O Google acabou recomendando o uso do DuckDuckGo em respostas geradas pelo recurso AI Overviews, após interpretar buscas de usuários que queriam evitar inteligência artificial. O caso ganhou repercussão depois que o próprio DuckDuckGo publicou um post no X mostrando o erro e ironizando a situação.
Em buscas pelo termo "no ai", o sistema tentou interpretar o que o usuário quis dizer e acabou sugerindo melhores formas de evitar resultados com inteligência artificial, indicando outro buscador — no caso, o DuckDuckGo. Em alguns casos, também apareceu o navegador Brave como alternativa, devido à possibilidade de realizar ajustes nas configurações para reduzir ou bloquear respostas geradas por IA.
O episódio reacendeu o debate sobre a integração cada vez mais profunda de recursos de IA na busca do Google. Embora o DuckDuckGo também ofereça recursos de inteligência artificial, como o “Search Assist” e o “Duck.ai”, eles podem vir ativados por padrão em algumas experiências. A principal diferença, e um dos pontos da crítica ao Google, é que o DuckDuckGo permite desativar essas funções de forma simples.
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Já no Google, o AI Overviews não pode ser desativado permanentemente nas configurações padrão da conta. Em vez disso, usuários que preferem resultados tradicionais precisam selecionar manualmente o filtro “Web” a cada nova busca para acessar apenas os links clássicos, sem respostas geradas por IA.
Erro no AI Overviews fez o Google recomendar o DuckDuckGo a usuários que queriam evitar resultados gerados por IA. (Imagem: André Magalhães/Canaltech)
Número de usuários do DuckDuckGo está crescendo
O interesse pelo DuckDuckGo vem aumentando após a expansão dos recursos de inteligência artificial na busca do Google. Segundo dados da própria empresa, as instalações do aplicativo cresceram, em média, 18,1% na semana seguinte aos anúncios do Google, com um pico de 33% em 25 de maio.
O movimento foi ainda mais forte em dispositivos iPhone, em que o crescimento chegou a 69,9% no mesmo período. Além disso, o tráfego para a página “no-ai” do DuckDuckGo, que oferece busca sem recursos de IA, avançou 22,7% na média semanal, com pico de 27,7% em 24 de maio.
Esses dados são atribuídos ao aumento do descontentamento de parte dos usuários com a integração de respostas geradas por IA no Google, especialmente após mudanças apresentadas durante o Google I/O 2026.
No último ano, a empresa também aumentou o uso de ferramentas de IA em várias partes da busca, chegando a testar a substituição da caixa de dicionário pelo AI Overviews. Com isso, até pesquisas simples geravam grandes parágrafos de texto conversacional, o que irritou os usuários que buscam respostas rápidas.
Além disso, o DuckDuckGo afirma que não rastreia o histórico de buscas dos usuários para treinar inteligência artificial ou exibir anúncios personalizados. Isso ajuda a explicar por que parte dos usuários têm migrado para a plataforma, buscando mais privacidade e menos personalização baseada em dados de navegação.
O Google está ampliando as capacidades do Gemini no Google Planilhas para que os usuários criem e editem planilhas por meio de comandos em linguagem natural. A novidade chega com suporte a 28 novos idiomas, incluindo o português, e já está disponível para contas empresariais, educacionais e assinantes de planos Google AI Pro e AI Ultra.
A ferramenta funciona como um assistente integrado no próprio Planilhas. Agora, não é mais necessário escrever fórmulas complexas ou montar tabelas manualmente, basta descrever o que precisa no painel lateral do Gemini, como “criar uma planilha de orçamento mensal” ou “gerar um gráfico de vendas por mês”, e a IA monta a estrutura automaticamente, incluindo fórmulas, tabelas dinâmicas e visualizações.
Com o recurso, também é possível editar documentos para ajustar cálculos, reorganizar dados e sugerir melhorias. O objetivo do Google é facilitar o uso do Planilhas e tornar o trabalho com dados mais simples, mesmo para quem não domina funções avançadas.
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Além disso, a expansão para 28 idiomas, incluindo português, espanhol, japonês, francês, alemão e árabe etc., busca eliminar barreiras linguísticas e facilitar a colaboração entre equipes globais. Assim, pessoas de diferentes países podem trabalhar juntas em análises e modelos financeiros usando seus próprios idiomas.
