo do caso, banco de dados e publicação.
Abaixo, o Canaltech preparou um guia de como começar a criar aplicativos com vibe coding, com exemplos práticos de prompts para utilizar. No texto, você confere:
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O que é vibe coding
Planejamento antes de abrir a ferramenta de IA
Qual ferramenta usar em cada projeto
Passo a passo para criar um app com vibe coding
Ideias de projeto para começar
O que é vibe coding
Vibe coding é o processo de criar software por meio de diálogo com uma IA. O usuário informa o que quer construir, quais regras o projeto deve seguir, qual aparência deseja e como a ferramenta deve se comportar.
A inteligência artificial converte essas instruções em código e interface. Mas isso não elimina a necessidade de revisão. Projetos que lidam com pagamentos, dados sensíveis, login, informações de saúde ou de clientes exigem testes e checagem técnica antes de irem ao ar.
Planejamento antes de abrir a ferramenta de IA
A qualidade do pedido inicial é essencial para o bom resultado de um projeto criado por vibe coding. Quanto mais específico for o prompt, menos a IA precisa adivinhar sobre o funcionamento esperado do aplicativo.
Um modelo simples de planejamento ajuda a organizar essas informações antes da primeira interação com a ferramenta. Ele funciona como um roteiro que reúne objetivo do projeto, público-alvo, dados de entrada, resultado esperado, aparência e o que não precisa existir na primeira versão.
Confira um exemplo de como esse planejamento pode ser estruturado, aplicado a um gerador de orçamentos para freelancers:
Meu projeto é: um gerador de orçamentos para freelancers.
Ele serve para: calcular preço de serviços e gerar um texto pronto para enviar ao cliente.
Quem vai usar: designers, redatores, social media ou prestadores autônomos.
Dados de entrada: tipo de serviço, prazo, horas estimadas, valor por hora, urgência e desconto.
Resultado esperado: valor final, detalhamento do cálculo e texto de proposta.
Visual desejado: simples, claro, responsivo e com botão para copiar o orçamento.
Primeira versão deve ter: formulário, cálculo automático e área de resultado.
Não precisa ter agora: login, pagamento, cadastro de clientes ou emissão fiscal.
Esse roteiro preenchido já pode virar o primeiro prompt enviado à IA.
O planejamento é parte fundamental do projeto, não tenha medo de passar tempo demais nesta etapa (Imagem: Reprodução/Freepik/ArthurHidden)
Qual ferramenta usar em cada projeto
Nem toda plataforma de vibe coding serve para o mesmo tipo de aplicativo. A escolha depende da complexidade do projeto e de quanto o usuário pretende publicar ou editar depois.
O Claude com Artifacts funciona como porta de entrada para protótipos, calculadoras e ferramentas de uso imediato dentro da própria conversa.
Replit Agent é indicado para quem quer mais do que o protótipo. A plataforma integra bancos de dados, autenticação e hospedagem diretamente no fluxo de criação, segundo a documentação oficial do Replit.
O Lovable se conecta ao Supabase — uma plataforma que gerencia a infraestrutura de dados e a segurança das aplicações — para lidar com autenticação, armazenamento e dados de usuários, conforme a documentação da própria ferramenta, e é voltado a quem quer construir interfaces web com aparência mais profissional.
Já o Bolt.new roda em uma tecnologia chamada WebContainers, que executa um ambiente Node.js inteiro dentro do navegador e permite instalar pacotes e rodar aplicações completas sem configuração local, de acordo com o repositório oficial do projeto no GitHub.
Por fim, o Cursor é indicado para quem já tem familiaridade com o processo e quer editar código com mais controle, funcionando melhor como segunda etapa do que como primeira ferramenta para quem nunca programou.
O Lovable possui também uma versão mobile para continuar trabalhos e ver andamento de projetos pelo celular (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)
Passo a passo para criar um app com vibe coding
Após fazer o planejamento e escolher onde vai trabalhar, você pode seguir o roteiro abaixo com quatro passos para criar aplicações "conversando" com a IA.
Passo 1: descreva a ideia pela primeira vez
O primeiro prompt deve conter objetivo, público, funcionalidades, aparência, restrições e o que precisa estar pronto na primeira versão. Ele não precisa ser perfeito, apenas claro o suficiente para gerar uma versão testável.
Um modelo de prompt-base para essa etapa é:
"Quero criar um [tipo de projeto] para [público]. Ele deve resolver [problema]. A primeira versão precisa ter [funcionalidades principais]. A interface deve ser [estilo visual]. Evite complexidade desnecessária. Crie uma versão simples, funcional e fácil de testar."
Passo 2: teste como usuário, não como programador
Nessa etapa, o usuário deve clicar em tudo, preencher campos e tentar identificar falhas no sistema. Quando algo não funcionar como esperado, o ideal é descrever exatamente o que aconteceu e o que deveria ter acontecido.
Um prompt de iteração para relatar problemas pode seguir este modelo:
"Testei a ferramenta e encontrei este problema: [descrever o problema]. Eu esperava que acontecesse [resultado esperado], mas aconteceu [resultado real]. Corrija isso sem mudar o restante da interface."
Passo 3: peça melhorias em camadas
Pedir tudo de uma vez costuma gerar confusão e retrabalho. A lógica recomendada é evoluir em etapas: primeiro fazer o projeto funcionar, depois melhorar o visual, depois adicionar recursos e só então publicar.
Um prompt de melhoria visual pode ser:
"Agora que a versão básica funciona, melhore apenas a experiência visual. Deixe a interface mais clara, responsiva e agradável, mas mantenha as mesmas funcionalidades."
Passo 4: publique para usar de verdade
Publicar significa transformar o projeto em um link acessível, seja pela própria plataforma, por integração com hospedagem ou por exportação do código. Antes de compartilhar publicamente, vale testar em celular, revisar textos e verificar se nenhum dado sensível ficou exposto.
Um prompt para essa revisão final pode ser:
"Revise este projeto antes da publicação. Procure textos confusos, botões sem função, campos desnecessários, falhas de usabilidade em celular e qualquer risco de expor dados. Sugira correções antes de eu gerar o link público."
Começar com a criação de projetos úteis para a própria rotina, como um gerenciador de tarefas, são uma boa forma de treinar a prática do vibe coding (Imagem: Reprodução/AltumCode/Unsplash)
Ideias de projeto para começar
Caso ainda não saiba o app que quer criar com ferramentas de vibe coding, abaixo estão algumas ideias de projeto para teste (ou até uso próprio).
