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O que realmente queima uma TV durante temporais? Entenda os riscos

1 August 2026 at 18:00

Temporais com raios costumam trazer uma preocupação comum: será que a TV pode queimar se continuar ligada? Embora muitas pessoas acreditem que o problema seja apenas manter o aparelho conectado à tomada, os riscos vão muito além disso.

Cabos de internet, antenas e até outros dispositivos conectados podem servir como caminho para surtos elétricos.

Segundo Janio Denis Gabriel, engenheiro eletricista e professor da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o verdadeiro perigo não é a chuva em si, mas os picos de tensão provocados pelas descargas atmosféricas.

O que realmente pode queimar uma TV durante um temporal?

De acordo com Janio, o principal responsável por danificar uma TV é o surto de tensão causado quando um raio atinge a rede elétrica, a rede de telefonia ou a infraestrutura de internet.

Nessas situações, uma enorme quantidade de energia percorre a fiação e pode chegar até os aparelhos conectados. Conforme explica o especialista:

Microchips e trilhas eletrônicas foram projetados para trabalhar com baixas tensões. Quando recebem milhares de volts em um curto intervalo de tempo, podem ser destruídos instantaneamente.

Esse pico de energia costuma atingir principalmente a fonte de alimentação e a placa principal da TV, tornando o equipamento inutilizável.

Desligar pelo controle remoto protege a TV?

A resposta é não. Segundo o professor, ao desligar a TV pelo controle remoto, o aparelho apenas entra em modo de espera (standby), permanecendo conectado à rede elétrica e vulnerável aos surtos.

Para reduzir o risco, é necessário retirar o plugue da tomada. Mas isso, sozinho, ainda pode não ser suficiente.

Janio alerta que outros cabos também precisam ser desconectados, já que a descarga elétrica pode chegar por diferentes caminhos. Entre eles estão:

  • cabo de energia;

  • cabo de rede (Ethernet);

  • cabo coaxial de antena ou TV por assinatura;

  • cabos HDMI conectados a videogames, receptores ou home theaters.

Segundo o especialista, um equipamento conectado pode sofrer o surto e transmitir a descarga para a TV por meio do cabo HDMI.

Como proteger a TV e outros eletrônicos durante tempestades?

A recomendação mais importante é agir antes que o temporal fique intenso. "A regra de ouro é fazer a desconexão física dos equipamentos antes do ápice da tempestade", afirma Janio. O engenheiro destaca algumas medidas que ajudam a reduzir os riscos:

  • instalar um DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos) no quadro elétrico da residência;

  • utilizar filtros de linha que possuam proteção real contra surtos, com varistor interno;

  • manter um sistema de aterramento adequado e em conformidade com as normas técnicas.

De acordo com Janio, tanto o DPS quanto os filtros de linha dependem de um aterramento corretamente instalado para funcionarem de forma eficiente. Em casas mais antigas, pode ser necessário revisar toda a instalação elétrica.

Erros comuns que aumentam o risco de danos

Entre os equívocos mais frequentes está acreditar que qualquer estabilizador protege contra raios.

Segundo Janio, estabilizadores convencionais não conseguem reagir rápido o suficiente para bloquear a energia liberada por uma descarga atmosférica. Apenas alguns equipamentos específicos, como estabilizadores ou nobreaks isolados com transformador isolador, oferecem um nível maior de proteção.

Outro erro bastante comum é retirar apenas o cabo de energia da TV e esquecer os demais cabos conectados. Conforme explica o especialista, muitas TVs chegam às assistências técnicas justamente porque o surto entrou pela antena ou pelo cabo de internet.

Ele também alerta para uma prática perigosa: conectar o fio neutro ao pino de aterramento da tomada. Segundo o professor, o aterramento deve utilizar um condutor exclusivo, conforme determinam as normas brasileiras, garantindo a proteção correta dos equipamentos.

Vale a pena desligar a TV quando começa a chover?

TV controle

Se houver previsão de tempestades com raios, desligar completamente a TV e retirar todos os cabos continua sendo a forma mais segura de evitar prejuízos. No entanto, essa ação deve ser feita antes que a tempestade esteja sobre a residência.

Como destaca Janio Denis Gabriel, durante um temporal intenso o maior risco passa a ser a segurança das pessoas. Manipular fios, antenas ou equipamentos conectados à rede elétrica enquanto há descargas atmosféricas pode provocar choques graves.