Google expande o Gemini no Planilhas, que agora cria e edita fórmulas e dados por IA em 28 idiomas. (Imagem: Viviane França/Canaltech / Editada por IA/ChatGPT)
Quem pode usar o Gemini no Google Planilhas?
O Gemini no Google Planilhas está disponível para contas empresariais, corporativas, educacionais e assinantes de planos avançados do Google AI. O acesso inclui os usuários dos planos:
No ambiente corporativo, os administradores precisam habilitar o “Gemini for Workspace in Sheets”. Já os demais usuários devem ter os recursos inteligentes do Workspace ativados em suas contas para aproveitar as novidades no painel lateral.
Além disso, clientes do Google Workspace têm acesso promocional com limites mais altos de uso até 15 de julho de 2026. Após essa data, passam a valer limites específicos por usuário, que serão detalhados pelo Google no Centro de Ajuda.
O Instagram começou a liberar uma atualização para adicionar legendas diferentes para cada foto ou vídeo de publicações em carrossel. O recurso já está sendo distribuído globalmente desde 18 de junho, mas deve chegar gradualmente a todos, podendo levar até uma semana para atingir os 2 bilhões de usuários da plataforma.
A mudança atende a um pedido antigo de criadores de conteúdo, que buscavam mais controle sobre a contextualização de cada imagem. Antes, era possível adicionar apenas uma legenda que aparecida para todas as fotos do carrosséis, o que limitava bastante a explicação do conteúdo.
Agora, com a mudança, cada imagem pode ter a sua própria legenda, que aparecem enquanto o usuário desliza pelas fotos. Vale ressaltar que o recurso aceita até 20 slides, cada um com uma legenda diferente, seguindo o limite atual de imagens em carrosséis do aplicativo.
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O novo recurso deixa os posts mais dinâmicos e organizados, facilitando a criação de tutoriais, apresentações de produtos e publicações em formato de álbum com várias partes, sendo possível transformar a postagem em um “microblog”. A novidade também melhora a acessibilidade, já que leitores de tela conseguem entender melhor cada imagem separadamente.
O carrossel é um dos formatos de postagem mais populares do Instagram, e a nova atualização deixa esse recurso ainda mais útil. A mudança melhora a forma que o conteúdo é apresentado, a ponto de fazer as pessoas se perguntarem “por que demorou tanto tempo” para ser lançada.
Instagram libera legendas individuais em carrosséis. (Imagem: Claudio Schwarz/Unsplash)
Como adicionar legendas diferentes em cada imagem do carrossel?
Veja como adicionar legendas diferentes para cada imagem na sua postagem em carrossel:
Um relatório da empresa de segurança em IA Mindgard mostra que o ChatGPT pode gerar imagens violentas e sexualmente explícitas a partir de prompts simples e enganosos. O caso foi demonstrado por pesquisadores da companhia, que conseguiram contornar filtros de segurança do sistema ao explorar brechas na forma como ele interpreta comandos.
O teste foi conduzido por Jim Nightingale, pesquisador da equipe de “red team” da Mindgard. Ele utilizou um prompt viral, originalmente inofensivo, encontrado na rede social X e compartilhado por Kris Kashtanova, influenciadora de IA e educadora. O comando pedia ao chatbot para “restaurar uma imagem anexada”, mesmo sem enviar nenhum arquivo.
A proposta original era gerar imagens divertidas e leves, mas acabou sendo explorado de forma inesperada. Ao repetir o comando ou fazer pequenas alterações na instrução, o sistema começou a gerar imagens em vez de solicitar o conteúdo ausente, explorando um comportamento conhecido como repetição de prompt (RE2).
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Segundo o relatório, os resultados incluíram cenas de violência extrema, situações de violência sexual e imagens explícitas. Os pesquisadores afirmam que não foi necessário um método sofisticado de invasão, mas sim o uso de instruções repetidas e variações mínimas de linguagem para induzir o modelo a contornar suas próprias barreiras de segurança.
No entanto, os pesquisadores também usaram formas de enganar a IA. Eles chegaram a inserir um ID de imagem falso e afirmar que a imagem “já havia sido gerada e aprovada”. Em outros casos, pediram que o sistema “não julgasse o conteúdo, mesmo que fosse violento”, tentando contornar os filtros de segurança.