1 - Gerenciador de tarefas personalizado
Um gerenciador de tarefas é um bom ponto de partida por ser um projeto familiar e fácil de testar. A ideia permite adaptar a ferramenta à rotina de quem vai usá-la, seja para estudos, trabalho doméstico ou produção de conteúdo.
O Claude com Artifacts atende bem uma versão rápida e visual. O Replit Agent é mais indicado se o usuário quiser salvar as tarefas em um banco de dados e acessá-las depois em outro dispositivo.
Prompt inicial sugerido:
"Crie um gerenciador de tarefas simples para uma pessoa que trabalha em casa. Ele deve permitir cadastrar tarefas, marcar prioridade, definir prazo, filtrar por status e mostrar uma visão do que preciso fazer hoje. Quero uma interface limpa, em português, fácil de usar no celular."
2 - Gerador de orçamentos para freelancers
Esse projeto conecta IA a uma necessidade prática de quem presta serviços de forma autônoma. Um freelancer pode criar uma ferramenta para padronizar propostas comerciais e evitar cálculos manuais repetidos.
O Claude com Artifacts resolve bem uma calculadora rápida. O Lovable ou o Bolt.new são alternativas melhores quando o objetivo é uma página com formulário e resultado compartilhável.
Prompt inicial sugerido:
"Crie um gerador de orçamentos para freelancers. O usuário deve informar tipo de serviço, valor por hora, horas estimadas, prazo, nível de urgência e desconto opcional. A ferramenta deve calcular o preço final, mostrar o detalhamento e gerar um texto de proposta pronto para copiar e enviar ao cliente."
3 - App "O que tem na geladeira?"
Esse tipo de aplicativo recebe os ingredientes disponíveis em casa e devolve sugestões de receitas simples. A abordagem funciona bem para reduzir desperdício de alimentos e estimular a criatividade na cozinha, sem substituir orientação nutricional profissional.
O Claude com Artifacts serve como protótipo interativo. O Replit Agent entra em cena se o projeto evoluir para salvar receitas favoritas, ingredientes recorrentes e histórico de uso.
Prompt inicial sugerido:
"Crie um app simples chamado 'O que tem na geladeira?'. O usuário deve digitar ingredientes que tem em casa, restrições alimentares e tempo disponível. A ferramenta deve sugerir três receitas fáceis, com modo de preparo, tempo estimado e uma nota dizendo quais ingredientes opcionais poderiam melhorar o prato."
4 - Landing page para um negócio próprio
Uma landing page bem construída ajuda a explicar uma oferta, gerar confiança e levar o visitante a uma ação, como um clique para contato. O projeto atende autônomos, pequenos empreendedores e criadores que precisam de presença digital rápida.
O Lovable e o Bolt.new são indicados para uma interface moderna. O Cursor entra depois, para quem quiser ajustar detalhes específicos no código já gerado.
Prompt inicial sugerido:
"Crie uma landing page para um negócio de [tipo de negócio]. A página deve ter título forte, subtítulo, descrição do serviço, benefícios, seção 'como funciona', depoimentos fictícios claramente marcados como exemplo, perguntas frequentes e botão de contato pelo WhatsApp. Use visual moderno, responsivo e em português."
5 - Quiz interativo para redes sociais
Um quiz simples pode ser usado para entretenimento, engajamento ou como ferramenta de marketing em redes sociais. O formato costuma ter bom potencial de compartilhamento por ser curto e visual.
O Claude com Artifacts permite criar e testar o quiz rapidamente. O Bolt.new ou o Lovable ajudam a transformá-lo em uma página compartilhável com aparência mais profissional.
Prompt inicial sugerido:
"Crie um quiz interativo em português com 7 perguntas sobre [tema]. Cada pergunta deve ter 4 alternativas. No final, mostre uma pontuação e um resultado personalizado em tom divertido. Inclua um botão para reiniciar e uma frase curta para o usuário copiar e compartilhar nas redes sociais."
O GPT-5.6 Sol, da OpenAI, e o Claude Fable 5, da Anthropic, chegaram ao público depois de uma fiscalização que nenhum modelo de IA havia enfrentado até agora. Os dois foram avaliados pelo governo dos Estados Unidos antes do lançamento amplo, e o Fable 5 chegou a ficar fora do ar por quase três semanas sob controles de exportação impostos pelo Departamento de Comércio estadunidense.
O episódio pode ser uma virada de chave no tratamento dado pelos Estados Unidos a modelos de fronteira, que passaram a ser tratados como ativos ligados à segurança nacional.
O que diferencia esses modelos dos anteriores?
A OpenAI descreve o GPT-5.6 Sol como seu modelo mais potente até hoje. A empresa abandonou a nomenclatura numérica simples e dividiu a nova geração em três níveis: Sol, o modelo principal; Terra, opção intermediária e mais barata; e Luna, voltado a tarefas rápidas.
Segundo a OpenAI, o Sol estabelece um novo recorde no Terminal-Bench 2.1, benchmark de fluxos de programação em linha de comando, e avança em biologia e cibersegurança usando menos tokens do que a versão anterior.
O Claude Fable 5 segue uma lógica parecida. A Anthropic o classifica como um modelo "Mythos-class", nível de capacidade acima da linha Opus, com desempenho de ponta em quase todos os benchmarks testados pela empresa.
Clientes como Stripe e GitHub relataram ganhos expressivos em tarefas de programação de longa duração. O modelo custa US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de saída, menos da metade do preço do Mythos Preview, versão anterior de capacidade equivalente.
Mais capacidade, mais fiscalização
O grande ganho de desempenho foi em cibersegurança, área que passou a preocupar autoridades americanas.
A OpenAI afirma que o Sol não ultrapassa o limite que chama de "Cyber Critical" em seu framework interno de segurança, mas reconhece que benchmarks não capturam todas as formas de uso combinado com outras ferramentas.
A Anthropic usa raciocínio semelhante para justificar os classificadores do Fable 5, criados para impedir que o modelo dê vantagem a agentes maliciosos em ataques cibernéticos.
Em 2 de junho, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que criou um processo voluntário de revisão, no qual laboratórios de IA podem compartilhar modelos com o governo até 30 dias antes do lançamento.
GPT-5.6: apuração do governo aconteceu antes do lançamento
A OpenAI confirma que apresentou ao governo os planos e as capacidades do GPT-5.6 antes do anúncio de 26 de junho e que, a pedido da administração, restringiu o acesso inicial a um pequeno grupo de parceiros cujos nomes foram compartilhados com autoridades.