Por isso, a prevenção deve sempre acontecer antes da chegada da parte mais forte da tempestade.  Veja como proteger eletrônicos em tempestades sem tirar da tomada.

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Esqueça o iPhone: por que os jovens estão trocando smartphones por "celulares burros"?

1 August 2026 at 15:00

Durante anos, ter o smartphone mais moderno foi sinônimo de status. Agora, um movimento na direção oposta começa a ganhar força, especialmente entre os jovens. Em vez de buscar aparelhos cada vez mais potentes, muitos estão optando pelos chamados dumbphones, que são aqueles celulares simples, voltados para ligações, mensagens e poucas funções essenciais.

A tendência acompanha uma preocupação crescente com o uso excessivo do celular, o tempo gasto nas redes sociais e a sensação de estar sempre disponível. Mais do que nostalgia pelos celulares flip dos anos 2000, a mudança representa uma tentativa de recuperar o controle sobre a própria atenção.

O que são os dumbphones?

Os dumbphones são aparelhos que deixam de lado boa parte dos recursos dos smartphones modernos. Em geral, oferecem chamadas, SMS, câmera e alguns aplicativos básicos, mas eliminam redes sociais, navegadores e outras ferramentas consideradas grandes fontes de distração.

Recentemente, fabricantes passaram a investir nesse segmento. Um exemplo é o Commodore Callback 8020, um celular flip que bloqueia redes sociais, como Facebook, Instagram, TikTok e navegadores, mas ainda permite aplicativos como WhatsApp, Uber e Spotify.

Outro lançamento é o Light Flip, que também aposta em uma experiência minimalista, oferecendo apenas funções como mapas, calendário, despertador e música, sem acesso às principais redes sociais.

O problema não é apenas o tempo de tela

Segundo o psicólogo clínico e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Paulo Cesar Porto Martins, avaliar o uso do celular apenas pela quantidade de horas pode levar a conclusões equivocadas.

A questão do uso de telas precisa evitar a tentação de ser avaliada apenas pela quantidade de horas, pois, do ponto de vista psicológico, tão importante quanto a quantidade é a qualidade e a função do uso.

Ele explica que passar duas horas estudando, trabalhando ou conversando com amigos é muito diferente de gastar o mesmo tempo alternando, quase sem perceber, entre vídeos curtos, notificações e comparações constantes nas redes sociais.

O principal sinal de alerta, segundo o especialista, é quando a pessoa perde o controle sobre o próprio uso. Tentativas frustradas de diminuir o tempo de tela, prejuízo ao sono, abandono de outras atividades e sofrimento ao ficar desconectado podem indicar um uso problemático.

Por que trocar de celular pode ajudar?

Para Paulo Cesar Porto Martins, migrar para um dumbphone funciona como uma estratégia de modificar o ambiente.

Em vez de depender exclusivamente da força de vontade para resistir a dezenas de gatilhos diários, a pessoa torna o comportamento impulsivo menos acessível.

Ele compara a situação a alguém que deseja consumir menos doces e decide simplesmente não mantê-los em casa. O aparelho não resolve, sozinho, problemas como ansiedade ou compulsão, mas reduz as oportunidades de agir no piloto automático.

Segundo o especialista, essa barreira prática ajuda principalmente quem percebe que pega o celular sem uma intenção clara. Aos poucos, a pessoa reaprende a lidar com momentos de espera, silêncio e tédio, fatores importantes para recuperar a atenção e a autorregulação.

É preciso abandonar o smartphone?

Nem sempre. Afinal, hoje o celular concentra aplicativos bancários, autenticação em duas etapas, transporte, trabalho, estudos e diversos serviços públicos.

Por isso, Paulo Cesar Porto Martins destaca que é possível reproduzir parte da experiência de um dumbphone no próprio smartphone. Entre as estratégias estão desativar notificações desnecessárias, retirar redes sociais da tela inicial, usar modos de foco, manter o aparelho fora do quarto durante a noite e utilizar bloqueadores de aplicativos.

O crescimento dos dumbphones mostra que a tecnologia deixou de ser apenas uma disputa por especificações técnicas e passou a refletir também uma busca por equilíbrio digital. Para muitos jovens, abrir mão de redes sociais no celular representa uma forma de recuperar tempo, concentração e qualidade de vida. Veja os sinais de que você precisa ficar mais tempo longe do celular.

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