Para dar a dimensão da gravidade, o estudo destaca que o conteúdo gerado, incluindo imagens explícitas de assassinato, foi tão extremo que o pesquisador Jim Nightingale, veterano em testes de segurança de IA, relatou ter ficado “abalado e em prantos” após os testes.
Relatório da Mindgard mostra que o ChatGPT pode gerar imagens violentas e explícitas devido a falhas em prompts simples. (Imagem: Viviane França/Canaltech)
Qual foi o posicionamento da OpenAI?
Em posicionamento, a OpenAI afirmou que leva os achados a sério e que vem ajustando o sistema para reduzir esse tipo de comportamento, especialmente em casos envolvendo anexos inexistentes.
Já a Mindgard afirma que, ao reportar a falha em maio de 2026, recebeu respostas automáticas da OpenAI direcionando a equipe ao programa de recompensa por bugs (Bugcrowd). A empresa recusou a orientação e apontou que o programa exclui explicitamente “problemas de conteúdo”, o que deixaria esse tipo de falha em um limbo.
Em 8 de junho, a OpenAI informou que o problema havia sido corrigido. No entanto, em 10 de junho, a Mindgard realizou novos testes e conseguiu reproduzir os mesmos resultados com pequenas mudanças de palavras nos prompts, o que, segundo os pesquisadores, indica que as medidas ainda não foram suficientes.
Afinal, por que essas imagens estão no treinamento do ChatGPT?
A presença de conteúdos sensíveis nos resultados do ChatGPT está ligada ao processo de treinamento dos modelos de IA. Eles são desenvolvidos a partir de grandes volumes de dados que incluem informações públicas da internet, bases licenciadas e conteúdo produzido e anotado por humanos.
Como a internet tem tanto conteúdo moderado quanto não moderado, parte desse material pode influenciar o treinamento do modelo. Isso não quer dizer que a IA “guarda” imagens específicas, significa que ela aprende padrões de texto e imagem associados a esse tipo de conteúdo.
Mesmo com filtros de segurança, ainda existem falhas quando os comandos são usados de forma enganosa ou podem ser interpretados de várias maneiras. Por isso, empresas, como a OpenAI, precisam atualizar seus sistemas o tempo todo para evitar a criação de conteúdo sensível e melhorar a moderação.
O Google começou a liberar uma atualização para o Gemini Live que acaba com uma das maiores limitações da ferramenta: a falta de memória entre conversas. Agora, a IA consegue se lembrar de informações compartilhadas anteriormente e usar dados de aplicativos conectados para tornar as interações por voz mais naturais e personalizadas.
Com a nova área de "Inteligência Pessoal", o Gemini Live pode guardar detalhes importantessobre você, como preferências alimentares, hobbies ou datas especiais. Assim, não é preciso repetir as mesmas informações sempre que iniciar uma nova conversa.
A IA também consegue consultar aplicativos conectados em tempo real. Durante uma conversa por voz, ela pode buscar informações em serviços, como YouTube, Google Calendar, Keep, Tasks e ferramentas do Google Workspace, para responder com mais contexto. Além disso, o Gemini Live também permite compartilhar a tela e usar a câmera do celular, ajudando a IA a entender melhor o que o usuário está vendo.
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Além dos apps do Google, o Gemini Live agora se integra a serviços de terceiros, incluindo Spotify e aplicativos da Samsung, Xiaomi, HONOR, OnePlus e OPPO. A IA também pode recorrer a recursos, como Google Voos, Google Hotéis e até informações públicas do Google Maps, para oferecer respostas mais úteis e personalizadas.
As informações usadas pela IA seguem as mesmas configurações escolhidas no chat convencional. Apesar de essa integração deixar o Gemini Live mais útil, ela também levanta questões sobre privacidade. Como a IA pode acessar informações de diferentes serviços do Google, ela tem uma visão mais ampla da rotina do usuário, o que exige maior controle sobre as permissões e pode gerar preocupações sobre quais dados estão sendo usados.
Já nas contas corporativas ou escolares, a experiência pode ser mais limitada. O acesso aos aplicativos depende das permissões definidas pelos administradores do Workspace e, por enquanto, apenas dados do Google Calendar, Google Keep e Google Tasks podem ser usados nas conversas do Gemini Live.