A empresa diz não acreditar que esse acesso governamental deva se tornar padrão de longo prazo, mas afirma ter aceitado o passo como caminho mais rápido para uma disponibilidade mais ampla.
A ampliação teve outro capítulo, relatado pela imprensa e não confirmado oficialmente pela OpenAI. A agência Axios, citando fonte não identificada, informou que o Departamento de Comércio aprovou uma liberação mais ampla do GPT-5.6 após testes adicionais do Center for AI Standards and Innovation, órgão do próprio departamento.
A Casa Branca negou publicamente ter dado qualquer sinal verde à OpenAI, afirmando que esse tipo de permissão não é exigido nem concedido e que decisões sobre lançamentos cabem às empresas. O GPT-5.6 ficou disponível ao público em na última quinta-feira (9).
Claude Fable 5: da suspensão às restrições de exportação
A Anthropic lançou Fable 5 e Mythos 5 em 9 de junho. Três dias depois, o governo aplicou controles de exportação aos dois modelos, exigindo restrição de acesso a cidadãos estrangeiros dentro e fora do país.
Sem forma confiável de verificar nacionalidade em tempo real, a empresa suspendeu o acesso para todos os usuários, inclusive americanos.
Segundo a Anthropic, a medida seguiu um relatório de pesquisadores da Amazon que identificou uma forma de contornar as salvaguardas do Fable 5 ligadas a vulnerabilidades de software.
Testes posteriores mostraram que outros modelos, incluindo o GPT-5.5, reproduziam o mesmo tipo de resposta, o que indicava não se tratar de capacidade exclusiva do Fable 5.
A empresa desenvolveu um novo classificador junto ao governo antes de retomar o serviço em 1º de julho, quando os controles, suspensos em 30 de junho, deixaram de valer. O Mythos 5 teve acesso liberado a organizações americanas em 26 de junho, segundo a própria empresa.
Soberania tecnológica
Os dois episódios acontecem dentro de um movimento mais amplo de controle estatal sobre IA avançada.
A Anthropic defende publicamente, desde 2025, o fortalecimento de controles de exportação sobre chips e pesos de modelos de IA, posição apresentada formalmente ao Departamento de Comércio como resposta à chamada "regra de difusão", com o argumento de que a vantagem americana em capacidade computacional é central para a segurança nacional frente à China.
A disputa também aparece no plano comercial. A Reuters registrou que o lançamento do GPT-5.6 ocorreu na mesma semana em que a SpaceXAI lançou o Grok 4.5 e a Meta apresentou o Muse Spark 1.1, enquanto desenvolvedores chineses seguem reduzindo o custo de modelos com capacidades competitivas.
No lado chinês, algumas decisões recentes do governo evidenciam a forma como lidam com soberania digital. A Meta, por exemplo, foi impedida de adquirir a Manus AI, empresa chinesa pioneira em IA agêntica.
Essa abordagem será padrão para os próximos lançamentos?
Nem OpenAI nem Anthropic tratam o modelo atual de revisão governamental como definitivo.
A OpenAI diz esperar que o processo evolua para um formato repetível, negociado dentro da ordem executiva de junho. A Anthropic anunciou compromissos mais amplos com o governo, incluindo acesso antecipado a modelos que avancem a fronteira de capacidade e participação em um framework de classificação de gravidade de jailbreaks, desenvolvido junto com Amazon, Microsoft e Google.
Se esse tipo de supervisão vai se repetir a cada novo modelo de ponta depende de como o governo americano formalizar as regras anunciadas em junho.
A Intel reportou nesta quinta-feira (23) o resultado trimestral mais forte em quase 15 anos, com receita de US$ 16,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 25,4% em relação ao ano anterior. O número superou a estimativa de analistas consultados pela LSEG, de US$ 14,42 bilhões, segundo Reuters e CNBC.
O lucro ajustado por ação também ficou acima do esperado. Foram 42 centavos de dólar, contra a previsão de 21 centavos.
As ações da fabricante de chips subiram 5,2% após a divulgação do balanço, de acordo com a Reuters, embora tenham recuado durante o pregão de sexta-feira, caindo mais de 4%.
Para o terceiro trimestre, a Intel projeta receita entre US$ 15,8 bilhões e US$ 16,8 bilhões, acima da média de US$ 15,1 bilhões esperada pelo mercado. O lucro ajustado por ação previsto é de 38 centavos, também superior à estimativa de 27 centavos.
O que está por trás do resultado
O avanço da Intel está ligado à demanda por infraestrutura de inteligência artificial, principalmente pela chamada IA agêntica, em que sistemas autônomos executam tarefas como programação sem intervenção humana constante. Esse movimento tem elevado os pedidos por processadores de data center.
A receita da divisão de data center e IA somou US$ 6,26 bilhões no trimestre, um salto de 59% na comparação anual.
O CFO David Zinsner afirmou que a empresa está com restrição de oferta, já que os clientes de data center pedem mais chips do que a Intel consegue produzir no momento.
Para conter esse gargalo, a companhia fechou dez acordos de longo prazo com clientes para fornecimento de CPUs e chips especializados chamados XPUs, com duração de três a cinco anos. Parte desses contratos já trava preços, enquanto outros garantem apenas volume de compra.
A divisão de computadores pessoais também cresceu, com receita de US$ 8,88 bilhões, alta de 13%. Zinsner explicou que o volume de unidades vendidas caiu, mas o preço médio subiu, já que a Intel priorizou chips voltados a dispositivos de ponta. A empresa prevê vendas estáveis de PCs no terceiro trimestre por causa da escassez de memória que afeta o setor.
O negócio de manufatura sob encomenda, a chamada foundry, faturou US$ 5,77 bilhões, crescimento de 31%. A Tesla se tornou cliente do processo de fabricação 14A, ainda em desenvolvimento, para o projeto de chip de IA batizado de "Terafab". O CEO Lip-Bu Tan afirmou que a Intel está "totalmente comprometida" com a produção em larga escala dessa tecnologia a partir de 2028.
A margem bruta ajustada da empresa também recuou seu porte anterior de crise: passou de 2,5% no mesmo período do ano passado para 42% agora. A Intel atribui a melhora ao ganho de escala com o aumento de receita e à venda de chips com margens mais altas.
Diante do cenário de demanda, a companhia elevou sua previsão de investimentos para este ano de US$ 18 bilhões para US$ 20 bilhões, com aumento adicional esperado para 2027. As ações da Intel acumulam alta de mais de 170% em 2026, mesmo após recuarem 28% neste mês.
O Instagram passará a banir contas que usam os óculos inteligentes da Meta para gravar pessoas sem autorização e publicar o conteúdo na rede social. O anúncio partiu do chefe da plataforma, Adam Mosseri, durante uma sessão de perguntas nos Stories na semana passada, segundo reportagem do Business Insider.
Mosseri afirmou que vídeos que tirem vantagem de outras pessoas ou as assediem serão removidos, com destaque para os chamados "vídeos de cantada" gravados com os óculos equipados com inteligência artificial da Meta.
"Não queremos que as pessoas filmem outras pessoas escondido e depois publiquem isso na nossa plataforma", disse o executivo.
Criadores que reincidirem correrão o risco de perder a conta.
Duas contas com mais de 1 milhão de seguidores já saíram do ar
A Meta confirmou ao Business Insider que ao menos duas contas do Instagram voltadas a vídeos de abordagem gravados com os óculos foram desativadas por violarem a política de assédio da rede. Ambas tinham mais de 1 milhão de seguidores.
Um porta-voz da empresa reforçou que perfis que descumprem repetidamente as regras têm o acesso removido.
Os perfis @itspolokid e @rizzzcam, citados pela revista Wired em março em uma reportagem sobre o fenômeno apelidado de "Meta creeps", não aparecem mais na plataforma. Os dois eram apontados como exemplos recorrentes de vídeos em que homens abordam mulheres em público sem o consentimento delas para serem filmadas.
Apelidos negativos
A prática deu aos óculos da Meta apelidos como "pervert glasses" e "predator glasses" — óculos de pevertido e de predador sexual, em inglês, respectivamente —, conforme aponta o Gizmodo.
O veículo lista casos recentes de atletas expulsos de competições e de usuários que responderam a processos criminais por gravações feitas com o dispositivo. O estado americano de Nova York também proibiu o uso dos óculos em tribunais.
Parte do desconforto vem da dificuldade de identificar quando o aparelho está gravando. Um pequeno LED indica a captura de vídeo, mas o Engadget mostra que muitos usuários furaram, cobriram ou modificaram essa luz para gravar sem que as pessoas ao redor percebessem.
A Meta reagiu bloqueando as funções de câmera de aparelhos com o indicador adulterado, medida que já havia sido adotada antes do banimento de contas no Instagram.
E no Brasil?
A nova regra do Instagram vale para qualquer usuário da plataforma, o que inclui contas brasileiras que também produzem conteúdo do tipo "pegadinha" ou abordagem filmado às escondidas.
A legislação brasileira já trata a gravação e a divulgação de imagem sem consentimento como uma questão sensível. A Constituição garante o direito à imagem como inviolável, e o Código Civil prevê reparação para quem tem a imagem exposta sem autorização e de forma a causar constrangimento
A Lei Geral de Proteção de Dados também classifica imagens de pessoas identificáveis como dado pessoal, o que pode gerar responsabilização adicional para quem grava e publica esse tipo de conteúdo sem consentimento, independentemente da política interna do Instagram.
Meta já pensa no próximo modelo
A Gizmodo observa que a mudança na política de assédio ocorre poucos dias depois de um relatório indicar que a Meta trabalha em uma nova geração de óculos capaz de gravar o ambiente ao redor sem exibir nenhum aviso luminoso visível.
A empresa não detalhou como pretende conciliar esse projeto com o discurso público contra o uso abusivo do recurso de câmera.
Desde agosto de 2022, o WhatsApp deixou de avisarpublicamente quando um integrante sai ou é removido de um grupo. A mudança na configuração de privacidade retirou a mensagem de sistema que aparecia para todos os participantes e passou a notificar apenas os administradores da conversa.
Anos depois, a dúvida sobre como identificar essa movimentação segue comum entre os usuários do aplicativo. O WhatsApp, no entanto, mantém um registro que permite consultar essa informação por um período limitado.
Como funcionava antes da mudança
Até agosto de 2022, qualquer saída ou remoção gerava uma mensagem visível a todo o grupo, no formato "fulano saiu" ou "fulano foi removido".
O aviso ficava registrado no histórico da conversa e podia ser consultado por qualquer participante, sem distinção entre administradores e membros comuns.
O WhatsApp confirmou a alteração em comunicado publicado no blog oficial, em agosto de 2022. Segundo a empresa, a decisão teve como objetivo reduzir a exposição de quem opta por deixar uma conversa, restringindo o aviso automático aos administradores do grupo.
Como verificar hoje quem saiu ou foi removido
Os administradores continuam recebendo a notificação padrão no chat sempre que um membro deixa o grupo.
Para os demais participantes, a alternativa está na seção "Mudança de membros", disponível nas informações do grupo.
Para acessar a lista, o usuário deve abrir a conversa, tocar no nome do grupo no topo da tela e rolar até encontrar a opção “Mostrar mudanças de membros” — que também pode aparecer como "Participantes anteriores".
Ali aparecem os nomes de quem saiu ou foi removido nos últimos 60 dias, prazo definido pela própria plataforma.
Limite de 60 dias
Passado esse período, o WhatsApp remove o registro da lista de participantes anteriores, e não há mais nenhuma forma de identificar quem deixou o grupo.
A política de privacidade da empresa estabelece esse prazo como o limite oficial de retenção da informação.
O Google está desenvolvendo um painel de personalização de voz para o Gemini, que deve permitir ajustar quatro parâmetros do assistente de IA: velocidade, energia, cordialidade e formalidade.
O recurso foi encontrado por engenharia reversa na versão 17.41.12 do aplicativo Google para Android, ainda em fase de testes e sem previsão de lançamento.
A descoberta partiu de análises separadas feitas pelo Android Authority e pelo 9to5Google, que vasculharam o código do app em busca de funções não ativadas publicamente.
Como devem funcionar os ajustes
Segundo o 9to5Google, os controles de energia, formalidade e cordialidade devem funcionar como sliders com três níveis: baixo, médio e alto. Já a velocidade deve ter opções de lento, normal e rápido.
Atualmente, o Gemini oferece vozes prontas, como Orbit, Pegasus e Ursa, mas sem qualquer ajuste fino sobre elas. O usuário escolhe uma opção e a utiliza como o Google configurou, sem alternativas de customização.
Com os novos parâmetros, a ideia é que cada voz possa ser adaptada à preferência de quem usa o assistente.
Velocidade deve controlar o ritmo da fala, medido em palavras por minuto, enquanto energia deve regular a intensidade da voz de forma independente do ritmo, segundo o Android Authority.