Google atualiza o Gemini Live com memória entre conversas e integração com apps e câmera para respostas mais personalizadas. (Imagem: Marcelo Salvatico/Canaltech)
Quem pode usar o novo recurso de memória do Gemini Live?
Por enquanto, o recurso está disponível apenas para usuários maiores de 18 anos nos Estados Unidos que utilizam o Gemini em inglês em dispositivos Android. Ele funciona com contas pessoais e de trabalho ou escola, desde que o acesso aos aplicativos necessários tenha sido liberado.
O Claude Fable 5 e o Claude Mythos 5 chegaram como os modelos mais poderosos da Anthropic, mas logo entraram em uma discussão maior sobre segurança e quem deve ter acesso às capacidades mais avançadas da IA. A ideia é levar recursos de nível Mythos para mais pessoas com o Fable 5, enquanto o Mythos 5 segue reservado para parceiros selecionados em áreas mais sensíveis.
A polêmica aumentou depois que reportagens da Wired e do The Verge disseram que o governo dos Estados Unidos começou a pressionar a Anthropic. A preocupação era com possíveis formas de contornar as proteções do Fable 5, o que poderia liberar capacidades próximas às do Mythos 5 para um público mais amplo.
8 diferenças entre o Claude Fable 5 e o Mythos 5
Confira as principais diferenças entre os modelos Claude Fable 5 e Mythos 5:
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Acesso: Fable 5 nasceu para o público; Mythos 5 para grupos vetados
Guardrails: Fable 5 tem travas; Mythos 5 remove parte delas
Cibersegurança: Mythos 5 é mais livre; Fable 5 é mais contido
Biologia e química: Mythos 5 mira pesquisa avançada; Fable 5 restringe pedidos
Experiência de uso: Fable 5 pode cair para Opus 4.8 em temas sensíveis
Desempenho: Fable 5 promete nível Mythos, mas nem sempre entrega tudo
Preço: os dois têm o mesmo custo anunciado
Risco regulatório: Fable 5 virou o caso público; Mythos 5 virou o limite
1. Acesso: Fable 5 nasceu para o público; Mythos 5 para grupos vetados
A primeira grande diferença está na disponibilidade. O Claude Fable 5 foi apresentado como o modelo “geral” da família Mythos, disponível por meio da API e dos planos da Claude. Já o Mythos 5 foi pensado para parceiros selecionados, principalmente dentro do Project Glasswing.
No entanto, essa estratégia acabou esbarrando em questões políticas. Embora o Fable 5 tenha sido anunciado como acessível, a Anthropic posteriormente atualizou sua página informando a suspensão do acesso tanto ao Fable 5 quanto ao Mythos 5 em resposta a uma diretiva do governo dos EUA.
A administração Trump deu à empresa um ultimato de 90 minutos para restringir a ferramenta, após receber alertas de que as travas do Fable 5 poderiam ser burladas (jailbreak), liberando as capacidades de cibersegurança do Mythos. A ordem exigia o bloqueio para 'qualquer cidadão estrangeiro', o que forçou a Anthropic a cortar temporariamente o acesso de todos os usuários.
Com isso, a discussão não se limita mais a um novo produto de IA, ela abrange também questões de segurança nacional e política tecnológica.
O Fable 5 e o Mythos 5 são os modelos de IA mais avançados da Anthropic. (Imagem: Viviane França/Canaltech / Editada por IA/Gemini)
2. Guardrails: Fable 5 tem travas; Mythos 5 remove parte delas
Segundo a Anthropic, os dois modelos usam a mesma base tecnológica. A principal diferença é que o Fable 5 possui mais proteções para bloquear ou redirecionar pedidos considerados sensíveis ou de maior risco.
Já o Mythos 5 é disponibilizado para parceiros considerados confiáveis justamente para permitir pesquisas avançadas em áreas sensíveis, como cibersegurança e biotecnologia.
A discussão sobre essas proteções aumentou depois de testes feitos pela Amazon. O CEO da empresa, Andy Jassy, avisou o governo dos EUA sobre possíveis maneiras de contornar parte das barreiras do Fable 5. Isso levou a NSA a analisar as falhas encontradas e ajudou na decisão do governo de proibir o modelo.