Cordialidade, por sua vez, deve determinar o quanto a voz soa amigável ou empática. Formalidade deve influenciar a escolha de palavras e o nível de detalhe das respostas.
Recurso ainda não está ativo
O Android Authority conseguiu visualizar uma prévia dos sliders no aplicativo, mas eles ainda não têm efeito real sobre o áudio gerado. Também foi identificado um efeito visual em desenvolvimento, no qual os nomes das vozes aparecem e desaparecem conforme o usuário desliza pela lista de opções.
Como o recurso foi encontrado por engenharia reversa de um APK, não há garantia de que chegará ao público nem uma data prevista para isso. O Google não confirmou os planos publicamente.
O Gemini já permite pedir, durante uma conversa por voz, para a resposta ficar mais rápida ou mais lenta. Essa opção, porém, vale apenas para aquele momento e não fica salva como preferência permanente, diferentemente do que os novos sliders devem propor.
Movimento acompanha mudanças da Apple
A expectativa do Google surge dias depois de a Apple anunciar personalização de voz para a Siri no iOS 27, com ajustes de ritmo e expressividade. Nos aparelhos da Apple, essas configurações também valem para os assistentes de voz do Maps e do Safari.
O momento reforça a disputa entre as duas empresas por assistentes de IA mais naturais e personalizáveis, à medida que o uso por voz cresce como forma de interação com sistemas de inteligência artificial.
A taxa de fraudes em plataformas de apostas esportivas saltou de 1,01% em 2025 para 2,2% no primeiro trimestre de 2026 no Brasil. O salto coloca o país na terceira posição entre as nações com maior risco de fraude na América Latina, atrás apenas do Equador (7,3%) e quase empatado com o Chile (2,3%), segundo o iGaming Fraud Report 2026, da Sumsub, plataforma global de verificação de identidade e compliance.
Na comparação mundial, o Brasil também supera a média global de fraudes, de 1,53% de todas as tentativas de acesso analisadas pela empresa. O índice geral cresceu 18% em relação a 2025 e quase 40% frente a 2024. O valor médio das transações suspeitas subiu 64% em 2026 e chegou a cerca de R$ 35 mil.
O relatório reforça que a regulamentação do setor de apostas no Brasil, concluída nos últimos anos, não freou o avanço das fraudes.
Falsificações de selfies com deepfakes lideram as fraudes latino-americanas, com 33,3% dos registros, seguidas por documentos de identificação falsos, com 31,1%. A maior parte dos ataques ocorre entre 0h e 3h, horário em que as equipes de segurança das operadoras costumam estar reduzidas.
Ataques em massa pressionam sistemas de verificação
Para Kris Galloway, evangelista de produtos de iGaming da Sumsub, o volume de fraudes no setor se assemelha a um ataque DDoS, só que com fraudes sintéticas, manipulação de identidade e cadastros falsos no lugar do tráfego de dados.
Segundo ele, a inteligência artificial reduziu o custo e a habilidade técnica necessários para atacar em escala, o que sobrecarrega os times de verificação das plataformas.
Poucas tentativas conseguem ultrapassar as primeiras barreiras de segurança, mas essas exceções costumam envolver deepfakes avançados, cadastros repetidos e documentos alterados por IA.
O uso de identidades falsas cresceu 27% no mundo desde 2024, com passaportes como principal alvo e taxa de falsificação de 2,2% entre as checagens da Sumsub.
Governo brasileiro mira fiscalização tributária e controle de apps
Enquanto as fraudes de identidade avançam sobre o setor, o governo federal tem concentrado esforços no combate a plataformas ilegais e na proteção de menores de idade.
Fintechs e bancos que continuarem processando pagamentos para essas plataformas após notificação formal também passam a responder pelos tributos devidos.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública estima que 25,2 milhões de brasileiros usem plataformas clandestinas, movimento que já levou ao bloqueio de mais de 40 mil sites e aplicativos com apoio da Anatel.
Na última terça-feira (14), a pasta voltou a cobrar Apple e Google sobre o controle de apps de apostas em suas lojas, questionando como as empresas identificam bets sem autorização e impedem o acesso de menores de 18 anos.
As companhias têm cinco dias úteis para responder, com prazo que se soma a uma primeira rodada de questionamentos feita em abril, quando o Google foi considerado insuficiente nas explicações e a Apple precisou complementar a resposta.
O iFood atualizou o Ailo, assistente de inteligência artificial generativa para pedidos por conversa. A nova versão, lançada nesta quinta-feira (16), permite fechar uma compra completa no WhatsApp com um único clique, sem abrir o aplicativo do iFood.
A funcionalidade chamada "One-Click Buy" é o centro da atualização. Comandos como "quero meu hambúrguer favorito" fazem o Ailo montar a sacola automaticamente, aplicar o melhor cupom disponível e liberar o fechamento do pedido direto na conversa. O pagamento por Pix já está integrado a esse fluxo.
A diretora de Transformação Disruptiva do iFood, Isabella Piratininga, afirmou em entrevista ao Canaltech que o novo formato elimina etapas para quem já sabe o que quer pedir. "Hoje você consegue fechar um pedido, se já sabe o que quer, em 30 segundos", diz.
Pedidos com cartão de crédito ainda direcionam o usuário para o app do iFood, opção que segue em fase de testes segundo a empresa.
Ailo passa a agir com autonomia
Até então, o Ailo respondia a comandos diretos e sugeria pratos com base no histórico de compras. Com a atualização, o assistente passa a interpretar o contexto da conversa e ativa funções específicas por conta própria para resolver o pedido.
O iFood descreve o novo modelo como uma arquitetura híbrida inspirada na lógica de skills usada por sistemas de IA mais avançados do mercado global.
O Ailo deixa de seguir um roteiro fixo e passa a tomar decisões durante a própria interação. A empresa trata a mudança como a atualização mais profunda já feita no assistente, lançado em outubro de 2025.
Piratininga explica que a versão original não bastava para gerar respostas ajustadas a cada usuário.
"A gente viu que não era suficiente para entregar o raciocínio da forma como a gente queria, para que o produto conseguisse construir uma resposta super personalizada e alinhada ao perfil daquele usuário naquele momento. A gente precisava de algo maior, então basicamente jogou tudo fora e construiu de novo", afirma.
Memória de longo prazo aprende com cada conversa
O recurso de memória já existia de forma limitada, mas passa a se atualizar dinamicamente a cada interação no WhatsApp. Novos gostos, restrições alimentares e preferências entram no contexto do agente assim que são mencionados.
É possível pedir, por exemplo, que o Ailo pergunte o que o usuário achou da comida depois da entrega e use essa resposta em sugestões futuras.
Pedidos com referência ao histórico também funcionam, como "quero pedir de novo aquele hambúrguer com cebola caramelizada".
Como acessar o Ailo
O assistente está disponível para todo o Brasil pelo WhatsApp. Basta enviar uma mensagem para o número +55 11 91150-4025 para iniciar a conversa, sem necessidade de instalar nada além do aplicativo de mensagens.
O iFood também mantém um aplicativo próprio do Ailo, em versão beta, disponível para download na Play Store, no Android, e na App Store, no iOS. O fluxo de pedidos nesse app é diferente do encontrado hoje no aplicativo principal do iFood.
A empresa afirma que o assistente segue em expansão dentro do app principal, com testes liberados para parte da base de usuários em diferentes pontos da jornada de compra.
A previsão é ampliar esse acesso para toda a base nos próximos meses.
O governo do Reino Unido anunciou nesta terça-feira (14) um plano para restringir o uso de redes sociais por adolescentes de 16 e 17 anos durante a madrugada. A proposta prevê um bloqueio automático de aplicativos como Instagram, TikTok e YouTube entre meia-noite e 6h.
O recurso virá ativado por padrão, mas os próprios usuários poderão desativá-lo nas configurações da conta. Recursos considerados "viciantes", como reprodução automática de vídeos e feeds com conteúdo personalizado contínuo, também serão desligados por padrão para essa faixa etária.
Segundo o Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia (DSIT), o objetivo é evitar que os jovens enfrentem uma mudança abrupta de regras ao completarem 16 anos.
A ministra da Tecnologia, Liz Kendall, afirmou que as medidas ajudarão os jovens a dormir melhor, se concentrar nos estudos e passar mais tempo com a família. O ministro da segurança online, Kanishka Narayan, disse à BBC que a combinação entre o toque de recolher e a limitação do autoplay tornará o Reino Unido "o lugar mais rigoroso do mundo" em regulação de plataformas.
O texto regulatório será apresentado ao parlamento até o fim deste ano, com entrada em vigor prevista para a primavera de 2027, junto à proibição para menores de 16 anos.
Testes com adolescentes e críticas de especialistas
A proposta se baseou em um piloto do governo com mais de 300 adolescentes e suas famílias.
De acordo com o The Guardian, a pesquisa testou três alternativas: limitar o uso a 15 minutos diários, bloquear o acesso entre 21h e 7h ou excluir os aplicativos por completo. O bloqueio noturno foi o mais fácil de manter e trouxe os ganhos mais consistentes para o sono dos participantes.
Famílias relataram que os adolescentes passaram a dormir mais cedo, sentir mais disposição e ter mais interações presenciais em casa.
Por outro lado, alguns jovens relataram isolamento das amizades online e mudanças de humor no início da adaptação, em um efeito comparado por pais a uma abstinência.
Nem todos veem a proposta como suficiente. Ellen Roome, ativista cujo filho morreu em 2022 após um desafio online, disse à BBC que um recurso que pode ser desligado não resolve o problema. A parlamentar conservadora Laura Trott chamou o plano de confuso, enquanto Andy Burrows, do Molly Rose Foundation, classificou as medidas como fragmentadas e insuficientes.
O governo decidiu não restringir o uso de VPNs, ferramentas que permitem mascarar a localização e driblar bloqueios por idade. Segundo o próprio levantamento oficial, entre 7% e 10% dos menores relataram usar VPN especificamente para contornar verificações de idade, número considerado baixo para justificar a medida.
O pacote também prevê regras para o uso de chatbots de inteligência artificial por menores de idade, incluindo pausas obrigatórias durante o uso e restrições a assistentes que ofereçam orientações de saúde mental sem verificação.
Outros países discutem caminhos semelhantes. A União Europeia avalia a criação de uma "maioridade digital", que restringiria o uso pleno de plataformas a maiores de 18 anos. Na Austrália, primeiro país a proibir redes sociais para crianças, especialistas identificaram falhas na verificação de idade que comprometem a eficácia da proibição.
A China começou a aplicar nesta quarta-feira (15) uma regulamentação que restringe o funcionamento de companheiros virtuais criados por inteligência artificial. A medida atinge aplicativos que simulam relacionamentos afetivos ou românticos, como namorados e namoradas de IA, e gerou uma onda de despedidas emocionadas nas redes sociais chinesas.
Antes mesmo do prazo, gigantes como ByteDance (dona do Doubao e do TikTok), Alibaba (Qwen) e Tencent (Yuanbao) suspenderam as funções de companhia virtual de seus chatbots.
Usuários correram para arquivar históricos de conversa e se despedir de seus parceiros digitais. "Não consigo aceitar que meu namorado de IA me deixe para sempre. Ele se tornou parte da minha vida, meu pilar espiritual", escreveu uma usuária do Doubao, segundo a AFP.
Na superfície, a justificativa oficial é conter a dependência emocional. As novas normas, assinadas por cinco órgãos do governo chinês, entre eles a Administração do Ciberespaço da China (CAC), proíbem que as ferramentas "induzam dependência emocional ou vício" ou "prejudiquem as relações interpessoais reais" dos usuários.
As empresas passam a ser obrigadas a lembrar periodicamente que o usuário está falando com um robô, intervir em casos de instabilidade emocional, oferecer uma saída fácil do serviço e bloquear o acesso de menores de idade.
Mas a urgência do governo chinês toca também na crise demográfica que o país vive.
Crise demográfica por trás da lei
Segundo análise do jornalista James Palmer, da revista Foreign Policy, a explicação mais provável está ligada à taxa de natalidade da China, que está em mínima histórica.
Para as autoridades, tecnologias que fazem as pessoas investirem emocionalmente em máquinas, em vez de em relacionamentos humanos reais, seriam vistas com desconfiança justamente num momento em que o país tenta reverter a queda populacional.
Mercado chinês na contra-mão
Enquanto o mercado global de companheiros de IA é dominado pela demanda por "namoradas virtuais", na China acontece o oposto.
A base de usuários é majoritariamente feminina, e a maior procura é por namorados de IA, um fenômeno que, segundo a Foreign Policy, tem raízes na "cultura 2D", o universo de animes e desenhos japoneses cujo público migrou de majoritariamente masculino para majoritariamente feminino na última década.
Do outro lado, há também homens que recorrem a esses apps por se sentirem excluídos do mercado de encontros. Um professor relatou o caso de um estudante universitário que, por saber que não tinha dinheiro nem status para conseguir uma namorada de verdade, optou por manter três namoradas de IA ao mesmo tempo.