Por outro lado, a Anthropic e alguns pesquisadores independentes disseram que os riscos foram exagerados. Segundo eles, os problemas identificados não removiam totalmente as proteções do sistema nem transformavam o Fable 5 em uma versão sem restrições do Mythos 5.
3. Cibersegurança: Mythos 5 é mais livre; Fable 5 é mais contido
A Anthropic posiciona a família Mythos como uma das mais avançadas em tarefas ligadas à cibersegurança, o que inclui desde auditorias até análise de vulnerabilidades e identificação de falhas em sistemas.
Por causa desse potencial, o Fable 5 utiliza classificadores para impedir que essas capacidades sejam empregadas em tarefas ofensivas ou em usos considerados perigosos. Segundo a empresa, o modelo é impedido de fazer qualquer progresso em tarefas de ataque. No entanto, as restrições geraram críticas, que classificaram as travas como tão agressivas que "viraram motivo de piada" na comunidade cibernética.
Ao mesmo tempo, defensores da tecnologia dizem que modelos desse tipo podem ajudar a encontrar falhas e tornar sistemas mais seguros. Segundo a Anthropic, parceiros do Project Glasswing já usaram versões da linha Mythos para descobrir milhares de vulnerabilidades graves e falhas zero-day em navegadores e sistemas operacionais populares — incluindo falhas que passaram despercebidas por humanos durante 27 anos no OpenBSD e 16 anos no FFmpeg.
O Fable 5 foi criado para o público geral, enquanto o Mythos 5 é restrito a pesquisadores e parceiros selecionados. (Imagem: Viviane França/Canaltech)
4. Biologia e química: Mythos 5 mira pesquisa avançada; Fable 5 restringe pedidos
A Anthropic também trata biologia e química como áreas de uso dual, nas quais avanços científicos podem ter aplicações positivas e negativas.
Antes, a empresa bloqueava apenas comandos sobre armas biológicas. No entanto, testes revelaram que o novo modelo é capaz de realizar tarefas complexas, como projetar componentes virais que poderiam ser usados tanto para terapias genéticas quanto para a criação de vírus perigosos.
Por isso, para lançar o modelo rapidamente ao público, a Anthropic aplicou travas que ela mesma admite serem “excessivamente amplas". O Fable 5 tende a restringir ou redirecionar solicitações mais profundas sobre biologia e química para o modelo anterior.
Já o Mythos 5, por outro lado, é voltado para acesso controlado por meio de um programa para pesquisadores e organizações selecionadas. Sem as travas, o modelo demonstrou um potencial impressionante. Segundo a empresa, ele já acelerou o design de medicamentos em cerca de 10 vezes e até desenvolveu pesquisas genômicas que superaram modelos publicados na prestigiada revista Science.
5. Experiência de uso: Fable 5 pode cair para Opus 4.8 em temas sensíveis
Os pedidos ligados à cibersegurança, biologia, química ou destilação de modelos podem ser tratados pelo Claude Opus 4.8 em vez do próprio Fable 5.
Para tarefas comuns, essa troca tende a passar despercebida. Já se você é desenvolvedor, pesquisador ou trabalha com segurança, pode notar respostas que parecem variar dependendo do assunto abordado.
No entanto, a empresa garante que não haverá confusão. Para garantir a transparência, os usuários sempre serão notificados na tela quando a resposta vier do Opus 4.8, eliminando a dúvida sobre qual versão do sistema está operando no momento.
Além disso, a Anthropic afirma que as travas são acionadas em menos de 5% das sessões, o que significa que na grande maioria dos casos o usuário terá o desempenho puro do modelo mais avançado.
O lançamento do Fable 5 colocou a Anthropic no centro de um debate sobre até onde modelos de IA poderosos devem ser disponibilizados ao público. (Imagem: Viviane França/Canaltech / Editada por IA/Gemini)
6. Desempenho: Fable 5 promete nível Mythos, mas nem sempre entrega tudo
A Anthropic apresenta o Fable 5 como um modelo de nível Mythos para programação, análise de informações, visão computacional e tarefas complexas.
Para demonstrar isso, a empresa exibiu exemplos em que o modelo conseguiu jogar Pokémon FireRed usando apenas imagens da tela e também jogar Factorio sozinho, criando e automatizando uma fábrica.