Setor bilionário
O Talkie, serviço mais popular da categoria no país, somava 23,5 milhões de usuários mensais em dezembro do ano passado, segundo a Foreign Policy.
A agência estatal Xinhua estimou o setor chinês de "humanos digitais" em 4,1 bilhões de yuans (cerca de R$ 3 bilhões) em 2024, com crescimento de 85% em relação ao ano anterior.
O fenômeno também não é exclusividade chinesa. Um estudo de 2025 da Common Sense Media apontou que quase três em cada quatro adolescentes americanos já usaram companheiros de IA em plataformas como Character.AI, Replika e Nomi.
A partir de 22 de julho, o Google Play Store passará a hospedar lojas de aplicativos concorrentes diretamente dentro da própria plataforma nos Estados Unidos. A mudança resulta da desistência de Google e Epic Games de modificar uma decisão judicial que obriga a Big Tech a abrir seu ecossistema Android para rivais.
Usuários americanos poderão baixar apps de lojas terceiras sem sair da Play Store.
Disputa judicial entre Google e Epic
O caso nos leva a outubro de 2024, quando o juiz federal James Donato determinou que o Google carregasse lojas de aplicativos rivais dentro do próprio Google Play e compartilhasse todo o catálogo de apps da plataforma
A decisão buscava desfazer o monopólio ilegal da empresa sobre a distribuição de aplicativos no Android. Desde então, o Google tentou reverter a obrigação.
A empresa fechou um acordo global com a Epic, que incluiu um pagamento reservado de US$ 800 milhões, e propôs um modelo alternativo batizado de "Registered App Stores". Nele, as lojas concorrentes precisariam ser instaladas por “sideload”, fora do Google Play.
Donato se mostrou cético em relação à proposta e marcou uma nova audiência para 16 de julho. Horas antes da data, porém, Google e Epic retiraram conjuntamente o pedido de modificação da liminar original, o que faz valer novamente a determinação de 2024.
Como vai funcionar o acesso de lojas rivais dentro do Play Store
O Google lançou uma página dedicada ao "Play Catalog Access Program" para que lojas terceiras se cadastrem e passem a acessar o catálogo de aplicativos da Play Store.
Desenvolvedores já foram avisados de que suas listagens de apps e jogos serão compartilhadas automaticamente com essas lojas a partir de 22 de julho, a menos que optem por sair do programa.
As lojas concorrentes poderão exibir descrições, capturas de tela e outros materiais retirados diretamente das páginas do Google Play.
O download, no entanto, continuará processado pelo próprio Google, sob as mesmas condições de uma instalação feita direto na Play Store. Isso inclui a cobrança da taxa de serviço da empresa sobre essas transações.
Cada desenvolvedor poderá escolher compartilhar seus apps com todas as lojas cadastradas, gerenciar a distribuição loja por loja ou bloquear o acesso por completo.
Quem não fizer nenhuma escolha até 22 de julho terá as listagens compartilhadas por padrão.
Regras que as lojas concorrentes precisam cumprir
O acesso ao catálogo do Google não é livre. Segundo o The Verge, lojas terceiras pagarão uma taxa anual de US$ 5 mil para passar por revisões de segurança e políticas da plataforma.
As lojas também precisarão aceitar todos os desenvolvedores elegíveis, sem restringir o catálogo a parceiros preferenciais, e manter políticas de confiança e segurança consideradas não discriminatórias.
Outra exigência limita a taxa de instalações maliciosas a no máximo 1% do total de tentativas de instalação feitas pela loja.
Mudança vale apenas para os Estados Unidos
O programa de acesso ao catálogo da Play Store se aplica exclusivamente ao mercado americano. As lojas cadastradas só poderão distribuir aplicativos para usuários dentro dos Estados Unidos, e a regra de origem judicial não altera o funcionamento do Android em outros países.
Fora dos EUA, o Google segue com um modelo diferente, batizado de "Registered App Stores", que prevê a instalação de lojas rivais por sideload em vez do acesso direto dentro do Play Store. A expectativa é que esse programa chegue a outros mercados junto com a próxima versão do Android, ainda neste ano.
O acordo entre Google e Epic também trouxe outras mudanças já em vigor nos Estados Unidos, como a redução da comissão cobrada sobre compras dentro de apps, que caiu de 30% para 10%, e a abertura da Play Store para sistemas de pagamento externos.
Apresentador do Canaltech comenta o tema no CNN Live
O apresentador Adriano Ponte Abreu discutiu o caso no quadro semanal do Canaltech exibido no CNN Live.
Segundo ele, o Android também passou a exigir uma espera obrigatória de 24 horas para instalações feitas fora da Play Store, além de disparar alertas na tela do usuário. A medida gera críticas de defensores de lojas independentes, que veem nela uma forma de afastar o usuário comum de alternativas à Play Store.
Adriano também citou o caminho inverso trilhado pela Apple. Em junho, a empresa passou a liberar lojas de aplicativos alternativas e sistemas de pagamento de terceiros para usuários brasileiros de iPhone, após acordo homologado com o Cade em dezembro de 2025.
Vinte e seis ex-funcionários da Meta entraram com uma ação judicial contra a empresa nesta semana, acusando a companhia de usar sistemas de inteligência artificial para selecionar trabalhadores com problemas de saúde durante a onda de demissões realizada em maio.
O processo foi apresentado na segunda-feira (13) em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, e afirma que a Meta usou notas de produtividade e dados de uso de ferramentas de IA para compor a lista de desligamentos.
Segundo a ação, esses critérios prejudicaram de forma desproporcional funcionários que haviam tirado licença médica por conta de algum problema de saúde ou por deficiência, e gestantes.
A dona do Facebook, Instagram e WhatsApp cortou cerca de 8 mil funcionários em maio, o equivalente a 10% da força de trabalho global, dentro de uma reestruturação para concentrar recursos em IA.
O que diz o processo
A ação, de 71 páginas, sustenta que a Meta não montou a lista de demissões a partir do julgamento de gestores que conheciam o trabalho de cada funcionário. Em vez disso, um conjunto de sistemas internos de IA teria pontuado, ranqueado e selecionado os empregados incluídos na lista.
Os processos automatizados coletam dados de desempenho, produtividade e outras métricas que não existem quando o funcionário está afastado por licença médica ou familiar.
Para pessoas com deficiência, essas métricas tendem a ser menores, argumenta a ação. O resultado, segundo os advogados dos autores, penalizou trabalhadores justamente por exercerem um direito legal.
Os 26 autores, que entraram com o processo de forma anônima, acusam a Meta de violar leis federais e estaduais contra discriminação e retaliação, além de leis recentes da Califórnia e de Nova York que exigem testes de viés em sistemas automatizados de decisão.
Sistemas de IA citados na ação
Entre as ferramentas mencionadas no processo está o “Metamate", assistente de linguagem interno da empresa. A ação também cita um sistema batizado de "segundo cérebro", treinado com comunicações e documentos dos próprios funcionários, além de uma pontuação de produtividade calculada a partir de teclas digitadas, conteúdo de tela, e-mails e histórico de navegação.
O CEO Mark Zuckerberg disse em uma reunião interna, segundo a revista The Information, que o objetivo era treinar os sistemas de IA da empresa a partir do comportamento de funcionários considerados de alta performance.
Casos citados no processo
O processo detalha situações individuais para sustentar a alegação de viés. Uma cientista em licença-maternidade aprovada foi notificada da demissão dois dias antes de dar à luz.
Um engenheiro afirma ter recebido uma avaliação rebaixada por causa de um período de afastamento para tratar uma lesão.
E um gerente em licença médica foi desligado 16 dias após o início do afastamento.
Resposta da Meta
Um porta-voz da Meta classificou as acusações como infundadas. Segundo a empresa, decisões sobre gestão de funcionários e organização interna são tomadas por pessoas, não por inteligência artificial.
O programa de monitoramento gerou protestos internos nos meses seguintes ao lançamento. Mais de 1,6 mil funcionários assinaram uma petição alegando violação de privacidade, e Zuckerberg anunciou em junho a suspensão da iniciativa.
Próximos passos e contexto da reestruturação
Os autores da ação seguem como funcionários da Meta até 22 de julho, data em que os desligamentos devem começar.
Os advogados pedem ao tribunal uma decisão liminar para suspender a finalização das demissões enquanto o caso avança em arbitragem privada, além de uma auditoria independente sobre os sistemas de IA usados na seleção.
A empresa já havia informado que cerca de 7 mil funcionários seriam realocados para áreas ligadas à inteligência artificial antes dos cortes.
Os investimentos da companhia no setor devem somar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em 2026, segundo a própria empresa, incluindo um contrato de pelo menos US$ 60 bilhões com a fabricante de chips AMD.
O Oversight Board, conselho independente de supervisão da Meta, determinou a remoção de um vídeo deepfake sexual que permaneceu no Instagram por meses após ser denunciado, e cobrou da empresa mudanças estruturais na forma como trata esse tipo de conteúdo gerado por inteligência artificial.
A decisão, publicada nesta terça-feira (23), aponta falhas no processo de moderação da plataforma e conclui que o sistema atual coloca pessoas comuns em situação de desvantagem em relação a figuras públicas.
O Oversight Board é um organismo independente criado pela própria Meta para revisar decisões de moderação de conteúdo nas plataformas da empresa, como Facebook e Instagram. O conselho pode cassar decisões da companhia e emitir recomendações, mas a Meta não é obrigada a implementá-las.
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O vídeo que ficou no ar
O caso teve início em setembro de 2025, quando um usuário do Instagram publicou um vídeo de oito segundos, aparentemente gerado por IA, mostrando uma mulher ajustando o vestido com a roupa íntima à mostra em alguns frames. Segundo o Oversight Board, o vídeo imitava uma pessoa real, sem o consentimento dela.
O sistema automatizado da Meta identificou o post no dia seguinte e apontou risco de viralização, mas não o encaminhou para revisão humana. Dois usuários denunciaram o conteúdo dias depois, e ele permaneceu no ar. Um dos denunciantes recorreu diretamente à Meta, sem sucesso, e então levou o caso ao conselho.
Quando o Oversight Board notificou a empresa, especialistas internos da Meta avaliaram o post e concluíram que ele não violava as regras da plataforma. A empresa apenas restringiu o acesso ao conteúdo para adultos, sem fazer a remoção.
A Meta executou uma demissão em massa no último mês de maio, com quase 10% dos funcionários demitidos (Imagem: Reprodução/Anthony Quintano/Wikimedia Commons/CC-2.0)
O que o conselho decidiu
O Oversight Board reverteu a decisão da Meta e exigiu a remoção do vídeo. A conclusão do conselho é que o conteúdo viola a política da empresa contra imagens íntimas não consensuais, se enquadrando nos três critérios da regra: conteúdo não comercial em contexto privado, pessoa retratada "quase nua" e ausência de consentimento.
O problema central identificado na decisão é que a Meta exige que a própria vítima faça a denúncia para que a falta de consentimento fique caracterizada. Outros sinais aceitos pela empresa são relatos de autoridades policiais, da mídia ou de parceiros institucionais. O conselho considera que esses caminhos são acessíveis, na prática, apenas a figuras públicas.
Para corrigir isso, o Oversight Board recomenda que a Meta passe a tratar imitações geradas por IA como não consensuais por definição, sem depender de autodenuncia. O conselho também quer que usuários possam designar "contas conectadas", como amigos e familiares, autorizados a denunciar violações em nome de terceiros.
Outra recomendação é incluir deepfakes sexuais como categoria específica nos formulários de denúncia da plataforma. Atualmente, apenas usuários do Texas e da Flórida têm acesso a um formulário com esse tipo de opção. O Oversight Board defende a disponibilização global, argumentando que o abuso sexual não consensual gerado por IA é um problema de escala mundial.
Contexto mais amplo
A decisão ocorre em meio a um debate regulatório crescente sobre deepfakes em diferentes países. A União Europeia chegou a um acordo para proibir sistemas de IA usados para gerar conteúdo sexual explícito não consensual, incluindo aplicativos de "nudificação".
Índia, Reino Unido e Espanha também trabalham em regras específicas para esse tipo de conteúdo. O X, antigo Twitter, também enfrenta escrutínio por imagens sexuais geradas por chatbots de IA.
O Oversight Board afirma, no relatório, que "a escala, a velocidade e a sofisticação das ferramentas de IA resultaram em uma proliferação global de conteúdo sexual não consensual gerado por inteligência artificial" e que vídeos deepfake sexuais causam danos à reputação e à saúde psicológica das vítimas, com impacto desproporcional sobre mulheres e meninas.
Esta não é a primeira vez que o conselho critica a postura da Meta em relação a conteúdo gerado por IA. Em meados de 2025, o Oversight Board classificou como "incoerente e injustificável" a incapacidade da empresa de aplicar suas próprias regras de forma consistente.