Segundo a empresa, ele supera modelos anteriores em diversas categorias, incluindo código, raciocínio e uso autônomo. Em alguns testes, o Fable 5 chegou a superar o próprio Mythos e concorrentes, como o GPT-5.5, em avaliações de programação autônoma.
Mesmo assim, ter mais desempenho não significa ter acesso a todas as capacidades. Como o Fable 5 possui mais restrições, o Mythos 5 continua sendo interessante para organizações que precisam de recursos avançados sem as mesmas limitações.
7. Preço: os dois têm o mesmo custo anunciado
Curiosamente, o preço não é um diferencial entre os dois modelos. A Anthropic anunciou tanto o Fable 5 quanto o Mythos 5 por US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de tokens de saída — um valor que representa menos da metade do preço cobrado pela versão de elite anterior da empresa, o Mythos Preview.
8. Risco regulatório: Fable 5 virou o caso público; Mythos 5 virou o limite
A diferença mais importante talvez seja política. O Fable 5 concentra parte do debate público por ter sido concebido para ampliar a disponibilidade de capacidades de nível Mythos, colocando em discussão quais recursos de IA avançada devem ser distribuídos de forma mais ampla.
Já o Mythos 5 simboliza aquilo que a empresa e governos consideram sensível demais para ser disponibilizado sem restrições. Nesse contexto, ele se tornou uma espécie de referência para o que deve permanecer sob acesso controlado.
O banimento repentino do Fable 5 pelo governo dos EUA elevou esse risco regulatório a um novo patamar. A Anthropic se defendeu argumentando que está sendo cobrada por um padrão irreal, já que concorrentes, como o GPT-5.5, da OpenAI, apresentariam o mesmo comportamento em testes de segurança.
No fim, não existe um vencedor simples entre os dois modelos. Para usuários comuns e empresas interessadas em produtividade, o Fable 5 é uma proposta mais prática, acessível e focada para tarefas gerais.
Já o Mythos 5 é direcionado para cenários de pesquisa avançada, segurança e aplicações sensíveis, o que explica o acesso mais restrito.
A Adobe anunciou uma grande expansão do Firefly, seu assistente de inteligência artificial, que agora funciona no Premiere, Illustrator, InDesign e Frame.io. A proposta é automatizar tarefas repetitivas e com várias etapas para que os criadores possam dedicar mais tempo à parte criativa. Algumas das novidades já estão disponíveis e os recursos mais avançados seguem em fase beta privada para usuários selecionados.
O Firefly, que já está disponível no Express, Photoshop e Acrobat, também é compatível com ChatGPT, Claude e Copilot. Segundo a Adobe, o assistente deverá ganhar suporte ao Google Gemini e ao Slack futuramente.
No Premiere, o assistente consegue organizar arquivos em pastas, renomear vários clipes de uma só vez, identificar perguntas em entrevistas e inserir marcadores automaticamente na linha do tempo. Já no Illustrator, a IA pode reorganizar camadas em documentos inteiros e localizar fontes ausentes, reduzindo o trabalho manual em projetos complexos. A Adobe não detalhou quais recursos específicos serão oferecidos no InDesign e no Frame.io.
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A expansão faz parte do plano da Adobe de transformar o Firefly em um assistente unificado para toda a Creative Cloud. Para isso, elementos criados em um aplicativo poderão ser reutilizados em outros, ajudando a manter a consistência visual entre diferentes projetos.
A Adobe também vem expandindo o Firefly com ferramentas de IA para geração de imagens, vídeos e storyboards, aproximando a plataforma do Canva em termos de recursos focados na criação rápida de conteúdo.
A IA da Adobe chega ao Premiere e Illustrator com recursos que automatizam etapas da edição e da organização de projetos. (Imagem: Reprodução/Adobe)
Quais são as outras novidades do Firefly?
A atualização também traz novos recursos para colaboração e padronização de marcas, como o Elements, que permite salvar personagens, objetos e cenários gerados por IA para reutilizá-los em diferentes trabalhos, e o Projects, um espaço centralizado para armazenar arquivos e compartilhar o contexto criativo com equipes.
O Firefly também ganhou kits de marca capazes de criar logotipos e paletas de cores a partir de descrições ou materiais já existentes. Além disso, a plataforma agora oferece ferramentas para gerar vídeos de produtos usando imagens estáticas e criar storyboards completos para planejar produções audiovisuais.